PróximoNível ao Domingo T2 – Artigo 16 por ShadowDust

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…. Hm? … Olá! Não vos tinha visto! Quer dizer, na verdade contínuo sem vos ver porque tudo o que está à minha frente é um monitor e um teclado. Mas vamos fazer de conta. Bem… Diz que é Domingo e já que estão no PróximoNível, fiquem com mais um PND.

Quando me inscrevi na lista de dadores desta rubrica semanal depressa passaram pela minha cabeça milhentas coisas sobre as quais eu gostaria de escrever e dar a conhecer à comunidade do site. Quem me conhece sabe que eu tenho demasiado tempo livre nas minhas mãos e muito desse tempo livre é passado a fazer as mais variadas coisas. E é então que surge a questão mais difícil deste texto: “Que tema é que vou escolher para falar esta semana? Cinema? Mas também quero falar de jogos… e música… e televisão… e anime.. e de literatura… Aaahhh! Não consigo decidir!”. E foi então decidi falar de todas. Sim, todas. Por isso preparem-se para ver uma quantidade extremamente exagerada de letras à vossa frente.

Para recordar (Cinema):
Sete Samurais (Shichinin no samurai)

E nesta altura vocês perguntam “Então, mas oh Shadow, tu vens para aqui falar de coisas do tempo do ZX Spectrum? Porque raio havias de fazer isso?”. E eu respondo. Não. Isto não é do tempo do ZX Spectrum, essa grandiosa máquina chegou 28 anos depois desta obra-prima da 7ª arte.

Neste filme de longa duração (207 min.) a premissa é relativamente simples e muitos de vocês até iram encontrar bastante “clichés” bastante habituais hoje em dia, sendo que neste é tudo preto e branco. Destaque para os papéis de Takashi Shimura e Toshirô Mifune, dois dos actores que mais participaram em obras do realizador.

Na verdade, podemos olhar para todos os filmes do realizador Akira Kurosawa, que encontraremos qualquer coisa que revolucionou a indústria cinematográfica não só asiática como também no lado ocidental do mundo. Poucos são os que conseguem fazer passar as suas obras através da barreira cultural que separa o ocidente do oriente, mas este Senhor (sim, com maiúscula) conseguiu com que praticamente todas elas influenciacem vários cineastas americanos e europeus e por conseguinte ajudaram a evoluir a indústria até ao que é hoje em dia. E muitas das suas obras foram “adaptadas” à realidade do Oeste global, como é o caso deste filme que foi “transformado” em The Magnificent Seven e animado em Uma Vida de Insecto, o caso de Yojimbo, o Invencível que teve na sua adaptação o título Por um Punhado de Dólares ou até The Hidden Fortress que inspirou uma das sagas mais conhecidas mundialmente A Guerra das Estrelas (Star Wars).

Outros filmes a ter em conta de Kurosawa: Ran, Kagemusha e Stray Dog.

“Movie directors, or should I say people who create things, are very greedy and they can never be satisfied… That’s why they can keep on working. I’ve been able to work for so long because I think next time, I’ll make something good.”

Akira Kurosawa

Para ver (Cinema):
Canino (Dog Tooth)

Quando há uns anos andava eu numa onda de ver cinema balcânico deparei-me com este filme. Canino, um filme grego de Giorgos Lanthimos, retrata a história de uma família que vive completamente isolada do resto do mundo por culpa de um pai… maníaco, vamos chamar-lhe isso.

Esta família vive confinada numa casa, pois os filhos pensam que estão presos num mundo horrível onde apenas a sua casa é o lugar seguro. Uma história de submissão dos pais que fazem de tudo para que os filhos não se aventurem a explorar o exterior, onde até inventam um irmão morto para os aterrorizar e mantê-los debaixo das suas asas protectores. Um mundo onde o gato é o animal mais temido. Não posso descrever o quanto bom é este filme, pois seria estragar todo o impacto que este filme terá numa primeira visualização, por isso fiquem com o trailer.

http://www.youtube.com/watch?v=QFtDzK64-pk

Para ouvir (Cinema):
Freddie’s Dead (Superfly)

Então? Já estão fartos e não me conseguem suportar? Pois, eu percebo-vos *sad face* É pena, ainda não estou sequer perto de acabar!

