Análise – Anima: Gate of Memories

Mesmo que alguns projectos de Kickstarter sejam cancelados, outros acabam por chegar mais tarde ou mais cedo, mesmo que para tal, tenham de chegar bem mais tarde do que o prometido.

Este é o caso de Anima: Gate of Memories, um jogo de RPG e acção baseado num jogo de tabuleiro. Durante a sua campanha, Anima: Gate of Memories ganhou vários apoiantes e conseguiu ver a luz do dia. No entanto, este é um jogo com uma missão ingrata, pois é mais ambicioso do que devia para conseguir conquistar mais do que os fãs já estabelecidos.

A história é algo estranha e confusa, com um bom número de personagens que vão sendo introduzidos em enxurrada logo ao início. Agumas são mais interessantes que outras e existem duas ou três das quais fiquei grande fã, mas na sua maioria, são todos bastante básicos, ou como se diz, o standard deste estilo de RPG.

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No centro do jogo e da jogabilidade estão os dois personagens principais, The Bearer, uma rapariga com um grande poder e Ergo, uma entidade devastadora que foi presa num livro, servindo como aliado à força da rapariga. Durante o jogo, é possível alterar entre os dois para aceder a dois estilos diferentes de acções, no entanto, tirando o facto de terem vidas distintas e de só poderem atacar certos inimigos em específico, estas são muito iguais.

Por isso mesmo, preparem-se para um mundo dividido entre dois sistemas, plataformas e combates em tempo real com combos. No geral, estes dois sistemas funcionam de forma competente, mas não tão precisos e práticos como podiam ser, especialmente no que toca a plataformas, pois a sua imprecisão prejudica em zonas onde temos plataformas móveis, criando momentos de grande frustração.

O combate começa por parecer bastante prático e recompensador, mas não o chega a ser. Além de uma quantidade limitada de ataques e combos, a maior parte das vezes, mais vale encher os inimigos de projecteis do que lutar corpo a corpo. Isto cria momentos entediantes onde se gasta mais de cinco minutos a mandar ataques à distância contra algo com imensa vida, o qual nos pode matar em dois golpes se se aproximar.

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O sistema de evolução de personagens e equipamento está bastante bem feito, com inúmeras armas e evolução para as duas personagens. Só é uma pena que o menu seja tão confuso de navegar e vá sempre para o mapa, que nos obriga a cancelar para poder navegar pelo resto dos menus.

Curiosamente, Anima: Gate of Memories foi construído numa espécie de mundo aberto, que acaba por ser mais uma colecção de zonas interligadas. Isto tem os seus pontos positivos e negativos, pois se por um lado temos a sensação de que este é um mundo vasto, também temos zonas quase vazias e sem grande interesse, polvilhadas por encontros com inimigos que por vezes são mais chatos que desafiantes.

Depois temos uma mistura entre um conceito e visual interessante, com gráficos e design que parecem saídos da era da PS2. O detalhe e cenários não são nada de especial, mesmo nas personagens principais. Os mundos parecem vazios e salvo algumas excepções, não chegam a ser interessantes o suficiente. As personagens estão estáticas nos diálogos e nem abrem a boca para falar.

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Já que falamos nas vozes, estas são bastante medianas. As duas personagens principais acabam por ter os seus momentos em certos diálogos, mas no geral, parece que foi quase tudo gravado por amadores. Curiosamente, as vozes que mais se destacam são as distorcidas, que surgem normalmente nas entidades não humanas mais interessantes do jogo. Por seu lado, a banda sonora é um dos pontos altos do jogo, a qual encaixa bem na maioria dos cenários.

Como já devem ter percebido, Anima: Gate of Memories é um jogo que me deixou desapontado, e a coisa só fica pior, porque é claro que existem aqui boas ideias e o conceito tinha pernas para chegar bem mais longe. Como está, parece um jogo que se perdeu no tempo e que demonstra que o orçamento não permitiu ir bem mais longe.

Anima: Gate of Memories é um jogo que funciona e até gostei de alguns dos seus elementos, no entanto é bastante banal e pouco profundo, nunca indo além de um protótipo de um jogo que podia ser bem melhor.

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Positivo:

  • Arte
  • Banda sonora
  • Boas ideias…

Negativo:

  • …que são mal aproveitadas
  • Visual da era 128 bits
  • Jogabilidade limitada
  • Sequências imprecisas de plataformas
  • Vozes amadoras

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