Análise – A Plague Tale: Requiem

A série A Plague Tale recebe agora um novo jogo que promete continua a história iniciada em A Plague Tale: Innocence de 2019. Requiem é essa continuação que voltará a trazer-nos uma história bastante deprimente mas com uma grande dose de humanidade e amor familiar para compensar.

Em A Plague Tale: Requiem vamos conhecer a história de Amicia e do seu irmão mais novo de nome Hugo numa era em que a Peste Negra assombra toda a França. Hugo é uma personagem bastante perturbada isto devido ao facto de ser o portador de uma condição chamada Prima Macula, estando ela dormente no corpo do jovem rapaz. Esta condição baseia-se numa doença que enfraquece o seu portador oferece mas oferece poderes que o favorecem nesta altura negra do país.

A ligação entre Amicia e Hugo é algo muito forte e sentimos isso desde as primeiras instâncias do jogo. Existe um extremo sentimento de proteção de Amicia para com o seu adorável irmão mais novo e isso irá transparecer nos momentos mais complicados onde o desespero irá tomar conta da personagem, levando-a quase a delirar em momentos de maior preocupação e isto tudo em prol da segurança do seu irmão mais novo. Já Hugo permanece grande parte do jogo quase como uma personagem dependente dos seus familiares e com bastante medo da sua própria condição.

Como todo o jogo decorre na antiga França e numa altura em que a Peste Negra estava a disseminar-se por toda a Europa, um sentimento de morte, sujidade e desespero sente-se por onde passamos. Enquanto fazem o máximo para sobreviver, as nossas personagens irão atravessar por situações muito complicadas e bastante gráficas que irão mostrar o lado devastador da Peste Negra.

Os ratos serão um dos nossos maiores inimigos neste jogo, movendo-se a uma velocidade estonteante e em números muito elevado, mas que têm uma fraqueza muito importante: luz. Sempre que são confrontados com a luz, os mesmos afastam-se e acabam por criar uma zona de segurança para os nossos protagonistas, sendo este um dos elementos importantes de todo o jogo. Soldados da Inquisição Francesa também fazem parte do leque de inimigos e que podem ser evitados ou mortos, sendo que a primeira opção foi minha preferida devido à rápida capacidade nos conseguirem matar.

O jogo irá puxar um pouco pelo nosso esforço mental não só para conseguirmos atravessar esta mistura de ratos e soldados mas também para resolver alguns dos puzzles que o jogo nos coloca à frente. No início vamos aprender a simplesmente evitar estas adversidades, mas com o passar dos capítulos e com situações mais complexas a aparecer vamos acabar por colocar estes dois elementos a combater entre si e criar situações hilariantes ou que nos põem a gritar: eureka!

Amicia está sempre equipada da sua fisga muito potente mas também irá usar outros ingredientes que nos permite distrair ou afastar os inimigos, como potes e até pedras. O jogo introduziu bastante bem um sistema de alquimia que irá permitir-nos não só criar fogo como também extingui-lo se assim o quisermos, entre outras opções. Situações que parecem simples de resolver agora estão com mais variedade e podem ser abordadas de várias maneiras graças a estas opções que nos irão dar.

Apesar de ser um jogo que se torna um pouco formulaico com o passar do tempo, o trabalho feito pela Asobo Studio consegue manter o jogador agarrado durante toda a história. De acordo com a nossa progressão iremos receber novos elementos, inimigos e situações diferentes para enfrentar que nos irão colocar à prova constantemente. Sempre que me sentia bastante confortável ou mais sereno dentro do jogo acabava por ser surpreendido por algo que começava a acontecer.

No que toca a apresentação, A Plague Tale: Requiem faz um excelente trabalho em conseguir oferecer uma representação bastante violenta do que era a França em 1498. Todos os cenários desde os ambientes florestais até às várias fortalezas estão bem detalhados e têm um certo charme bastante característico, mas é nos momentos mais negros que vemos o jogo a brilhar: corpos de cadáveres, doenças, lama o todo tipo de substâncias irão tirar-nos da mente o romantismo que possivelmente poderemos ter da era medieval, conseguindo trazer um misto de reações desde o total desconforto até à serenidade.

Toda a parte sonora foi também muito bem trabalhada por parte do estúdio que consegue trazer um pano de fundo auditivo que é composta por alguns instrumentos mais clássicos como o alaúde ou o realejo. As actuações de voz estão também muito boas e em específico na voz de Amicia que consegue transmitir os sentimentos que estão a atravessar a sua mente.

A Plague Tale: Requiem é um dos jogos mais fortes deste ano de 2022. O estúdio apostou num argumento forte e visceral em conjunto com uma jogabilidade simples mas que cria momentos de grande tensão, e isso resultou num jogo que faz juz ao sucesso de toda a série. É difícil jogar este novo capítulo e não ficar marcado com alguns dos momentos que ele nos oferece.

Um bom trabalho por parte da Asobo Studio! A Plague Tale: Requiem é um regalo do início ao fim, pode ser um pouco deprimente e até por vezes um pouco formulaico, mas não deixa de ser um grande jogo.

Positivo:

  • História muito boa
  • Apresentação não abranda na brutalidade como na beleza
  • Bastante variedade no combate
  • Sistema de alquimia oferece mais opções

Negativo:

  • Progressão um pouco formulaica
  • Jogabilidade um pouco rígida por vezes

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