Para recordar (Televisão):
Black Adder

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Assim que foi instalada a TV Cabo em minha casa, como petiz que era, fui imediatamente pesquisar todos os canais que tinham agora desbloqueado na minha pequena televisão. No meio de toda uma nova panóplia de canais como o Canal Panda, Cartoon Network ou a MTV (Sim, sou velho ao ponto de ser da altura em que a MTV passava música), haviam outros canais agora defuntos como o SOL Música e o mítico SIC Gold, uma espécie de RTP Memória, mas com programas que passaram no estrangeiro antes do nascimento do canal privado e outra séries que haviam saído do alinhamento daquela altura do canal mãe.

Foi nessa altura, nesse mesmo SIC Gold, que passaram as primeiras re-runs de Dragon Ball assim que este saiu de emissão e era aí também que passava o mítico Cheers, Aquele Bar. Na slot temporal entre estes dois programas que eu seguia religiosamente dava uma comédia britânica chamada Blackadder.
Pois bem, antes de ser mundialmente famoso como a personagem Mr. Bean, Rowan Atkinson protagonizou esta sitcom de 4 temporadas que decorreram através de quatro períodos históricos diferentes:

  • The Black Adder, passado no final do século XV
  • Blackadder II, passado no reinado da Rainha Elizabeth I (sec XVI)
  • Blackadder the Third, passado no final do sec. XVIII e ínicio do XIX
  • Blackadder Goes Forth, passado durante a Primeira Guerra Mundial

Em todas as temporadas Rowan Atkinson interpreta o papel de Edmund Blackadder percorrendo vários membros da dinastia inglesa, sendo que o elenco conta com outros nomes de peso da comédia britânica como Stephen Fry, Tim McInnerny, Miranda Richardson ou Hugh Laurie.

Seguindo o tradicional humor britânico, Atkinson conseguiu mostrar todo o seu potencial neste programa tendo até conseguido cunhar a icónica frase “Bob” sempre que se referia a alguém desse nome.

Até hoje ainda não sei o que me fazia ficar preso na SIC Gold a ver uma série sobre figuras históricas, quando podia muito bem estar a ver Oliver e Benji no Canal Panda ou o Samurai Jack no Cartoon Network, mas a verdade é que sempre fiquei vidrado naquele programa, porque até ali Rowan Atkinson era o Mr. Bean e o resto não existia. Ele agora falava, mexia-se menos aparatosamente e, principalmente, fazia do discurso a maneira mais fácil de me fazer rir.

Para ver (Televisão):
Brooklyn 99

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Normalmente sou uma pessoa a quem é difícil de sugerir várias coisas nos meios de entretenimento pois sou eu quem costuma sugerir devido a, como referi anteriormente, ter demasiado tempo livre. No entanto tenho estado a ouvir muito buzz feed sobre Brooklyn 99, uma comédia “on local” da Fox. Depois de me informar melhor (e descobrir que tinha o Terry Crews no elenco) decidi dar uma chance à série, sendo que a pus em dia em apenas 2 dias.

Fiquei agarrado desde o inicio e posso sinceramente dizer que mereceu os dois Globos de Ouro que venceu. Esta série é uma espécie de The Office numa esquadra, só que sem os planos / pontos de vista pessoais da personagem.
Contando com alguns “rookies” como Stephanie Beatriz ou Melissa Fumero juntando aos já conhecidos Andrew Braugher (Thief), Andy Samberg (SNL e Lonely Island) ou Terry Crews (Old Spice), criou-se uma série que é capaz tem tudo para ter futuro como uma das mais cómicas da televisão internacional.

