Maratona DC – Man of Steel

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E chegamos ao último artigo da maratona DC, uma maratona que iniciei há mais de um mês atrás.Na altura em que este artigo entrar online, eu vou estar no cinema a assistir ao Batman v Superman: Dawn of Justice. Se tudo correr bem, irão ver uma análise feita por mim aqui no site antes do fim-de-semana.

Contudo, para terem algum contexto do que posso vir a indicar na análise, pode ser relevante terem uma ideia do que penso de Man of Steel. Existem opiniões muito fortes sobre este reboot de Zack Snyder, há quem detesta e há quem adora. Sempre pensei que estava no meio deste espectro, um filme com problemas, sim, mas não tão mau como tantas pessoas indicam.

O meu objectivo não é mudar a vossa opinião, apenas dar o meu ponto de vista.

Como referi anteriormente, Man of Steel é um reboot que conta novamente a história da origem de Kal-El , mais tarde conhecido como Clark Kent/Super-Homem. Tal como em Superman: The Movie, o filme começa com um prólogo em Krypton, mas em comparação ao filme de 1978, acontece demasiadas coisas nesses 20 minutos iniciais.

Aqui têm um “pequeno” resumo de tudo o que acontece: nascimento de Kal-El; conversa sobre a instabilidade do núcleo do planeta; golpe de estado do General Zod (Michael Shannon); o pai de Kal-ElJor-El (Russell Crowe), vai buscar algo chamado Codex que contém a informação genética da sua raça ou lá o que é; lançamento da nave de Kal-El; morte de Jor-El; Zod é preso na Phantom Zone sem antes dizer “I WILL FIND HIM!” quatro vezes; destruição de Krypton; e finalmente, chegada de Kal-El à Terra.

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O filme avança vários anos onde somos introduzidos a Henry Cavill como Clark Kent já um homem feito. Mesmo que a sua prestação pode ser um pouco rígida, eu gostei da escolha dele para o papel. Claro que não se compara a Christopher Reeve, mas deixou-me mais convencido do que Brandon Roth em Superman Returns.

A partir daqui, assistimos a flashbacks da sua infância onde vemos como ele e os seus pais adoptivos lidaram com os seus poderes. A Martha Kent (Diane Lane) está bem no papel da mãe, mas a maioria das pessoas tem problemas é com o pai, Jonathan Kent (Kevin Costner). Num dos flashbacks quando Clark é uma criança, o pai fica chateado por ter exibido os seus poderes após salvar os seus colegas de escola após um acidente de autocarro. Quando Clark questiona se devia ter deixado os colegas morrer, o pai responde “talvez” e muita gente passou logo a chamá-lo besta por isto.

Eu sinto que muita gente interpretou mal esta resposta, porque ele não está exactamente a dizer que devia ter deixado as crianças morrer. O próprio pai está confuso e nem tem uma resposta certa para dar, apenas quer proteger o seu filho da reacção das pessoas se descobrirem os seus poderes. Aliás, pouco antes desta conversa, vemos a mãe de uma das crianças salvas a falar com o pai e julga que foi um acto divinal. Se o teu filho tivesse super-poderes e alguém te dissesse isto, como é que tu reagias?

Em quase todas as cenas em que aparece, o pai Kent até é uma personagem decente. Aquilo que estragou tudo foi a cena do tornado onde o pai praticamente se sacrifica para evitar que o filho exibe os seus poderes para o salvar. Isto sim já é um bocado abusado e pessoalmente preferia que tivessem feito algo semelhante a Superman: The Movie onde o pai morre com um ataque cardíaco, ensinando a Clark que, por mais poderoso que seja, nem sempre pode salvar toda a gente. Seria uma lição mais valiosa do que esta insistência do receio do pai de ele ser rejeitado por ser diferente.

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Adiante, quando vemos Clark no seu 3º trabalho em part-time em menos de 15 minutos, conhecemos Lois Lane (Amy Adams). Em pouco tempo, ela fica a saber que Clark tem super-poderes, portanto evitamos a situação em que uma jornalista vencedora de um Pulitzer não consegue reconhecer um tipo só por usar óculos e um penteado diferente. A personagem dela não está má, o que está mal é o rápido envolvimento romântico entre a Lois e o Clark. Eles estão juntos na mesma cena 2 vezes e logo a seguir já estão muito íntimos.

Entretanto, Clark encontra uma nave de reconhecimento de Krypton presa no gelo há dezenas de milhares de anos e segue para o Pólo Norte onde serve como uma Fortress of Solitude provisória. É aqui que fala com uma projeção holográfica da consciência do pai biológico, ou algo confuso do género, e fica a conhecer a sua verdadeira origem. Ele veste o fato do Super-Homem pela primeira vez, um bom upgrade ao fato original, e temos uma sequência bonita onde o vemos a voar. O Superman Returns já tinha demonstrar efeitos especiais decentes, e aqui voltamos a vê-lo a voar de uma forma mais credível.

