Análise – Army Of The Dead

Zack Snyder foi um director, que nos últimos tempos tem ficado conhecido por estar envolvido em filmes de super-heróis da DC Comics, tais como Man Of Steel (2011) ou Justice League (2021). No entanto, se olharmos no passado, a sua estreia no mundo do cinema foi marcada por Dawn Of The Dead (2004).  Assim com esta nova estreia em 2021, Snyder marca o regresso às origens. Army Of The Dead mistura dois géneros distintos e cruza-os para contar uma experiência própria. Por um lado, temos uma cidade infestada por zombies, mais especificamente Las Vegas, de outro lado, temos um grupo de mercenários altamente treinados, dispostos a roubar em grandes quantidades, um casino, no meio de um apocalipse zombie.

Esta premissa acaba por ser o grande chamariz do filme, aliado à presença de Dave Bautista, que com o seu afastamento progressivo do mundo do wrestling, tem vindo a ganhar mais destaque no mundo do cinema. No entanto, o resultado está longe de ser o melhor, visto que, apesar do esforço em trazer algo de novo para o género estagnado de filmes de zombies, tudo o resto acaba por ser mais do mesmo, sem grande destaque. Confesso que já ia com algumas expectativas, visto se tratar de Zack Snyder e me ter interessado pela premissa, mesmo assim, por mais que tente encontrar algo de forte aqui, é difícil, mas vamos aos detalhes.

O filme inicia-se com uma cena, em formato de prólogo, bastante consistente e apelativa. Acompanhada por um novo arranjo da clássica música “Viva Las Vegas“, Army Of The Dead consegue, em poucos minutos, sintetizar todo universo nesta sequência. O que acaba por sair em sua desvantagem, levando em conta, que o resto da experiência não faz jus a este início épico, não conseguindo a direção do filme se equilibrar, isto é, se quer tomar uma abordagem mais cómica e satírica, como por exemplo, Zombieland (2009), ou mais séria e densa, como REC (2008). Esta dicotomia, entre um tom dramático e um leve, faz com que, no geral, Army Of The Dead seja um filme bastante inconsistente.

Seja como for, a narrativa foca-se, principalmente, em Scott Ward (Dave Bautista), que após um acidente rodoviário provocar o alastramento de um vírus zombie altamente contagioso, tomando de assalto a cidade que nunca dorme, (ficando esta em quarentena) é convidado a juntar-se num golpe para roubar 200 milhões de dólares de um casino. Ora, levando em conta o estado miserável de Las Vegas, o governo decide, em forma de ultimato, lançar uma bombardeio aéreo nesta cidade.

Com o tempo limitado, até o bombardeio ocorrer, Ward acompanhado de dois antigos companheiros, Maria Cruz (Ana De La Reguera) e Vanderohe (Omari Hardwick), juntamente com Marianne Peters (Tig Notaro), piloto de helicóptero, Ludwih Dieter (Matthias Schweighofer), especialista em arrombar cofres, e Mikey Guzman (Raúl Castillo), atirador furtivo, decidem aceitar a missão suicida. Como se pode ver pela pequena descrição de cada uma, praticamente todas as personagens do filme acabam por cair nos já tão banais rótulos narrativos, tanto associados a filmes “heist” e de ligados a zombie’s.

Apesar da maioria do elenco ser competente, quem mais se destaca é mesmo Dave Bautista, por ser a cara mais reconhecível, mas na prática, não pelos melhores motivos. Ainda que Snyder tenha confiança e acredite na competência neste ator, Bautista está longe de conseguir interpretar um papel que envolva uma carga dramática sólida, como aqui é exigida. Claro, que nos momentos de maior ação, o antigo lutador de wrestling está mais que há vontade, sente-se em casa, contudo, quando a história abranda, para dar lugar ao desenvolvimento individual das personagens, o protagonista nas mãos de Bautista é quem mais sofre com isso.

Acresce a isto, uma narrativa paralela, que envolve a filha do herói, Kate (Ella Purnell), mas deixando esta a desejar por muito mais, pois toca em quase todos os típicos clichés que envolvem histórias de relação pai-filha. Aliás, esta falha é mais ampla, pois sendo franco, vários elementos caem nas várias temáticas e estereótipos, que outros tantos filmes do género, apresentaram ao longo das últimas duas décadas, sem acrescentar nenhuma camada extra, que justifique a sua presença. Acaba por ser algo um tanto redundante, até mesmo para os moldes de direção de Zack Snyder, que gosta sempre de subverter com algum ingrediente da fórmula cinematográfica, mas aqui não aconteceu, infelizmente.

Indo ao encontro das particularidades técnicas, e sendo este um filme de Snyder, obviamente, que os efeitos especiais se encontram apropriados, refletindo-se no aspecto visceral, daquilo que podíamos esperar da destruição caótica deixada por um apocalipse zombie. Somando pontos, com o trabalho relacionado aos elementos visuais, que fazem os zombies de Snyder, ter um tom particular, indo além disto, pois as “regras” do tipo de criaturas que encontramos nesta Las Vegas distópica, fogem um pouco ao habitual. Sendo alguns destes últimos, criaturas dotadas de inteligência, denominados de Alphas, o que acaba por dar um pouco de individualidade, a uma horda vasta de monstros aparentemente iguais e uniformes.

As cenas de ação estão muito bem coreografadas, diga-se de passagem, contudo, creio que a sua frequência podia ter tido maior presença, levando em consideração a extensa longevidade, desnecessária a meu ver, do filme, com mais de duas horas e meia de duração. O que até para o público-alvo, que pretende alcançar, é uma decisão um tanto desajustada. Seja como for, no geral em termos técnicos, a direção não falha, e eleva um pouco mais a fasquia, erradamente associada, ao padrão de qualidade, dito reduzido, de produções criadas exclusivamente para o meio televisivo e/ou streaming, como este caso aqui.

At the end of the day, Army Of The Dead é um filme bastante mediano, mas que claramente, irá agradar a um público mainstream mais flexível, tal como foi com o caso de Extraction (2020). Para quem, como eu, já viu vários filmes e/ou séries relacionadas e não só, com a temática de apocalipse zombie, quer sérios ou com humor, diria que Army Of The Dead, está de longe de ser a melhor recomendação, mas também um tanto longe de ser a pior delas. Portanto, caso tenham Netflix e queiram apenas relaxar e se entreter por umas horas, não têm nada a perder (nem a ganhar) com este regresso às origens de Zack Snyder.

Positivo:

  • Prólogo marcante;
  • Premissa interessante;
  • Efeitos especiais;
  • Cenas de ação bem trabalhadas e coreografadas;
  • Tentativa de misturar dois géneros distintos…

Negativo:

  • …mas caí em vários dos típicos clichés do género;
  • Personagens estereotipadas;
  • Pouco desenvolvimento repartido entre personagens;
  • Tempo de longevidade sem necessidade;
  • Tom do filme disperso e pouco consistente;
  • Dave Bautista podia ter sido melhor aproveitado;
  • Desfecho;

João Luzio
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