Para Jogar (Televisão):
Star Trek: Voyager – Elite Force

Sei no que devem estar a pensar “Jogos sobre televisão? Estás a trollar-nos! Nunca se faz jogos de adaptações bons! Deve ser uma porcaria”. Ao que eu respondo “Sim. Toda a regra tem uma excepção” e hoje trago-vos essa excepção. Chama-se Star Trek: Voyager – Elite Force e foi inspirado na quarta série da franquia Star Trek. Joguei isto apenas durante uma semana, mas foi provavelmente a semana mais confusa da minha carreira enquanto jogador. Um jogo sobre uma coisa que via na televisão que era bom. E não só era bom como era canon à história. E pela primeira vez fez-me ver que nem todos os jogos inspirados em coisas cinematográficas/televisivas precisam de ser maus.

Após uma semana a andar à procura de coisas das quais eu pudesse dizer mal, poucas foram as que encontrei e que conseguia mantê-las na minha cabeça tal foi o factor surpresa do jogo.

Desde a história, ao design passando pela jogabilidade, som e gráficos o jogo era claramente acima da média tendo como ponto alto as batalhas. Lembro-me que o jogo era curto, se calhar demasiado curto, mas raios! Prefiro aquele jogo curto a muito DVD/Blu-Ray de jogo reciclado que por aí anda. Joguei a versão PC e já ouvi dizer que a versão PS2 é bastante inferior, mas eu sinceramente não me podia estar a borrifar mais para isso. O jogo é bom e ainda hoje o mantenho num pedestal dos quais praticamente nunca o conseguiram tirar.

Havia também uma vertente multiplayer, ao estilo do seu primo afastado “GoldenEye”, mas nunca cheguei a aprofundar esse aspecto pois estava demasiado imerso naquela jogabilidade fantástica.

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Elah! Um terço do artigo já lá vai. Ainda não estão agarrados à almofada? Já? Damn it!

Para recordar (Anime):
Cowboy Bebop

Numa altura em que os episódios originais do anime que mais impacto teve na televisão ocidental – Dragon Ball ( e sequelas) – estavam a acabar, a audiência ficou expectante com o que é que iriam importar do Japão para preencher o vazio. Em Portugal tivemos o caso de Samurai X, Pokémon ou Digimon. Em outros países o escolhido foi Cowboy Bebop.

Emitido no Japão em 1998, Cowboy Bebop trazia o que muitos animes tentam e não conseguem. Fazer uma história que agrada a ocidente e oriente e trazendo um estilo de animação que não era bem cartoonesco nem um estilo típico de anime, mas antes uma simbiose perfeita das duas, Cowboy Bebop é ainda hoje uma das maiores séries de culto no que toca a animação. A história de Spike Spiegel, Jet Black ou Faye Valentine tinha tudo o que podíamos querer: noir, acção, explosões, artes marciais, tiroteios, naves espaciais, drama, personagens cativantes, mistério e tudo envolvido numa banda sonora altamente inspirada na época em que o Jazz e os Blues são reis e senhores, dando origem a possivelmente a uma das melhores opening (se não for a melhor) que a televisão se lembrou de emitir.

Depois de uma tentativa de emissão falhada, uma parte da equipa da Sunrise liderada por Shinichirō Watanabe (Samurai Champloo, Space Dandy) decidiu voltar a meter mãos à obra e assim produzir o que para muitos (incluindo eu) é a melhor série de animação alguma vez produzida. Depois deste anime, a equipa saiu dos estúdios da Sunrise e criou o que é hoje em dia conhecia como Bones Inc. produtora de algumas séries mais conhecidas como por exemplo: Fullmetal Alchemist (e também a versão Brotherhood), Soul Eater, Wolf’s Rain ou o meu anime preferido da actual temporada, Noragami.

Este estúdio produz e anima para várias empresas de videojogos e podem encontrar o trabalho deles, por exemplo, no mais recente Ace Attorney: Dual Destinies.

