O elemento de estratégia e a individualização das personagens em Valkyria Chronicles Remastered

Ultimamente tenho estado interessado na abordagem que o Japoneses tomam em relação a jogos onde o tema é a guerra. E enquanto espero pelas versões PlayStation 4 de Trails of Cold Steel decidi explorar a série Valkyria Chronicles, uma que ouvi falar algumas vezes mas que nunca tinha explorado nem sequer visto algo sobre a mesma. Isto até à altura em que a demo para o mais recente jogo da série apareceu na PlayStation Store Japonesa e eu decidi pegar nele e ver o que tinha para oferecer apenas por mera curiosidade.

Neste caso, acabei por comprar e finalmente jogar Valkyria Chronicles Remastered, a versão melhorada do jogo original que saiu na PlayStation 3, que conta com novos gráfico, melhor framerate e até com todos os DLCs que foram inicialmente lançados na geração anterior. Caso queiram mais informação sobre o jogo podem então ler a nossa análise ao mesmo aqui, enquanto que neste artigo irei focar-me apenas no elemento de estratégia e a importância que o mesmo tem para o jogo, bem como a individualização das personagens.

Se tivesse que fazer uma comparação rápida para vos fazer entender, diria então que Valkyria Chronicles é semelhante a XCOM, ou seja é um jogo de estratégia, ou como alguns diriam, um RPG tático. Mas independentemente do género terão que usar a vossa cabeça e planear bem o que fazer com as vossas personagens para poderem completar os imensos confrontos que vão encontrando ao longo do jogo, havendo vários elementos que terão de ter em conta na altura das vossas decisões.

Começando pelo que muitas pessoas estarão a perguntar tendo em conta que comparei o jogo com XCOM, o sistema de permadeath. Em Valkyria Chronicles as personagens menos importantes podem morrer de forma permanente caso não tenham cuidado, isto sendo feito de duas maneiras. A primeira é ao falharem resgatar a personagem em questão em menos de três turnos, enquanto que a segunda é se o inimigo chegar até à personagem durante esses três turnos. Caso consigam resgatar a personagem então não precisam de se preocupar porque passados uns turnos podem voltar a usar a mesma nessa missão, caso contrário sempre podem visitar o cemitério e oferecer um minuto de silêncio em memória dos vários companheiros perdidos ao longo desta guerra.

Ao contrário de XCOM, e mais parecido ao que é feito em Fire Emblem, as personagens menores de Valkyria Chronicles possuem um background para as suas vidas e personalidades. No menu “Personnel” fica destacada a informação sobre a vossa equipa como o passado das mesmas e uma ou duas curiosidades que estas personagens possam ter, mas para além disso cada personagem possui elementos que gostam e desgostam, o que poderá dar vantagens ou desvantagens durante as missões. Se uma personagem não gosta do campo então não irá estar a 100% nas missões que tomam lugar em áreas rodeadas de árvores e verde, no entanto se uma personagem for amiga de outra e ambas estiverem na mesma missão o resultado poderá ser bastante melhor com as duas a agir uma perto da outra.

Tudo isto acaba por dar mais personalidade e individualização às personagens secundárias, fazendo com que assim elas tenham mais impacto sobre nós tanto vivas como quando as perdemos em momentos trágicos (ou de burrice). Estas personagens secundárias também contam com designs únicos e todas possuem vozes diferentes, dando ainda mais vida às mesmas, o que torna esta guerra uma não só sobre os protagonistas desta história mas também sobre estas personagens que estão no background da nossa aventura.

Tal como disse anteriormente, os gosto e desgostos destas personagens também são importantes durante o combate pois vai afectar a performance das mesmas, o que adiciona um elemento de estratégia logo na altura da seleção de personagens. Enquanto que durante o combate em si tanto o jogador como o inimigo terão vários turnos com um determinado número de acções que pode tomar durante esse turno. Tomar controlo de uma personagem gasta uma dessas acções, sendo o dever do jogador colocar essa personagem numa boa posição para eliminar o adversário dependendo da sua classe. A classe de sniper funciona melhor ao longo alcance, enquanto que a classe de mecânico tem como função distribuir munição, curar personagens e até reparar o tanque, sendo que então a melhor opção é a de ter um mecânico perto do tanque pois se o tanque for destruído o jogo termina.

O jogo por vezes vai contar com situações especiais onde é necessário ter em conta algo mais para além do facto que existem inimigos à nossa frente, mas num todo o jogo é muito mais do que apenas seguir em frente e matar os adversários. Mas num todo Valkyria Chronicles Remastered é um jogo de estratégia onde é necessário ter em conta vários elementos para progredir sem grandes desafios e sem perder nenhum companheiro durante esta guerra. Desde o início que a seleção de personagens já está a contar para o quão bem o jogador vai progredir durante a missão e acaba por ser necessário ter esse conhecimento em conta, bem como uma cabeça que consegue adaptar-se a situações inesperadas que por vezes acontecem, ou seja, Valkyria Chronicles Remastered é mais um jogo de estratégia do que outro elemento, onde por vezes talvez a melhor solução seja fugir.

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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