Análise – Ape Out

Depois de muito ouvir falar sobre a célebre Devolver Digital, decidi dar uma chance a um dos seus títulos. E nada melhor do que começar com Ape Out, que no fundo é uma tentativa de replicar uma hipótetica origem de um dos filmes do Planet Of The Apes. Assim este jogo de beat’em up, colocamos no controlo de um gorilla, a partir de uma perspectiva top-down (de cima para baixo), cuja missão principal consiste em escaparmos vivos das determinadas situações que este título nos coloca.

A narrativa que envolve Ape Out é o mais directa ao ponto possível, uma vez que, o seu grande trunfo prende-se com o gameplay. O gorilla que controlamos é destacado com a cor laranja, e para além disto, tem uma vontade enorme de querer escapar das zonas onde se encontra preso, e é praticamente tudo o que sabe acerca deste protagonista. A partir desse instante, libertamo-nos da jaula e teremos de sobreviver aos inúmeros obstáculos que se encontram no nosso caminho ao final de cada secção de um nível.

Aqui, podemos atacar frontalmente os inimigos, que geralmente têm armas de fogo ao seu dispor, contra a parede, ou podemos ainda agarra-los fazendo-os como escudos humanos, que nos protegem dos projéteis dos outros atiradores, ao mesmo tempo que servem como arremesso contra estes últimos. Apesar de na teoria ser relativamente simples, é na aplicabilidade destes movimentos nas diversas situações que o jogo nos coloca, que a diversão reside.

Podemos estar rodeados num corredor, repleto de guardas à nossa espera, como podemos ter de sobreviver numa floresta, em que diversos inimigos têm lança-chamas à sua disposição. O que não falta é variedade, em Ape Out, ao longo das diferentes zonas, que incluem uma prisão de alta segurança, um arranha-céus, uma floresta tropical, até a um barco de mercadorias. Por outro lado, toda esta diversidade sabe a muito pouco, levando em conta a curta longevidade de Ape Out.

Para acompanhar o rasto de sangue e destruição que vamos deixando no caminho, a Devolver Digital construiu uma banda sonora, a partir de um algoritmo aleatório. Isto é, para cada vez que forem jogar Ape Out, a banda sonora pode variar completamente, o sistema apenas irá ter em conta a adrenalina e ação do que está a acontecer no gameplay e a zona onde nos encontramos, porque tudo o resto é aleatório. Vale ressalvar, que estas faixas foram desenvolvidas tendo em mente várias variações de músicas de Jazz.

Tendo o factor diversão em mente, a produtora acabou por criar um estilo de arte minimalista para Ape Out. E como referi anteriormente, a única coisa com uma cor forte e viva durante a gameplay, é o próprio protagonista, porque tudo o resto acaba por ser reciclado de níveis anteriores, seja o aspecto de determinados inimigos, até aos objetos encontrados. O que em certas zonas, acaba por parecer que estamos a percorrer as mesmas localizações vezes e vezes sem conta, tal como acontece na parte que diz respeito à prisão de alta segurança.

Em suma, Ape Out é um jogo minimalista, cujo foco recaí, sobretudo, na diversão do jogador, o qual foi um aspecto crucial para ter gostado da minha experiência com este título da Devolver Digital. Apesar de ser curto e em determinadas partes se tornar um pouco repetitivo, tendo em conta as limitações das nossas ações, Ape Out consegue de ser uma experiência cativante e positiva. Há ainda muito potencial para futuras continuações, que podem acrescentar na estrutura deste título, com mais níveis variados, e outras funcionalidades no gameplay, para tornar esta experiência a mais definitiva possível.

Positivo:

  • Acessível e directo ao ponto;
  • Gameplay sólido;
  • Potencial para futuras continuações;
  • Experiência simples e divertida;
  • Situações caóticas em que nos coloca…

Negativo:

  • …contudo a sua longevidade poderia ter sido estendida;
  • Torna-se repetitivo em determinadas zonas;
  • Estilo visual, por vezes, demasiado minimalista.

João Luzio
Share

You may also like...

error

Sigam-nos para todas as novidades!

YouTube
Instagram