Para ver (Anime):
Sunday Without God (Kamisama no Inai Nichiyoubi)

Num futuro não tão distante quanto isso, Deus transmite à terra a seguinte mensagem “Ah e tal, de modos que…. Eu fiz mal as contas por isso agora o Céu está cheio…. Por isso não se conseguem morrer nem reproduzir. Kthnxbye”. What the hell? “PS: Ah e só podem morrer se forem enterrados por uma gravekeeper que eu vou criando à medida que… me apetece vá, parece-me uma boa previsão.” *tenta atirar-se de uma janela* *Não funciona* *Fica o efeito cómico*.
Depois de ler a premissa base e um pouco da sinopse pensei que ia encontrar um anime cheio de acção do género “Vamos vingar-nos e abrir as portas do céu à força e derrotar estes gravekeepers numa batalha épica”. No entanto o que apanhei foi um anime cheio de drama ao estilo de Angel Beats! e de Clannad. A minha previsão inicial não podia estar mais errada. Ainda bem.

Durante os 12 episódios (mais um special) seguimos Ai, uma pequena gravekeeper, que recebe da sua mãe (também ela uma gravekeeper) o dever de proteger e enterrar (apenas quando o corpo deles ceder! A senhora não tem desejos de homicidas seus malandros!) uma pequena aldeia com 47 habitantes. Após ter completado a tarefa de preparar as sepulturas, Ai chega à aldeia apenas para ver Hampnie Hambart, também conhecido como Man-Eating Toy, reduzir tudo o que ela conhecia a cinzas e todos os aldeões “despachados”. Isto podia ser tudo bastante porreiro, não fosse Hampnie Hambart o nome que a sua mãe revelou ser o nome do pai de Ai.

http://www.youtube.com/watch?v=dxGsSR8UOBs

Para ouvir (Anime):
5 cm Per Second

Desta feita não vos trago uma série mas sim um filme de onde vou destacar a banda sonora. 5 Cm per Second (não, não é um eufemismo para um título de um Hentai. Ai-ai no que já estavam vocês a pensar… Francamente…) é um filme carregado de imenso drama. E no meio de uma narrativa altamente pesada e emocional, toda a banda sonora encaixa-se como uma luva em todos os momentos que os protagonistas sofrem.

As 11 músicas que compõe a banda sonora original são instrumentais feitos com base de guia no piano e para não terem desculpas até arranjei uma playlist no youtube para poderem ouvir.

Para ler (Manga):
Kasane

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Kasane é um manga que tem estado a sair tendo 6 capítulos (até à data que este segmento foi escrito) já publicados. A história tem como base o conceito de beleza e de poder. As pessoas bonitas têm tudo à mão de semear mesmo que seja apenas uma ilusão. Antes da mãe de Kasane morrer, ela entrega-lhe um baton que tem o poder de tornar seu tudo o que Kasane beijar. No entanto, este poder só deve ser utilizado em tempos de extrema urgência. Será este um poder bom ou mau? Leiam e descobram.

Para jogar (Anime):
“Então oh Shadow. Lá em cima já nos mostraste um jogo baseado num programa televisivo que por acaso até era bom. Não me enganas agora quando dizes que há dois!”.
Digo sim senhor. E ainda vos digo mais não é jogo nenhum de Naruto! Ou One Piece! Ou Bleach! Ou Dragon Ball Budokai 3! Trata-se de…. *drum rolls*

……….

………..

Ghost in the Shell: Stand Alone Complex! Um jogo que visa fazer a ponte entre as duas sagas de Ghost in the Shell uma com o mesmo nome, outra com o subtítulo Stand Alone Complex 2nd GIG.

Ghost in the Shell: Stand Alone Complex traz-nos de volta ao mundo que nos foi apresentado no filme de 1995 e dá-nos um shooter bastante competente, para desvendar-mos um caso de nome T.A.R. Temos como personagens jogáveis a sempre sensual Motoko Kusanagi e o seu subordinado Batou, num jogo onde os visuais impressionam (ou impressionavam na altura) e o sentimento do Ghost in the Shell clássico estão sempre lá presentes. Existe também um modo multiplayer que simplesmente não funciona, mas também não é isso que vos vai fazer gostar menos deste jogo.

