Análise – Atomic Heart

O estúdio Mundfish estreia-se com um jogo que deixou muitos jogadores a salivar para este ano de 2023. À primeira vista Atomic Heart é um jogo que tira notas importantes de grandes clássicos como BioShock Infinite mas que acaba por se mostrar bastante distinto e os paralelismos nem são assim tão salientes.

Atomic Heart decorre no ano de 1955 numa história alternativa onde a União Soviética teve uma imensa evolução tecnológica e isso transparece no mundo envolvente. O mundo distópico e alternativo é bastante semelhante ao que podemos ver em jogos como BioShock, onde toda a magnificência composta por robôs, inteligência artificial e até telecomunicações dão a entender que tudo é perfeito, algo que é gradualmente desmistificado com o decorrer do jogo.

O combate é Atomic Heart é bastante peculiar e digo isto devido à conjugação entre a dificuldade e a capacidade de nos movimentarmos rápido para poder evitar os golpes. Neste jogo até os simples inimigos causam um dano imenso e como seria de esperar toda a situação piora sempre que o número de atacantes aumenta. Felizmente o jogo oferece-nos métodos para podemos ripostar com alguma elegância, seja com desvios rápidos para as laterais como também pelo uso das habilidades acima descritas para os atrasarem. Gostei do sentimento de pressão que toda esta dinâmica traz e que dá uma certa distinção ao jogo.

Nem tudo são boas notícias com a jogabilidade de Atomic Heart, isto porque existem momentos de maior pressão que começamos a reparar em algumas falhas na mesma. Não achei que o combate com o machado estivesse de todo aprimorado e esta situação era mais gritante em combates com bosses e onde a pressão para acertar os golpes é bem maior.

Temos em mãos um misto de zonas um pouco mais fechados e lineares e algumas missões ao estilo mundo aberto. Estas zonas mais fechadas trazem muita da acção que nos dão maior gozo, havendo grandes combates, puzzles para resolver e bastante exploração. Na realidade oferece uma experiência mais focada e que nos mantêm agarrados. Já a vertente em mundo aberto deixou um pouco a desejar e tornaram-se mais aborrecidas do que seria suposto.

Existe algo nos diálogos de P3 que complementam todo a vertente irônica da temática de Atomic Heart, mas que na realidade sempre me custaram a digerir. Todo este sentimento de grandiosidade e exagero são acompanhados por falas do protagonista que inicialmente parecem hilariantes mas que com o passar do tempo tornam-se algo irritantes. O vocabulário pesado é algo que não me incomoda de todo, mas as frases, interações e atitudes tornam-se cansativas com o passar do tempo.

Artisticamente este jogo está muito bem trabalhado. Atomic Heart é um jogo muito agradável de se vislumbrar graças aos detalhes do universo inserido seja com metais brilhantes, arquitetura no geral, complexidade e estranheza da anatomia dos inimigos. Todos estes elementos cruzam-se para oferecer uma apresentação visual grandiosa e apelativa para os nossos olhos.

Atomic Heart é um projecto interessante no sentido em que tão depressa consegue irritar-nos como deixar-nos deslumbrados. Talvez a minha tolerância seja reduzida, mas o sistema de diálogos e as missões em mundo aberto deixam um pouco a desejar. Se conseguirem ultrapassar as situações acima descritas, então vão encontrar um bom jogo que irão desfrutar.

Um título muito esperado que a meu ver ficou uns furos abaixo do que se esperava mas que nem de perto se pode ser considerado um falhanço. Um shooter divertido que irá chamar à atenção dos fãs de séries como BioShock.

Positivo:

  • Apresentação e estética excelente
  • Combates contra inimigos e bosses muito intensos
  • Puzzles bem concebidos
  • Jogabilidade frenética

Negativo:

  • Falas do protagonista
  • Vertente com mundo aberto bastante aborrecida
  • Narrativa passa um pouco despercebida
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