Em Destaque – SCP Foundation: Iris Through the Looking Glass

Os mitos de SCP foram criados à pouco mais de uma década, mas ultimamente estes tem ficado cada vez mais popular e em especial devido aos vários jogos (alguns deles grátis) que são baseados nestes fenómenos inexplicáveis. Não seria estranho alguém começar a escrever histórias baseadas nestes pequenos arquivos incluindo light novels, ou como muitos dizem, “anime”.

Para quem não está a par, SCP “Secure Contain Protect” é uma organização ficcional que tem como objectivo capturar e observar várias entidades estranhas conhecidas como SCP. Tudo teve início com a criação de um website e desde então várias pessoas tem criado novos documentos fictícios que detalhem novos SCP, havendo mais de 3000 e variando desde uma caixa de pizza infinita a uma estátua que ataca humanos a partir do momento em que estes deixam de olhar para a mesma. E enquanto alguns SCP tem um aspecto baseado no nosso dia-a-dia existem outros com aspecto humanóide ou até próprios humanos que deram sinais de possuir uma habilidade alienígena.

SCP Foundation: Iris Through the Looking Glass decide focar-se nisso mesmo, numa pobre alma que é transportada para uma das várias facilidades que existem e que é categorizado como sendo um SCP, passando agora o seu dia-a-dia em vários testes ou simplesmente a vaguear pela enorme facilidade que é agora a sua casa.

O protagonista, ****, vive uma vida normal e sem grandes preocupações até ao dia em que um fenómeno estranho começa a acontecer, cada vez que **** abre um livro uma estranha foto aparece. A foto varia em ângulo mas acaba por ser sempre sobre a mesma pessoa, uma rapariga que está a segurar uma câmara. Este fenómeno continua acontecer até ao momento em que o protagonista decide investigar o assunto e ao tocar na foto **** acaba por ser transportado para o local apresentado na mesma onde encontra a misteriosa rapariga e é imediatamente posto inconsciente.

Normalmente a única coisa relacionada com SCP são as entradas na wiki que apenas contam com pequenas descrições do que cada SCP faz. Isto até ao momento em que os jogos começaram a surgir, mas o problema acaba por ser que a maioria destes jogos seguem o mesmo tema e acabam por apresentar sempre a mesma selecção de SCPs, que após algum acabam por deixar de ser interessantes.

É compreensível os jogos fazerem isso devido a mecânicas de jogabilidade e de as pessoas por detrás dos mesmos quererem manter o elemento de horror. Tendo sido precisamente a ideia de algo novo e fresco que deixou-me interessado nesta light novel.

O primeiro volume dá a impressão de a série estar mais virada para o slice-of-life ao invés do elemento de horror que é normal. Existe um capítulo onde a história aproxima-se um pouco desse aspecto mas mais não é explorado, incluindo um segmento no fim que é saltado e que poderia ter dado uma boa história de horror. Os SCP então apresentados são na sua maioria inocentes e que servem para situar os novos leitores não familiares com este conceito, embora a meio da história fica a impressão de o autor ter perdido a confiança de criar algo original e mais ambicioso com este “IP”.

Essa acaba por ser a principal razão pela qual os fãs mais hardcore ficaram desiludidos com o primeiro volume desta série, pois os elementos de horror são ultrapassados pelos elementos de segurança, e também pela história modificar uma ou duas coisas sobre alguns SCPs para ficar coerente ou até o simples facto de não fazer menção de isto ou aquilo apesar de pegar neste e naquele tema. A meu ver mais vale fazer as coisas a um paço lento do que atirar referências e mais alguma coisa logo de imediato, oferecendo assim uma oportunidade para explorar melhor alguns elementos e deixar a história desenvolver de forma natural.

Tal como disse inicialmente, é uma boa introdução para quem não conhece nada ou nunca ouviu falar sobre SCP e também uma alternativa aos vários jogos que pegam sempre no mesmo tema e SCPs para contar a sua história. Apesar de este volume terminar uma forma que passaria bem como uma história isolada, existe confirmação de que um novo volume está planeado, por isso o autor poderá no futuro explorar mais situações perigosas e elevar a gravidade da situação, ou simplesmente focar-se no dia-a-dia das personagens tal como aconteceu neste volume. Tanto um como outro acabam por ser ideias interessantes e existem SCPs perigosos que dariam para boas histórias, mas tendo em conta que a maioria da média baseada em SCP foca-se em horror, é uma boa mudança ter algo mais leve de vez em quando.

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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