Oi! …Oi!! … OOOIII!! Acorda pah! Então? Ainda só vamos a meio! Já que te dedicaste a ler até aqui, podes ler o que falta… Quer dizer… Ao menos já sabes que podes utilizar isto como sonífero para as insónias. Viste! Já te fiz aprender uma coisa hoje! Já não sais daqui a dizer que leste um texto meu e foste embora de mãos a abanar. Quer dizer… sais, porque isto é tudo digital e contínuas com o mesmo número de posses do que quando começaste. Menos alguns neurónios se calhar, mas o que se há de fazer? Não! Era uma pergunta retórica! Clicar na cruz vermelha no canto superior direito não era uma opção -_-

Enfim, vamos despachar isto porque se não nunca mais é Sábado. Visto isto ser Domingo, Sábado não podia estar mais longe também *ba dum tss* Prossigamos!

Para recordar (Música):
Dire Straits

1977. O Rock and Roll está em alta. Nos EUA, Eagles lançam o single “Hotel California”. Na Alemanha, Boney M. lançam a música “Ms Baker”. Na Suécia, “Dancing Queen” dos ABBA torna-se numa das mais conhecidas músicas do grupo.

Portugal leva “Portugal no Coração” interpretada pelo grupo Os Amigos ao festival Eurovisão em Wembley. E em Deptford, Mark e David Knopfler juntam-se a John Illsley e a Pick Withers para formar os Dire Straits, uma das bandas mais marcantes dos anos 80. Mantiveram-se juntos até 1988 e mais tarde, em 1991, voltaram-se a juntar para lançar o álbum On Every Street e terminarem a banda quatro anos depois. Pelo meio ganharam vários Grammys, Brit Awards e MTV Video Music Awards (quando estes ainda valiam alguma coisa).

E para recordar esta icónica banda nada melhor que o álbum que lhes valeu mais prémios: Brothers in Arms. Singles como “Money for Nothing”, “So Far Away”, “Walk of Life” ou a música que originou o nome do CD “Brothers in Arms” ficaram para sempre gravados na história dos grandes nomes da música.

http://www.youtube.com/watch?v=eX0IjD5DPQI

Para ouvir (Música):
Diabo na Cruz

O que é nacional é bom e os Diabo na Cruz provam isso mesmo. O grupo fundado por Jorge Cruz, junta o próprio a João Gil, João Pinheiro, Márcio Silva, Manuel Pinheiro e Sérgio Pires iniciou a sua actividade em 2008 lançando o primeiro disco, “Virou!” em 2009 contando com a participação de Vitorino e na sua edição especial (2011) juntam o EP “Combate” que contém 5 músicas (uma delas com a participação do grande Sérgio Godinho).

Mais tarde, em 2012, lançam “Roque Popular” para gáudio do público e são eleitos para melhor disco português desse ano para várias publicações. E posso, após 4 vezes ao vê-los ao vivo, afirmar que são das melhores bandas para se assitir em concerto.

Eles estão de volta e já andam a mostrar sinais de nova actividade no Facebook oficial da banda.

Para recordar (Literatura):
Romance dos 3 Reinos

Se acharam que o Sete Samurais era do tempo do ZX Spectrum então este deve ser do tempo em que D. Afonso III conquistou Algarve aos Mouros. Não é sobre esse tema mas é quase. Já alguma vez jogaram Dynasty Warriors? Se a resposta for sim, já sabem do que estou a falar. Se a vossa resposta foi não, o que raio ainda aqui estão a fazer e não a jogá-lo(s)? Francamente…

Romance dos 3 Reinos foi escrito no século XIV por Luo Guanzhong e retrata os acontecimentos da China Feudal desde o ano 169 até 290, retratando o final da dinastia Han e a formação dos 3 reinos herdeiros. Mas não pensem que isto é tudo descrições de batalhas.

Guanzhong adicionou magia e mitos há mistura para que não pensem que estão a ler o vosso manual de História do 7º ano. É provavelmente a obra literária que exerce mais influência na cultura do continente asiático. Uma espécie de “Lusíadas” lá na China, só que em prosa e com muitas mais palavras (acima de 800.000).

