PróximoNível: Jogos do Ano 2018 – As escolhas do Sérgio Batista

2018 pode não ter sido um ano espetacular para muitas pessoas, mas em termos de videojogos, eu diria que foi um dos melhores que já tivemos nos últimos anos – a não ser que sejam fãs de Metal Gear, Fallout e da Telltale Games.

Desta vez preparei a minha lista de jogos do ano a tempo e horas. Entre os vários candidatos, escolhi dar destaque a 10 jogos, com mais alguns nas menções honrosas. Esta lista é baseada nos títulos que experimentei ao longo dos últimos 12 meses. Não estejam à espera de ver Red Dead Redemption 2 ou Super Smash Bros. Ultimate aqui porque só os joguei por pouco tempo nos últimos 3 dias.

Sem mais demoras, aqui estão os meus jogos favoritos de 2018, em nenhuma ordem de preferência específica:

A Way Out (PC, PS4, Xbox One)

Lembram-se daquele maluco que disse “Fuck the Oscars!” nos The Game Awards do ano passado? Esse era o Josef Fares, diretor do jogo Brothers: A Tale of Two Sons, e em Março lançou o seu segundo jogo, criado pela Hazelight Studios.

A Way Out é um jogo de ação-aventura cinemático que só pode ser jogado com dois jogadores. Se quiserem jogar online, basta um dos jogadores ter uma cópia do jogo e o outro pode jogar gratuitamente, uma medida inteligente e ao mesmo tempo estranha se tivermos em conta que o jogo foi publicado pela Electronic Arts.

A história decorre quase constantemebte em splitscreen, quer estejam a jogar em local ou online, e o jogo faz algumas coisas engraçada com essa perspetiva. Os protagonistas Vincent e Leo passam por diferentes situações que criam bons momentos multiplayer, seja realizar várias etapas para escapar de uma prisão ou simplesmente jogar um contra o outro no 4 em linha.

É uma opção recomendada para os fãs de jogos cooperativos com mais ênfase na narrativa.


Celeste (PC, PS4, Xbox One, Switch)

Desde o início do ano que já tinha notado no elevado número de críticas positivas que Celeste (giroflé, giroflá) estava a receber. Só mesmo perto do fim de 2018 é que decidi dar uma chance ao jogo, e agora entendo bem porque teve uma recepção tão boa.

Celeste partilha alguns elementos com Super Meat Boy, um dos meus jogos favoritos de plataformas. Os controlos são simples de entender mas todos os níveis requerem perícia e precisão, e tal como em Meat Boy, vão morrer muitas, muitas vezes. Uma grande parte das minhas mortes foram causadas pelas minhas inúmeras tentativas de colecionar os vários morangos espalhados pelo jogo. São só coleccionáveis e não são obrigatórios de apanhar, mas quem é que vai recusar apanhar um lindo e saboroso morango?

Essa dificuldade funciona lado a lado com a narrativa, uma vez que não estamos só nós, o jogador, a tentar ultrapassar os vários obstáculo que nos surgem, mas também estamos a ajudar a nossa personagem Madeline que está a lidar com problemas de ansiedade e insegurança. Desta forma o jogo incentiva-nos a tentar e a tentar novamente até chegarmos ao topo da montanha.

Se quiserem desfrutar do que Celeste tem para oferecer mas têm dificuldade com jogos de plataformas mais exigentes, não tenham receio de utilizar o Assist Mode que permite modificar diferentes aspectos da jogabilidade para facilitar a vossa escalada. Eu não julgo.


Detective Pikachu (3DS)

Os títulos da série principal de Pokémon passaram a ser muito repetitivos para mim, daí prestar mais atenção aos spin-offs que oferecem mais variedade e conceitos fora do comum. Um jogo de aventura onde resolvem mistérios com a ajuda de um Pikachu falante que adora café é capaz de ser um dos conceitos mais fora do comum para um jogo de Pokémon.

Detective Pikachu coloca-nos no papel de Tim Goodman, um rapaz de 18 anos que está a investigar o desaparecimento do seu pai em Ryme City. Ele conta com a ajuda de um Pikachu que pertencia ao seu pai e que afirma ser um grande detective, para além de que só consegue falar com o Tim e mais ninguém. Ao longo da história, vão resolver puzzles, receber depoimentos de várias personagens, incluindo humanos e Pokémon, e interagir com o vosso parceiro Pikachu em diferentes situações.

Apesar do ser bastante fácil, continua a ser um jogo divertido que demonstra o mundo Pokémon de uma forma diferente do habitual. Se ainda têm a vossa 3DS e querem preparar-se mentalmente para o filme live-action de Pokémon, aqui têm uma boa maneira de o fazer.


Donut County (PC, PS4, Xbox One, Switch, iOS)

Já jogaram algum jogo da série Katamari onde um pequeno príncipe controla uma bola que fica maior à medida que apanham objetos pelo caminho? Agora imaginem que a bola é um buraco no chão e que o príncipe é um guaxinim gordo que controla o buraco através de uma app. Isso é mais ou menos Donut County.

Este pequeno jogo pode ser curto, mas as personagens, o estilo visual e a música estão recheados de charme. Gostei particularmente da relação entre Mira e BK cujo os diálogos demonstram uma amizade bastante credível, e as descrições rídiculas para cada objeto que caía no buraco deixavam-me sempre com um sorriso na cara.