Só é pena que alguém tenha achado uma boa ideia aplicar zooms constantes quando algo está a acontecer ao longe. Isto acontece várias vezes ao longo do filme todo e distraí bastante.

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Talvez seja uma boa altura para falar na acção do filme. Eventualmente, Zod aparece e ameaça destruir a Terra. Ele começa por causar problemas em Smallville e nunca antes vimos combates assim num filme live-action do Super-Homem. Mesmo nas sequências mais intensas dos filmes antigos, às vezes apenas gostava de ver o Super-Homem a dar um valente soco a alguém e finalmente podemos ver isso ao vivo. Agora, ele podia ter evitado alguma da destruição causada na cidade? Sim, podia, mas até parece que ele é responsável para destruição causada pelos vilões, e às vezes, pelo próprio exército dos Estados Unidos.

Muita gente goza com a quantidade de product placement na cidade de Smallville, mas sejamos sinceros, a grande maioria das pessoas não vai reconhecer as marcas e não vai ligar a isso, para além de que não colocam as marcas á frenta da nossa cara. Se o Super-Homem estivesse a lutar no meio da minha cidade, provavelmente iria ver um supermercado do Continente, um McDonald’s, e se calhar a padaria onde costumo buscar pão. Talvez preferiam marcas inventadas, porque quando reconhecem a marca, isso tira um pouco da imersão. Nesse aspecto, até percebo.

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Agora passamos para o último acto do filme onde se centra a maioria dos debates sobre Man of Steel, a destruição de Metropolis. Enquanto o Super-Homem está no outro lado do mundo a lutar contra os tentáculos do Doutor Octopus, os militares estão em Metropolis a tentar destruir uma das máquinas dubstep do Zod. Grande parte da destruição da cidade já foi causada antes do Super-Homem colocar lá os pés e ele impede a transformação do planeta, deixando Zod completamente devastado.

Falando um pouco mais de Zod, o actor não tem a mesma pinta como Terence Stamp em Superman II, mas há um certo elemento trágico na personagem. Por detrás de todos os seus actos violentos e cruéis, ele fez tudo em nome do seu planeta, a principal razão para que foi criado. Ao contrário dele, o Super-Homem parece estar completamente desinteressado em trazer de volta a civilização de Krypton. Eu sei que o pai biológico dele disse para guiar e proteger a humanidade, mas será que esqueceu-se da parte em ser uma ponte entre dois povos?

Seguimos para a batalha entre Super-Homem e Zod, e mais uma vez, sim, o Super-Homem podia ter evitado parte da destruição, mas quando lutas contra alguém que é tão poderoso como tu, é um bocado complicado evitar danos colaterais. E quem pensa que isto é Dragon Ball, acham mesmo que o Zod iria alinhar em lutar num local isolado onde não houvesse pessoas por perto, as mesmas pessoas que o Zod jurou eliminar à frente do Super-Homem? Se o Super-Homem começasse a afastar-se da cidade, o Zod teria destruído um quarteirão inteiro só para chamá-lo à atenção.

Depois tudo termina no momento mais controverso do filme onde o Super-Homem mata Zod. E como estou sob contracto, sou obrigado a exibir este vídeo relativo a este momento:

Muita gente ficou chocada por ver o Super-Homem a matar alguém, uma personagem que devia arranjar sempre outra forma para resolver o problema. Podemos estar o tempo todo a criticar e a dizer como podia ter decorrido de maneira diferente sem recorrer à morte, mas uma coisa é certa para mim: ele optou por matar um dos últimos sobreviventes da sua raça para salvar um grupo de seres humanos inocentes que não conhece de lado nenhum, deixando-o quase certamente sozinho num planeta que vai vê-lo sempre de forma diferente.

Talvez o filme tenta ser demasiado como The Dark Knight, talvez o filme tem um ar demasiado sério em comparação aos filmes anteriores que era mais descontraídos e divertidos, talvez o filme apenas ofereceu uma versão diferente do Super-Homem a pessoas que estão muito habituadas à certas interpretações da personagem e não foi do agrado de todas. Seja qual for a vossa opinião sobre Man of Steel, eu sinto que é um filme continua a ser decente, tendo em conta todas as suas falhas, e houve um certo exagero em algumas das críticas. No entanto, não nos podemos esquecer que este é apenas o primeiro passo para um universo maior.

Sérgio Batista

Membro do PróximoNível desde 2015. Tira fotos em demasia durante os eventos.

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