Romance dos 3 Reinos deu origem a várias sagas e serve de inspiração a várias obras dos meios do entretenimento, sendo as mais conhecidas as franquias de videojogos Romance of the Three Kingdoms e Dynasty Warriors, ambas da Tecmo Koei e Omega Force, os animes Kōtetsu Sangokushi e Ikkitousen ou o filme The Lost Bladesman.

Esta obra é considerada um dos “Quatro Grandes Romances Clássicos” da cultura asiática onde também estão incluídas Water Margin, Dream of the Red Chamber e Journey to the West que serviu de inspiração, entre outras coisas, a Dragon Ball ou o jogo Enslaved: Odyssey To the West.

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Para ler (Literatura):
Fables

Sou fã de Fables. Já o era antes de anunciarem que iam fazer o Wolf Among Us ( pessoalmente acho que dá 15-0 ao Walking Dead) e continuei a ser depois de o jogar. Olho para a minha estante dedicada a comics e bd’s e olho com orgulho para aquele pedaço quase total de uma prateleira por que a série Fables me ocupa. Não é muito. Afinal não passam mais do que o equivalente a 45 lançamentos dos 138 já disponíveis. E um pouco mais ao lado dois ou três lançamentos da série Jack of Fables (um spin-off).

Tal como disse é pouco, mas o suficiente para me dar um pouco de orgulho por possuir a tal porção da prateleira. Olho mais abaixo e vejo alguns lançamentos da saga Batman, Inc. mas deixo essa história para outra altura ou para a zona de comentários.

Fables é uma série que coloca várias personagens dos mais variados contos tradicionais e coloca-as no meio da selva urbana que é Nova Iorque, numa pequena secção chamada “Fabletown”. Os personagens principais são Bigby Wolf (o Lobo Mau) e Snow White (Branca de Neve) sendo que há ainda outra, mas não vos quero estragar a leitura (ou spoilar o jogo, nunca sei o que é que eles vão buscar aos comics ou não).

Mas não é só em Fabletown que a história se desenrola. Um pouco mais perto do fim da prateleira temos, por exemplo, um dos meus issues favoritos que conta a história de Bigby… no meio da II Guerra Mundial. Sim, parece estranho ter um lobo fictício disfarçado de humano no meio de um batalhão das tropas Aliadas. E acreditem que mais estranho era se vos dissesse o que é que ele estava lá a fazer.

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Para jogar (Literatura):
The Witcher

Já faltava a recomendação da praxe. A CD Projekt Red com a franquia The Witcher mostrou tudo aquilo que uma sequela deve ser. Encontrar os pontos fortes e mantê-los enquanto reconfiguram as partas mais débeis. Do primeiro jogo para o segundo foi uma diferença brutal e deste para o terceiro promete ser ainda mais considerável. Inspirado na saga do mesmo nome escrita por Andrzej Sapkowski, composta por 8 livros, The Witcher é uma espécie de Mass Effect medieval.

A série começou em 2007 e tem como protagonista Geralt of Rivia, um mutante que é uma mistura entre um soldado e um feiticeiro cuja função é ajudar a população a resolver problemas com criaturas. O primeiro título apenas está disponível para PC e Mac, enquanto a sua sequela está disponível também na Xbox 360.
O que diferencia a franquia The Witcher das restantes é a sua capacidade em mostrar uma história que não tem necessariamente um final feliz. O mundo é violento, a história bastante rica e o jogo não tem qualquer pudor em mostrar qualquer tipo de conteúdo adulto. O mundo não é bonito. Nós sabe-mo-lo e este jogo também.

Ah! Mais uma secção despachada. Não se preocupem, apenas falta o tópico mais importante de todos e podem ir à vossa vida. Imaginem o que falta como aqueles 15 minutos que restam até ao toque da campainha para ir almoçar.

Para recordar + ouvir (videojogos):
Killer 7

2006. Férias de Verão entre o 8º e 9º ano. Como prémio pelas boas notas, os meus pais decidem oferecer-me um jogo à minha escolha. Na tradicional ida à loja há duas escolhas que claramente se impõem sobre as restantes: Shadow of the Colossus e Resident Evil 4. Estavam lá os dois, com as capas especadas a olhar para mim e eu a olhar para elas. No fim escolhi…. Killer 7.

