PN Jukebox #70 – Samurai Champloo

E o PN Jukebox regressa novamente após um ou dois meses em pausa (novamente), mas isto e aquilo, e aquilo e isto e eu nunca cheguei a prometer que seria algo frequente. Mas também não queria que tivesse tanto tempo entre cada novo artigo, mas como disse, isto e aquilo, e aquilo e isto.

Então, após o Jukebox #69 o que será que o #70 teria para oferecer? Muita coisa passou-me pela cabeça, alguns que ficaram postos de lado, outros que ainda estou a pensar, mas houve uma ideia que decidi escolher e seguir em frente com ela. E então mais uma vez ficamos com um PN Jukebox dedicado a um anime, com o anime em questão ser um que já referi uma ou duas vezes, e que se ainda não viram deviam de o fazer, Samurai Champloo.

Admito que a primeira vez que vi Samurai Champloo, que foram episódios soltos no Animax, não gostei muito do anime. Muito provavelmente por não ter visto a coisa por ordem desde o início, e de não apanhar os episódios mais sérios (ter o episódio de baseball como um dos primeiros que vi não era o melhor para deduzir que tipo de anime era, ou talvez até fosse). Uma outra razão talvez seja por eu na altura ser um imbecil sem gostos de jeito, coisa que ainda não mudou hoje em dia.

No entanto, um certo dia lembrei-me do episódio de baseball que pertencia a este tal anime com o nome Samurai no título, e rapidamente descobri qual era o anime e então tive a ideia de o ver. Por estranho que pareça, mesmo tendo visto um ou outro episódio de forma aleatória, a opening sempre ficou na minha cabeça, sendo ainda mais fácil de identificar o anime quando procurei pelo mesmo.

A início nem gostei muito da opening (a primeira música em destaque), mas foi algo que um par de episódios não resolveu. Quanto ao anime em si, tenho a dizer que começa de forma interessante e que me deixou imediatamente interessado, ficando apenas a questão de “então e aquele episódio do baseball?”.

Para situar quem não sabe nada sobre o anime, Samurai Champloo tem lugar no período de Edo, ou seja, samurais (tal como é indicado no nome), e conta a história de Fuu que devido a um acidente que causou no seu trabalhou acabou por fazer com que dois samurais se enfrentassem até à morte. Mugen, um samurai com um “estilo de breakdancing” e selvagem, e Jin, um samurai que segue o código de honra.

No entanto Fuu consegue fazer com que os dois homens adiem o seu duelo até à morte, com o intuito de os mesmos a ajudaram a encontrar um samurai que cheira a girassóis. E basicamente seria uma premissa interessante, não fosse o facto de Samurai Champloo acabar por elevar ainda mais a fasquia misturando hip-hop, cultura americana e batalhas intensas numa história bastante boa.

Honestamente, com tantos pontos por referir nem sei por onde começar, o que é certo é que a música teve um impacto bastante forte neste anime. Como referi, grande parte da música é baseada em hip-hop, quer seja em cenas fora do comum (vou falar disso mais à frente, ‘baseball’  será uma palavra chave) onde acaba por nos induzir neste elemento estranho com um som que o acompanha bastante bem. Até às cenas de combate, onde por mais estranho que pareça, hip-hop e duelos entre samurai é uma combinação excelente.

A música é sempre utilizada para criar o ambiente e induzir o sentimento da situação ao espectador, e certamente todos concordam quando digo que hip-hop e o período de Edo não seria uma combinação em modos na cabeça de uma pessoa sã. Felizmente existem pessoas malucas que decidem não ligar ao que é considerado comum, criando assim uma fonte importante para o que compõe Samurai Champloo.

Por outro lado, o que seria de esperar de um anime com samurais seria duelos e batalhas até à morte, coisa que não fica em falta em Samurai Champloo. Claro que gostaria de falar de uma ou outra, ou até de três ou quatro, ou quem sabe cinco, mas não quero fazer spoilers sobre certos acontecimentos para quem ainda não viu. Apenas tenho a dizer que ainda hoje aquelas cenas de acção estão muito bem trabalhadas com uma óptima animação, e é claro a intensidade das mesmas.

