Análise – Beyond: Two Souls HD

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Quando Beyond: Two Souls foi lançado em Outubro de 2013 para a Playstation 3, as opiniões dividiram-se. Há quem aprecie estas tentativas da Quantic Dream (mais precisamente de David Cage) de cruzar o género cinemático com o dos videojogos. Esta empresa já o tinha feito antes com Fahrenheit e Heavy Rain, tendo ambos os jogos recebido boas críticas. Beyond: Two Souls não teve tanto sucesso como os títulos anteriores, recebendo tantos elogios como críticas. Poderá esta versão HD para a PS4 transportar o trabalho de David Cage para um patamar mais elevado?

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Começarei por um pequeno resumo- Beyond: Two Souls é um jogo de aventura no qual controlamos Jodie Holmes (interpretada por Ellen Page), uma rapariga com um elo psíquico com um entidade sobrenatural (de seu nome Aiden). A acção passa-se ao longo de cerca de 15 anos numa ordem não-cronológica, ou seja, vamos acompanhar vários momentos-chave na vida de Jodie mas tão depressa estamos a acompanhá-la numa fase adulta como a seguir estamos a controlar uma Jodie de dez anos de idade. É uma técnica usada várias vezes na sétima arte e que David Cage achou por bem usar no seu jogo.

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Em termos de gameplay é completamente diferente controlar Jodie ou a entidade Aiden. Jodie controla-se de uma maneira “normal”, com uma câmera fixa e a possibilidade de olhar em volta. Por outro lado, quando controlamos Aiden a liberdade é total pois Aiden é um ser etéreo, capaz de atravessar paredes e voar por todo o lado. É mais difícil controlar Aiden, o que poderia afastar o jogador mais casual, no entanto a Quantic Dreams contornou este problema adicionando um segundo modo de controlo, onde pontos-chave são assinalados no ecrã e basta clicar num botão para Aiden ir automaticamente para essa zona. Quem não estiver habituado a jogar videojogos deve absolutamente escolher esta opção. O jogo divide-se entre segmentos de acção com os famigerados Quicktime Events e algum puzzle-solving. Aproveito para deixar a indicação que o jogo tem uma opção para dois jogadores, onde o primeiro jogador controla permanentemente Jodie e o segundo fica a cargo de Aiden.

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Mas o que traz de novo a versão HD? Para começar, os gráficos, claro. Beyond: Two Souls surge na PS4 em esplendoroso 1080p, e a diferença é notória, principalmente na iluminação e nas sombras. Esta é uma grande vantagem para um jogo que tenta ao máximo “ser” um filme, pois aproxima o produto do seu público-alvo.

Outra inclusão de valor é a possibilidade de, pela primeira vez, completar a história pela correcta ordem cronológica. Isto é algo que foi muito pedido pelos fãs e que na minha opinião devia ter sido incluído logo na primeira versão. Os saltos temporais “á-lá-Pulp Fiction” foram incluídos no jogo para mero deslumbre pessoal de David Cage, e a história ganha muito mais força quando contada pela devida ordem cronológica dos acontecimentos.

Outra novidade é um ecrã de estatísticas que aparece no fim de cada capítulo, no qual as nossas decisões são comparadas com as dos outros jogadores. Ou seja, se em dado altura do capítulo é-nos dada a hipótese para fazer X ou Y, é-nos dito neste ecrã quantos outros jogadores optaram pelo mesmo. É engraçado fazer estas comparações no fim dos capítulos e podemos através deste ecrã tirar ideias para futuros replays.

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Mas estas novidades não resolvem o principal problema de Beyond: Two Souls, que é ser demasiado um filme e muito pouco um jogo. As decisões que nós tomamos ao longo do jogo têm pouco ou nenhum efeito no desenrolar da história, e se falharmos nalguma acção ou segmento o jogo dá sempre a volta de modo a irmos parar à conclusão predefinida. Isto retira muita daquela emoção que sentimos ao jogar algo como Until Dawn, onde os nossos deslizes e erros podem custar a vida às nossas personagens.

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Beyond: Two Souls HD não resolve os problemas do jogo original mas oferece uma nova visão através da correcta ordem cronológica e dos gráficos remasterizados. No entanto, não deixa de ser uma opção válida para os jogadores mais casuais ou para os fãs de mini-séries de ficção científica. Ao contrário de David Cage espero que o futuro dos videojogos não passe por este formato onde o jogador se torna um mero…espectador.

Positivo:

  • Jogar pela correcta ordem cronológica
  • Gráficos 1080p bastante apelativos
  • Inclui o DLC “Enhanced Experiments”

Negativo:

  • Não resolve as falhas do jogo original
  • A união do cinema com os videojogos pode ser bem melhor

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