Dragon Ball FighterZ (PC, PS4, Xbox One, Switch)

A combinação entre Dragon Ball e a Arc System Works resultou num jogo de luta que muitos fãs já estavam à espera há algum tempo. Mesmo que eu seja uma nódoa em jogos de luta, isso não me impediu de tentar a minha sorte no campo de batalha.

Sendo um fã mais casual de jogos de luta, diria que Dragon Ball FighterZ é bastante acessível, e assim que aprenderem o básico, vão estar a soltar combos e ataques especiais como um verdadeiro Super Guerreiro. Algo que ajuda a tornar os combates mais espetaculares de ver é sem dúvida a forte apresentação visual.

Eu passei mais tempo a jogar sozinho e entre amigos, e apesar do modo história ser um pouco chato, valeu a pena pelo fan-service e momentos engraçados entre as várias personagens da série.

Desde o lançamento, Dragon Ball FighterZ recebeu novas personagens DLC e várias atualizações, e está confirmado lançamento de uma edição deluxe para o Japão. Com alguma sorte, teremos essa edição por cá para quem ainda não chegou a experimentar um dos melhores jogos baseados em Dragon Ball dos últimos tempos.


Dragon Quest XI: Echoes of an Elusive Age (PC, PS4)

O segundo jogo desta lista com o nome a começar por “Dragon” e com personagens criadas por Akira Toriyama é um título de uma série que já não visitava desde os tempos da PS2. Sinto que não houve muitas pessoas a dar atenção ao jogo, o que é pena porque é certamente um dos melhores RPGs deste ano.

Se nunca jogaram um Dragon Quest antes, Dragon Quest XI é indicado para vocês. O jogo mantém a experiência tradicional RPG da série, com alguns elementos mais modernos; vão conhecer personagens interessantes e divertidas como Sylvando e Jade; e é o tipo de jogo que podem jogar aos poucos de forma relaxada antes de dormir.

Já passei mais de 80 horas em Dragon Quest XI e ainda faltam algumas coisas para fazer, por isso vou continuar a explorar o mundo de Erdrea em 2019.


Florence (Android, iOS)

Quando pensamos em jogos mobile, normalmente pensamos nos free-to-play, cheios de micro-transações, anúncios, e barras de energia. Florence não tem nada disso, e é um bom exemplo de que o mercado mobile tem títulos que valem a pena experimentar.

Florence é uma curta história interativa que demonstra a evolução da relação entre duas pessoas, praticamente sem diálogos. A forma como interagimos com o jogo e a apresentação audiovisual conseguem transmitir de forma eficaz todas as emoções que as personagens estão a sentir, tanto nos momentos bons e nos momentos maus.

Florence pode não ser indicado para todos, mas acredito que há pessoas que vão adorar.


God of War (PS4)

God of War é uma das minhas séries favoritas e fiquei muito satisfeito com este novo título na PS4. Ver um Kratos barbudo de machado nas mãos já é brutal, mas o jogo também impressiona em quase todos os aspetos.

Esta mudança para a mitologia nórdica ajudou a tornar God of War relevante novamente, trazendo várias novidades como os elementos RPG, a apresentação mais cinemática e um mundo maior para explorar, o que também permitiu introduz a série a novos jogadores.

Não é perfeito, mas é algo que pode ser melhorado numa futura sequela e mal posso esperar para ver o que a Santa Monica Studios tem reservado para a próxima aventura de Kratos e Atreus.


Marvel’s Spider-Man (PS4)

2018 está a ser um ano em grande para o Spider-Man. Depois de vários jogos com diferentes níveis de qualidade nos últimos anos, a Insomniac Games conseguiu possivelmente criar o melhor jogo baseado no super-herói da Marvel.

Apesar de incluir alguns dos sintomas chatos dos jogos em mundo aberto, continua a ser divertido controlar Spider-Man e simplesmente balançar entre os prédios e resolver crimes pela cidade. A história é satisfatória, existem dezenas de fatos para usarem a vossa versão favorita do Spider-Man, e claro, dispensei algum tempo no Photo Mode para tirar umas fotos catitas.


Tetris Effect (PS4, PS VR)

Desde o primeiro trailer de Tetris Effect que mal podia esperar para meter as minhas mãos no jogo. Tetris já existe há décadas e a fórmula continua a ser a mesma, mas os criadores de Rez e Lumines conseguiram cria uma das melhores versões de Tetris, senão mesmo a melhor.

Cada nível do Journey Mode oferece uma experiência única, com o visual e a música a evoluir à medida que jogamos, e existe vários modos diferentes se procuram algo mais relaxante ou desafiante. Ainda estou a tentar chegar ao nível 50 para desbloquear o nível baseado na versão Game Boy e espero ter a chance de experimentar o jogo em VR no próximo ano.


Menções honrosas

  • Deltarune – Uma espécie de sucessor espiritual/sequela/prequela/qualquer coisa de Undertale com novas personagens carismáticas e uma banda sonora cativante. E é completamente grátis.
  • Genital Jousting – Um jogo incrível que oferece uma história emocionante e um modo multiplayer divertido. Também envolve pénis flácidos com um anús.
  • Overcooked 2 – Tal como o título anterior, é uma experiência divertida/stressante com amigos, desta vez com multiplayer online incluído.
  • We Were Here Too – Mais um título cooperativo com um bom conceito, desta vez uma sequela de We Were Here onde dois jogadores estão separados e é essencial comunicarem um com o outro para resolverem puzzles.

Sérgio Batista

Membro do PróximoNível desde 2015. Tira fotos em demasia durante os eventos.

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