Obviamente que estas batalhas não ocorriam só porque sim, havia sempre algo a ter em conta nestas batalhas, quer fosse uma mensagem, ou apenas o objectivo de entregar tal sentimento em tal momento, várias batalhas ganharam a sua marca na série. É fácil de deduzir que Mugen seria mais interessante uma vez que o seu estilo é uma incógnita em duelos com espadas, mas Jin com o seu sentido de honra também consegue oferecer um bom entretenimento nos desafios que encontra.

Chegando ao ponto que tenho vindo a referir ao longo deste PN Jukebox, baseball…bol, eh como vos apetecer dizer isso. Acontece que nem é o episódio de baseball propriamente, mas sim as várias referências à cultura Americana, e até episódios dedicada à mesma tais como o de baseball e o de graffitis. Até se pode dizer que esses episódios são uma paródia pela a maneira como decorrem, mas acabam por encaixar no universo de Samurai Champloo, uma era que ainda é sobre samurais mas que está a ser invadida por ideias novas (com algumas delas vindo do estrangeiro).

Tenho a dizer que o episódio do baseball é agora um dos meus favoritos na série, e que estava bastante entusiasmado para o ver quando comecei a ver a série em modo. Por outro lado, se tiver que escolher um que menos gosto este será o dos zombies, ou lá qual era o assunto desse episódio. Simplesmente não me agradou tal como os outros, uma vez que estava a tentar ser meio sério mas com um tema que não se encaixava bem no universo da série, ao contrário do de baseball e graffitis por exemplo que não se levavam a sério.

Samurai Champloo e Cowboy Bebop acabam por ser comparados várias vezes, apesar de serem de estúdios diferentes e de até terem settings diferentes. Parte da razão deve ser devido a Shinichiro Watanabe ser o director de ambos os animes, bem como ter escrito alguns dos episódios, daí ambos terem alguns aspectos reminescentes um do outro. E caso estejam curiosos, Watanabe também foi director de Space Dandy, Zankyo no Terror e até Sakamichi no Apollon.

Tenho de admitir que ainda não vi Cowboy Bebop, e que ainda o estou para fazer. Já faz uns quantos anos em que tenho o anime planeado para ver, mas até hoje ainda não fiz devido a esquecimento, daí a não poder comentar muito entre ambos os animes. No entanto, tal como Samurai Champloo, sempre acabei por ver um ou dois episódios soltos, e apenas me lembro da cena das hot springs (e mal). Mas acredito que ambos os animes sejam diferentes naquilo que tentam provar, sendo que apenas possuem alguns aspectos semelhantes no que toca na direção dos episódios.

Na minha opinião o anime teve um fim bastante sólido e que me deixou satisfeito com os seus acontecimentos, algo que até gostaria de falar mais mas que não vou para não estragar a surpresa a quem estiver interessado. É pena que o anime tenha tido apenas cerca de 26 episódios, mas ao mesmo tempo acho que soube quando parar pois sempre existe um limite para o que se pode fazer sem se tornar repetitivo.

Curiosamente não tenho a certeza se Samurai Champloo teria o impacto que teve se fosse criado nos dias de hoje, mesmo que fosse completamente igual, tenho a ideia de que provavelmente apenas metade dos fãs iriam apreciar aquilo que o anime teria para oferecer. No final, acho que 2004 foi um ano mais que perfeito para Samurai Champloo ver a luz do dia.

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Com tanta conversa sobre o anime acho que vou pegar novamente no mesmo e passar uns bons momentos a rever os vários acontecimentos macabros e duelos épicos. E vocês, gostaram da banda sonora? Viram Samurai Champloo? Quais as vossas impressões? Partilhem na zona de comentários!