Now Loading #3 – Luxuosa Mansão Digital “Grátis”

Jogos online são um verdadeiro furor que resiste ao tempo, passando o testemunho entre género e estúdio. Poucos são aqueles que emergem e se conseguem manter activos durante longos períodos de tempo e ainda menos aqueles que ficam imortalizados. Se perguntar a qualquer um por um mmorpg, um dos primeiros nomes a surgir será World of Warcraft, ainda que existam muitos mais. Nos dias que correm o jogo online mais badalado é sem sombra de dúvidas Fortnite, mas também já foi Overwatch, League of Legends, Counter-Strike e até Unreal Tournament. Alguns são gratuitos, outros são pagos e outros até têm subscrição, o que é que faz de uns melhores que outros? Isto é algo que vamos explorar no tema de hoje:

Subscrições Online!

 

– Pagar subscrição é um compromisso –

Os jogos MMO têm por norma uma natureza viciante, quer seja através da competição, interacção ou coleccionismo. Na maioria dos casos estes são gratuitos, podem ser descarregados da internet e qualquer um pode jogar. Na sua maioria utilizam itens que dão vantagens temporárias ou alterações cosméticas para fazer dinheiro e não há problema nenhum nisso, afinal de contas também não pediram nada em troca, os jogadores estão lá porque querem e gostam. No entanto existem também aqueles que quer sejam grátis ou pagos requerem uma subscrição. Aqui o caso muda de figura por dois motivos: passa a existir uma obrigação da produtora para tornar a experiência o mais interessante possível e manter um elevado número de subscrições e ainda um compromisso por parte do jogador, uma vez que o período da subscrição tem que ser aproveitado ao máximo. Ninguém gosta de deitar dinheiro fora, digo eu.

Estas subscrições são uma forma de manter uma comunidade mais dedicada, novo conteúdo e updates. Muitos jogadores não se importam com este modelo se o jogo realmente for bom e valer a pena, acaba por ser um gosto pessoal. Onde as coisas começam a não correr tão bem é quando existem dois modelos em simultâneo. Alguns jogos optam por colocar jogadores que pagam uma subscrição e outros que não pagam num mesmo servidor, os que pagam a subscrição são considerados membros “VIP” normalmente usufruem de regalias que tornam um pouco injusto a vida dos que não querem pagar uma subscrição. Por outro lado quem paga, paga para isso mesmo. É um pau de dois bicos e não há um lado certo, pois provavelmente se esse serviço de subscrição não existisse muito do conteúdo também não existiria.

As subscrições acabam por ser um modelo benéfico para alguns MMO e apesar de acabarem por dividir o público alvo, também segmentam o mercado e acabam por diversificar a oferta de tal maneira que muitos grupos de amigos se influenciam a jogar um em detrimento de outro por isto e por aquilo.

A parte menos boa das subscrições está claramente virada para o lado dos estúdios, uma vez que servidores piratas não são uma miragem. Durante os meus tempos de estudante, muitas vezes ouvi eu falar de servidores pirata de World of Warcfraft e mais tarde até de Minecraft e CS. Estes servidores governam-se por regras diferentes, não pedem subscrições e destinam-se às mais variadas opções de jogo, desde mais exp., mais dinheiro ou até uma maior chance de ter o melhor loot. Claro está que não são legais, daí o nome. Mas é engraçado ver como existem muitos mais servidores alternativos para os jogos com subscrição do que para os gratuitos.

 

– Gratuito, mas pouco –

Enquanto que alguns jogos como MMO possuem subscrições, outros são grátis, excepto que a maioria acaba por contar com um demónio conhecido como “microtransações/macrotransações”. Esta prática é algo que também marca presença em jogos pagos por isso não quer dizer que seja exclusiva de jogos F2P, no entanto são os F2P que necessitam deste tipo de rendimento para sobreviverem.

Existem várias histórias sobre grandes gastos feitos por menores devido a este ou aquela skin ou outra coisa qualquer num jogo mobile, e também adultos que não resistiram à tentação de colecionar a sua personagem favorita e usaram o ordenado completo para a tentarem obter. Normalmente a conversa por detrás deste tipo de tópico é “pay-2-win“, ou seja, os jogadores vão levar no rabo até decidirem arejar a carteira e comprar umas vantagens que os irão deixar ganhar e avançar no jogo.

Curiosamente este tipo de coisa acontece mais nos jogos pagos e de competição contra outros jogadores, enquanto que alguns jogos grátis pelo menos permitem que o jogador continue sem gastar dinheiro e até oferece várias recompensas que eliminam ainda mais a necessidade de gastar dinheiro, excepto quando criam situações impossíveis apenas com o propósito de obrigar a gastar algum. Basicamente este assunto não está presente apenas em jogos grátis. Jogos pagos fazem uso desta prática e por vezes abusam muito mais do que os jogos grátis, enquanto que alguns jogos grátis nem sequer necessitam que o jogador gaste dinheiro e oferecem uma experiência completa.

 

–  Mercado Negro –

Então e daquela vez em que alguém decidiu meter bots a “farmar” itens e os vendeu posteriormente por dinheiro real? Obviamente que não é legal mas existem. A parte mais interessante é que este mercado negro pode chegar a valores completamente absurdos e existem realmente pessoas dispostas a pagar 20 ou 30 euros por um item raro ou uma dada quantidade dinheiro do jogo. Por outro lado também existem outros tipos de mercado que não são ilegais mas igualmente lucrativos e por vezes os produtos mal se vêm e são apenas cosméticos.