Estranho? Sim. Nunca tinha ouvido falar do jogo. Nem tão pouco da produtora. Grasshopper? A sério que alguém foi dar o nome de Gafanhoto a uma empresa? Também quero 5 euros do que eles andam a fumar. Mas a capa era tudo menos engraçada. Fundo vermelho, sete pessoas intimidadoras e um logótipo no canto inferior que metia respeito. Capcom dizia ele. Na altura ter uma coisa que dizia Capcom era sinónimo de qualidade. Arrisquei então e levei o tal Killer 7.

Chego a casa e a primeira coisa que faço é meter o jogo na consola. Power on. Menu inicial. Primeira cutscene. Primeiro inimigo e oportunidade de ver se ser um Smith era algo tão espantoso como pensava que podia ser. E foi…………. uma bela trampa. Tentei vezes sem conta, mas não conseguia passar o primeiro inimigo. Frustrado, desejei mil vezes ter trazido o RE 4. Pus o jogo de parte e fui jogar outra coisa qualquer, muito provavelmente Wind Waker ou coisa que estivesse em voga na altura. E assim foi até às férias de Natal. Sem mais nada para jogar até receber alguma coisa no dia 25 tentei dar outra chance ao tal jogo que quase me estragou o Verão de 2006.

Estupefacção. Já conseguia passar o tal inimigo e até mesmo o primeiro nível sem levar dano. Como raio é que isto aconteceu? Simples, deixei de ser parvo. Quer dizer não deixei totalmente pois isso ainda se manifesta nos dias de hoje, mas ao menos é com menos frequência.

E estava eu agora apreciar a história de Harman Smith e dos seus Killer 7. Raios que jogo brilhante. Um enredo que fazia frente ao de Metal Gear Solid no que à complexidade diz respeito, uns visuais em cell-shading que quase faziam a minha Playstation 2 chorar de emoção e um trabalho de câmara que fazia inveja a muitos cineastas consagrados em Hollywood.

Killer 7 fazia parte de um grupo de jogos chamado “Capcom Five” juntamente com Resident Evil 4, Dead Phoenix, P.N. 03 e Viewtiful Joe. Todos com a supervisão do mestre Shinji Mikami eram exclusivos para a Nintendo Gamecube e tinham como objectivo principal a venda da consola após esta ter falhado conquistar a maioria do mercado que pertencia à Playstation 2. Destes 5 um foi cancelado (Dead Phoenix) e apenas um se manteve exclusivo à consola de origem (P.N. 03).

E assim nasceu a minha admiração por Suda51 a quem gosto de chamar o Quentin Tarantino dos videojogos. Seguiram-se No More Heroes 1 e 2, Shadows of the Damned e Lollipop Chainsaw e sempre com o selo de qualidade de Suda51 a nunca desapontar. Agora falta-me Killer is Dead, que chegará em breve ao PC pela mão da Square Enix. E raios me partam se o Lily Bergamo não chegar à Europa! É que nem te atrevas a fazer-me isso Goichi!

Para Ler (Videojogos):
Mogworld

Normalmente não gosto de livros escritos por jornalistas. Não sei porquê, acho que usam demasiado um estilo único do qual já estou um bocadinho cansado. No entanto há sempre um ou outro que escapa a essa linha como é o caso de Ben”Yahtzee” Croshaw. Sim, esse mesmo, o autor de Zero Punctuation e metade da rubrica “Jim & Yahtzee’s Rhymedown Spectacular”.

O livro retrata a história de Jim, um homem que se encontra a viver num mundo em todos fingem ser super-heroís e Jim não poderia estar menos interessado em ser um. A sua magia fraqueja e ele encontra-se altamente insatisfeito com o facto de não poder dormir. E por dormir entenda-se, morrer de uma vez por todas já que ele faleceu vai para coisa de 60 anos. É que um necromancer não o deixa morrer e contínua a trazê-lo de volta para este mundo do qual Jim não quer fazer parte.

