Análise – Balan Wonderworld

Por vezes reviver certas experiências que tivemos no passado, com videojogos, pode ser uma verdadeira viagem de sensações nostálgicas, tal como provou ser Crash Bandicoot N. Sane Trilogy ou Tony Hawk Pro Skater 1 + 2. No entanto, nem todas as experiências passam o teste do tempo, e convém deixá-las apenas como memórias de um tempo distante, mas saudos o, tal como é o caso que aqui temos. Que ao tentar replicar alguma da essência dos jogos de plataforma 3D da era da Dreamcast e Playstation 2, falha em grande medida em adaptar a experiência à atualidade.

Distribuído pela Square Enix, e produzido em conjunto com a Arzest, Balan Wonderworld é um projecto da autoria de Yuji Naka, também conhecido por ter trabalho em franquias como Sonic The Hedgehog, disponível para todas as consolas da atual e anterior geração, incluindo ainda versões para PC e Nintendo Switch, sendo esta última o foco de análise principal aqui. Como referi, Balan Wonderworld tenta trazer à tona um género e estilo de jogo que pouco espaço tem no mercado atual, daí que a proposta criada por Yuji Naka seja bastante tentadora, aos olhos de um público nostálgico de outras eras.

Contudo na prática, o resultado fica muito longe de ser algo estável. E isso reflete-se, por exemplo, na performance do jogo, são constantes as quedas de fps, mesmo até quando o jogador não executa qualquer tipo de ação. O que para os padrões atuais é algo altamente indesejável, não permitindo aproveitar a experiência, da forma como esta foi entendida. Ainda neste aspecto técnico, devo dizer que a cutscene inicial, que dá mote à história, eleva um pouco as expectativas do que estará por vir, deixa-nos interessados em saber mais sobre aquele mundo e acima de tudo em querer estar lá. Mas quando, efetivamente, tudo se desenrola, muito pouco é feito durante o gameplay para enfatizar o palco que Balan Wonderworld constroí.

A história que referi, não podia ser o mais simples: Escolhemos o género da nossa personagem e embarcamos diretamente para o mundo fantástico que dá nome ao jogo, que parece ser tirado diretamente de uma sequela não oficial de Nights Into Dreams, por parte de um ser chamado Balan. Cabe-nos a nós completar uma série de desafios, divididos por capítulos, nos quais teremos de colecionar todo o tipo de coisas, incluindo Balan Statues, que nos dão acesso a mais níveis. O foco, para além da vertente de plataformas, reside na utilização de uma panóplia gigantesca de fatos, oitenta no total, para nos ajudar a resolver os puzzles que vamos encontrando.

Na teoria esta mecânica tinha tudo para dar certo, levando em conta que diversidade de jogabilidade é sempre bem-vinda. Mas a verdade é que esta funcionalidade ficou muito aquém do prometido, estando bastante mal implementada e nivelada. De facto, os oitenta fatos estão todos aqui, a questão é que a forma como estes são introduzidos acaba por anular, escolhas feitas anteriormente. Exemplificando: num dado puzzle necessito de um fato que me ajuda atravessar um mar de lava, dando a possibilidade de transformar o caminho em pequenas saliências de gelo, contudo, mais para a frente, dão-nos um fato que anula o que foi feito antes, em que nos permite simplesmente andar sobre a lava.

Ora, este tipo de situação descrita, é muito recorrente. Pois grande parte dos fatos, leia-se power-ups, são verdadeiramente inúteis, aliado a uma gameplay já fraca. Uma vez que a nossa personagem, além de andar nas direções habituais de três dimensões, apenas pode executar uma única ação, associada sempre a um dado power-up. Portanto no total, apenas utilizamos um único botão durante toda a gameplay, excluindo, como referi o analógico de movimento. Parece quase que a equipa de desenvolvimento estava apenas interessada em ter os oitenta fatos, e não em descobrir formas criativas de os colocar, adequadamente, na jogabilidade.

Aliado à fraca jogabilidade, encontra-se também um reduzido nível de dificuldade e de pouca criatividade nos mais diversos puzzles. Não que seja necessariamente, algo mau se levarmos em conta o público-alvo, contudo, até mesmo para este espectro de jogadores muito pouco é feito para tornar a jornada em Balan Wonderworld, recompensante e, sobretudo, cativante. Estão ainda presentes pequenas secções de quick-time-events (QTE), chamados de Balan’s Bout Challenges, que nada acrescentam à experiência, servindo apenas como mini-jogos triviais, ficando longe do tipo de QTE que aparecem em títulos como Bayonetta.

Embora a cutscene inicial dê uma ideia do mundo que estaria por vir, visualmente deixa muito a desejar, ficando a milhas de distância daquilo que se esperaria de um lançamento triple A para atual geração de consolas. Apesar de um design potencialmente atrativo, a animação e o movimento das personagens fazem sobressair a débil apresentação, e consequentemente, o desenvolvimento escasso e incompleto. Por fim, a banda sonora é também bastante genérica, com faixas que esperariamos de um jogo de plataformas 3D.

Com bastantes expectativas em cima, Balan Wonderworld entregue uma experiência muito distante do esperado, e ainda mais longe do que se entende como um bom jogo na atualidade. Para todos efeitos, há que reconhecer algum potencial aqui, ainda assim falha redondamente em aproveitar o sistema e as mecânicas de jogabilidade que apresenta, além da péssima qualidade gráfica e técnica patente. Talvez com mais tempo de desenvolvimento e maior cuidado e rigor, estaria aqui a falar de um jogo completamente diferente, no entanto, avaliando o que aqui temos, é impossível recomendá-lo, muito menos com desconto, quanto mais a preço de lançamento.

Positivo:

  • Mundo apelativo;
  • Bastante variedade de power-ups...

Negativo:

  • …mas mal executados, e até desperdiçados;
  • Performance instável, tornando a experiência quase injogável;
  • Não faz jus aos jogos de plataformas de outrora;
  • Visuais ultrapassados;
  • Jogabilidade e controlos;
  • Certas escolhas de level design;
  • Não é de todo um jogo triple A;
  • Desenvolvimento apressado com vários problemas ao nível técnico;

João Luzio
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