Análise – Alien Isolation

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Como disse Franklin D. Roosevelt há uma data de anos atrás, “A única coisa que temos de ter medo, é do próprio medo, uma lição mais que valiosa em muitos casos e que encaixa em Alien Isolation tal como uma luva.

Todas as memórias que tenho de Alien são de quando eu era mais novo. De como os filmes me assustavam até dada altura. Como a tecnologia usada neles agora parece mais que ultrapassada e como o jogo Alien Trilogy, que joguei na Sega Saturn era mesmo divertido, embora também tivesse medo dele ao início.

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Com Alien Isolation a coisa é bem diferente, estou mais velho, mas continuo a não ser fã de jogos ou filmes de terror, isto porque além de serem terem tornado previsíveis, são pesados porque sim e prefiro diversão a estar à espera de um susto. Então o que há aqui de especial? O facto de ser um jogo de terror diferente.

Alien Isolation coloca a luz da ribalta numa mulher de armas, Amanda Ripley, nada mais nada menos que a filha de Ellen Ripley, interpretada nos filmes por Sigourney Weaver. Amanda é uma responsável técnica que por obra do destino, terá de se ver em trabalhos com um Xenomorph, ou seja, um Alien que surge na estação espacial de Sevastapol, onde uma empresa anda a construir androides e onde Amanda espera encontrar uma pista que ajude a explicar o desparecimento da mãe.

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Os primeiros momentos foram feitos claramente a pensar na construção da história, personagens e ambiente, que levam até ao momento em que o Alien surge e Amanda tem de lutar pela vida.

Ao contrário de outros jogos de Alien, aqui só existe um e este é uma ameaça sempre presente que não morre por mais que lhe despejem coisas em cima. Basicamente, Alien Isolation é jogado na primeira pessoa, mas na maioria do tempo não é mais do que o jogo do gato e do rato. Precisam de se esconder debaixo de mesas, em esquinas, em cacifos e assim e rezar para que o Alien não vos sinta ou veja. Qualquer som ou luz é sinal de morte imediata e implacável.

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Isto cria grandes momentos de suspense e tensão, especialmente porque o Alien utiliza padrões aleatórios de movimentos. Tão depressa pode ir embora, como pode ficar quase cinco minutos a patrulhar a vossa sala, o que é empolgante por um lado mas aborrecido por outro, afinal, muitas das primeiras horas de jogo são gastas a olhar para o Alien pelos buracos de um cacifo ou por uma esquina.

Felizmente é possível controlar os movimentos do bicho com a utilização de um radar. Este é o nosso melhor amigo, pois encontrar o Alien é frequente e por vezes existem puzzles para resolver que demoram mais tempo, como tal, assim aumenta a estratégia.

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Tal como disse no início, Alien Isolation não é um jogo dos mais assustadores que vi, pois na realidade, é bem mais ameaçador quando o Alien não está à vista do que quando está ou o que mata pelo caminho. São os sons que faz ao andar pelas condutas e os passos que levantam a nossa atenção, por isso, este jogo é bem mais divertido quando o Xenomorph não está à vista, do que quando aparece e temos de esperar que vá embora, isto muito por culpa das armas que temos serem inúteis contra ele. No máximo conseguem assutá-lo com as armas que produzem fogo e funciona apenas por breves momentos.

Para que servem todas as armas então? Porque existe uma linha de androides que são umas melgas. Curiosamente, a meio do jogo, o Alien tem de ir à vida dele e a história resolve afastar a besta, dando-nos vagas de androides para abater, e se estes já são chatos no início por nos tentar matar por causa das suas tretas de protocolos de segurança e afins, a partir deste momento, Alien Isolation deixa de o ser, pois mais parece um FPS com pessoas sem emoções que andam atrás de vocês a passo de caracol. É verdade que dá um pouco mais de emoção à coisa, mas a ausência do Alien é sentida demasiado nestes momentos, o que até me fez desejar a voltar aos cacifos de certa forma.

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A mudança por esta altura também tem um impacto estranho, pois Amanda passa quase de presa para predador e se um ataque do Alien a matava, de um momento para o outro consegue resistir muito mais do que dava a entender nas primeiras horas de jogo. Os androides agarram e batem com força, mas a vida parece bem mais avantajada nestes momentos.

Depois de tudo isto, o que começa a pesar é a forma como a história se arrasta. Vão ter de passar muitas vezes pelos mesmos sítios para fazer coisas que parecem estar lá apenas para aumentar a longevidade. Tudo bem, longevidade é bom, mas em vez de esticar esta campanha, que tal terem incluído o DLC da história de Ellen Ripley como conteúdo extra? Era uma boa forma de compensar. Dito isto, a campanha consegue acabar-se em pouco mais de 14 a 15 horas.

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Além da campanha, existe ainda um modo extra que funciona como um time trial onde tentam fazer o melhor tempo em determinada missão para competir em tabelas de ranking mundiais. Este modo é muito bem-vindo e como existe a questão do tempo, consegue dar ainda mais pressão ao jogo do gato e do rato. Só é pena que seja tão curto. Que tal menos uma hora de campanha e mais missões para este modo Creative Assembly?

Algo que adoro em Alien Isolation é o visual e ambiente do jogo. Foi feito um trabalho excepcional para captar todo o estilo retro-futurista dos filmes originais, com os CRT e ecrãs verdes que se imaginavam na época. Além disso, o ambiente opressivo está bem conseguido, especialmente devido aos gases e fumo que surgem em alguns cenários e zonas com pouca iluminação. O efeito de desfocamento quando usamos o radar também é bom e serve bem o propósito. Alguns cenários acabam por parecer algo despidos de conteúdo, mas no geral, a Sevastopol é um local digno de um filme de ficção científica. Estranhamente, as cinemáticas são vitimas de fluidez, quando o jogo corre tão bem.

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Quanto à sonoplastia, esta também apresenta argumentos bastante fortes. A música é arrepiante e todos os sons conseguem fazer saltar, isto porque foram montados de forma inteligente e bem escolhida para cada momento, especialmente nos segmentos em que o Alien anda a passear nas redondezas. Quanto aos actores, estes fizeram um bom trabalho e são credíveis nos seus papeis no geral.

Apesar do meu tom parecer bastante negativo, sou da opinião que Alien Isolation é um bom jogo, que merece ser jogado por quem gosta da saga Alien e fãs de jogos de terror no geral. É um jogo que peca por querer ter um pouco de tudo, em vez de se focar no essencial, o que cria momentos mais aborrecidos ou fora de contexto. Uma coisa é certa, é muito melhor que Aliens Colonial Marines e esteve por pouco para levar um Muito Bom.

Positivo:

  • Ambiente tenebroso
  • Comportamento aleatório do Alien
  • Tratamento sonoro
  • Boa recriação do universo retro-futurista dos filmes

Negativo:

  • Muitos momentos de escondidas demasiado longos
  • Mudança de tema demasiado descontextualizada
  • Arrasta-se por mais horas do que devia
  • Survival era óptimo se não fosse tão curto

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