É então que Jim decide formar uma equipa composta por alguns cadáveres que partilham a sua dor, um ladrão que não consegue sequer roubar um chupa a um bebé e um desejo de morte descomunal. E um programador que não tem mais nada que fazer do que corrigir bugs o resto do tempo.

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Para Jogar (Videojogos):
Metal Gear Rising: Revengeance

Admito. Não sou fã do Raiden. Não o fui enquanto fazia pinos completamente nu no Metal Gear Solid 2 nem tão pouco o fui quando me apareceu de saltos altos no Meta Gear Solid 4. Simplesmente não gosto dele.

Há pouco mais de um mês através do Steam Sharing (obrigado Kanudo) pode finalmente experimentar este jogo. E que me atravesse neste momento um comboio por cima se não for um dos melhores jogo que já joguei.

Olha, parece que me safei. Viram? Não acontesiodbnljbflakjsnfd.

Calma. Apenas espirrei. Não me passou nenhum comboio em cima, mas se me passasse era sinal que o Raiden andava nas redondezas enquanto Jamie Christopherson grita um inevitável “RUUUUUUULLLLLLEEES OF NATUUUURRRREEE!!!!!!!!”. Aliás isso aconteceria sempre já que tenho estado a ouvir a música em loop enquanto escrevo este texto.

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Adoro o jogo e muita da culpa está à responsabilidade da Platinum Games. Fizeram um excelente trabalho com o jogo. Quantos jogos jogaram vocês onde podem fazer um suplex gigante a um Metal Gear enquanto têm um poderoso rock anthem a fazer-vos back up? Ou terem um doctor alemão completamente demente que tem um fetiche por mãos esquerda? Ou o Ludacris? Isto até tem um lobo robot que tem uma motoserra em vez de uma cauda com os quais podem ter debates filosóficos sobre algumas das mais antigas questões da vida humana e mais tarde até podem jogar com ele! Precisam de mais motivos para querer jogar isto? Então e se eu vos disser que podem cortar tudo, repito, TUDO até ao mais pequeno separador enquanto têm um contador que vos indica “A propósito, estás a ver aquele gajo com que começaste o combo? Neste momento ele está feito em 5641436454 partes. Só para que saibas :)”.
Não esperem mais e vão jogá-lo.

Para ver (Videojogos):
Gyakuten Saiban: The Movie

Sim, lá em cima mostrei-vos um jogo inspirado em anime que era bom. E um jogo inspirado numa série televisiva que era bom. E a maioria de vocês neste momento está céptica porque agora chega um filme sobre um videojogo. Verdade Universal #1 da indústria: Nunca se fazem boas adaptações de videojogos para o cinema. E é verdade que nunca se fazem… no ocidente. Apresento-vos Takashi Miike, o homem que desafiou as leis da nossa verdade universal #1 e superou o desafio. Uma espécie de Bartolomeu Dias do cinema e dos videojogos.

Ora bem Gyakuten Saiban não é nada mais, nada menos que o nome que a série Phoenix Wright: Ace Attorney tem no Japão e em 2012 teve direito a uma adaptação cinematográfica pela mão do realizador que se encontrava em melhor forma no momento: Takashi Miike (13 Assassinos, Hara-Kiri). O filme adapta 3 casos do primeiro jogo numa longa-metragem (135 min.) em que pela primeira vez se pode afirmar que uma adaptação não se resumiu apenas ao nome.

O filme esteve em exibição em Portugal durante o Fantasporto 2013.

E pronto, assim me despeço que vós que aguentaram até aqui. Espero que tenham gostado desta muralha descomunal de texto e se quiserem mais algumas sugestões não hesitem em perguntar! Isto foi apenas uma parcela infinitamente pequena do que queria falar nesta rubrica, mas contento-me com o que consegui apresentar.

A Licky Boom Boom Down

 

O PróximoNível ao Domingo é uma rubrica semanal da comunidade escrita de forma rotativa pelos seus membros. Os temas são livres e da responsabilidade do criador. Caso queiram escrever o vosso PND só precisam de mostrar a vossa intenção na zona de comentários em baixo.

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