A forma como a grande maioria dos jogadores está completamente vidrada em alguns destes jogos acaba por fazer com que estes mercados sejam lucrativos.

 

– Diferenças entre plataformas –

Normalmente jogos F2P são mais comum em dispositivos mobile, oferecendo uma experiência completa até ao momento em que a energia ou algo semelhante termina, obrigando o jogador a esperar por um bom tempo até poder voltar a jogar, ou então, o jogador pode sempre pagar um pouco se quer continuar.

Já nas consolas não existe muito esta praticamente, havendo antes a ideia de  oferecer um jogo completo com opções de comprar outros elementos ou então uma espécie de “demo” que é na realidade o jogo completo mas com certos modos ou personagens bloqueados, sendo que a cada semana personagens e outras coisas são trocadas por outras novas. Nestes casos a opção de compra das personagens e outros elementos extra existe, sendo também uma espécie de microtransação.

Tudo depende da maneira e público algo que o jogo tem. Se é para passar o tempo, mobile e a insistência em energia é uma coisa. Se é para fazer com que os jogadores continuem agarrados ao jogo então a rotação semanal de personagens e uma experiência de jogo completo também existe. Havendo também outros exemplos como os “gacha games” que na sua maioria estão presentes no mobile.

 

– Online nas consolas? Paga primeiro! –

Subscrições online nas consolas foi algo que surgiu pelas mãos da Microsoft na geração anterior, sendo que nesta geração a Sony e a Nintendo decidiram seguir por completo a mesma fórmula. A início, na altura da Xbox 360, a ideia era a de poder jogar online com outras pessoas com esta subscrição, oferecendo também grupos de voz e até descontos exclusivos. Ao entrar nesta geração as três companhias agora bloqueiam a possibilidade de jogar online através de uma subscrição, oferecendo também descontos exclusivos e até jogos “grátis” (varia de companhia para companhia).

A explicação dada por detrás desta ideia era a de “pagar por um serviço melhor” que iria ajudar a criar melhores servidores e etc. Mas será que é verdade? Olhando para a Sony que aumentou o preço por duas vezes nestes dois últimos anos, a mesma recusou a opção de crossplay até ao barulho que foi criado devido a Fortnite. Ou então toda a conversa por detrás da mudança de nomes (algo já permitido pela Microsoft) que está recheada de pontos negativos. É para este tipo de serviços que estamos a pagar uma subscrição? Para o consumidor ser recusado dos seus serviços e ver um monte de “mas” adicionados aos mesmos?

Como se isso não bastasse existe exemplos como Plants VS Zombies: Garden Warfare 2 e Call of Duty: Black Ops 4 que são jogos completamente online mas que possuem um tutorial ou um modo pequeno singleplayer, e que devido a isso o jogador não pode usufruir da experiência completa devido a isso, mesmo com a produtora a afirmar que esta é uma expriência online. Lembram-se quando Fallout 76 foi prometido como um jogo completamente online onde não existem NPCs e tal porque vocês terão que interagir com outros jogadores? Sim eu sei que Todd Howard prometeu muitas coisas e cumpriu nenhumas, mas pegando neste exemplo, devido à possibilidade de os jogadores poderem aventurarem-se sozinhos toda esta ideia vai logo pelo cano a baixo devido à ideia de subscrições online.

Existem vários jogos os quais estava interessado devido ao online mas que recuso-me a comprar devido a não querer pagar por uma subscrição online. Defendia antes a ideia de uma subscrição exclusiva para o online ser criada e deixar a actual com os serviços que são oferecidos, fazendo com que a subscrição online fosse mais barata. Hoje em dia nem um nem outro. A próxima geração tem de deixar este ideia de fora pois o serviço pela qual estamos a pagar não oferece recompensas nenhumas ao contrário do que as companhias dizem, infelizmente os jogadores apenas deixam-se levar e não fazem nada quanto ao assunto.

 

– Então e a qualidade pá!? –

Essa paga-se. Independentemente dos jogos, e independentemente do conteúdo, há certos “quality of life improvements” que não se vêm em todos os jogos. Muitos destes pequenos detalhes vêm da estrutura paga ou F2P, ambos querem manter o jogador activo mas com diferentes objectivos.

Tudo isto é bastante fácil de ver, desde a forma como uma simples travessia é feita ou até o espaço do inventário. Quão fáceis e acessíveis são estas “regalias”? É na forma como tudo isto é tratado que se vêm as maiores diferenças, o restante está ligado a conteúdo que claramente é mais diversificado e cuidado nos jogos pagos.

 

– Veredicto –

As subscrições estão presentes em vários jogos hoje em dia. Não só em jogos mas também nas plataformas onde os podemos jogar. Algumas compensam e fazem valer do dinheiro que o jogador gasta, enquanto que outras nem por isso. Por outro lado, free-2-play tem sido uma alternativa que tem vindo a cativar muitos devido à experiência que oferecem a troco de nada, excepto que a maioria na realidade conta com outras maneiras de gastar dinheiro. No final cabe à pessoa em questão decidir onde quer gastar o seu dinheiro.

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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