Em Destaque – Bakuman.

Tendo em conta que falei sobre manga na última vez em que fiz um artigo destes, decidi pegar em algo que tinha em mente há já algum tempo. Hoje em dia fala-se imenso sobre Shirobako e a representação que o anime fez sobre a industria de anime, por outro lado algumas pessoas nunca chegaram a conhecer uma manga que é sobre manga. Nos dias que correm este tipo de história nem é novidade, mas na altura ainda era algo um pouco comum e Bakuman. soube trabalhar bem o seu tema para além de o usar apenas como desculpa para iniciar uma história.

Após terem concluído Death Note, a dupla Tsugumi Ohba e Takeshi Obata decidiram criar uma nova história que desta vez afastava-se do sobrenatural e que tinha como foco algo “mais perto de casa”, trazendo até nós Bakuman.. A manga já está concluída e chegou a receber três temporadas anime de 25 episódios cada que adaptaram a história (deixando uma ou duas coisas de lado), por isso irei falar antes do anime pois o anime fez um trabalho muito bom.

SINOPSE

Moritaka Masahiro foi inspirado desde criança pelo seu tio que era um criador de manga. Devido a isso Moritaka praticou desenho ao ponto de chamar a atenção de Akito Takagi, um escritor que decide convidar Moritaka a criar uma manga em conjunto.

A início Moritaka estava relutante em aceitar a proposta de Akito, mas no momento em que descobre que o seu interesse amoroso Miho Azuki anseia em ser uma atriz de voz, Moritaka decide confessar os seus sentimentos e ambos prometem casar assim que Moritaka criar uma manga que seja adaptada a anime e que tenha Miho como heroína principal.

Com o tema de romance e interesse amoroso de Moritaka e Miho “arrumados” logo de início, a história então não se desvia para os habituais episódios que outros animes com o tema de romance teriam entre o protagonista e a heroína principais, focando-se então na sua qualidade única, manga. Melhor dizendo, o foco pode ser manga mas na realidade é duas pessoas a trabalharem para seguir o seu sonho, uma história que já podem ter visto em Sakurasou mas feita de uma maneira diferente.

De certa forma nem é assim tão diferente, com o maior destaque a ser que num o protagonista ainda não sabia o que queria seguir para o futuro e noutro o mesmo ataca logo de imediato o caminho que terá de seguir para completar o seu objectivo. Mas no fundo ambas as séries apresentam o mesmo par de personagens secundárias que estão igualmente a trabalhar arduamente para serem reconhecidos, e neste caso o foco é a criação de manga, com algumas dessas personagens a serem génios natos. Refiro-me a Eiji, a pessoa que ambos os nossos protagonistas consideram o seu rival.

Pegando em Death Note pode-se dizer que Eiji é como L na maneira em como fica perdido no seu próprio mundo e apenas deseja fazer aquilo que lhe interessa. No entanto Eiji sempre recebe um devido destaque e desenvolvimento que L pecou um pouco. Não só Eiji é influenciado por outros mas também acaba por influenciar quem o rodeia na maneira em como as personagens aproximam o seu trabalho como mangakas. A introdução não só de um rival mas também de outras personagens que estão a competir com os protagonistas tornam a coisa mais interessante pois apresentam histórias adicionais que os fãs também vão seguir quando a coisa fica um pouco estagnada com o duo principal.

Devido ao passar do tempo e em como as coisas vão mudando é possível ver desenvolvimento  nestas personagens secundárias que as tornam tão interessantes quanto os nossos protagonistas. E como se não bastasse, não é apenas Moritaka e Miho quem tem uma aventura romântica, havendo mais romances presentes nesta história que são abordados de uma forma diferente.

Se pensam que Bakuman. não explica nada sobre manga então ficam enganados, algo que irão encontrar nos episódios iniciais do anime é explicações suficientes para oferecer um conhecimento básico sobre a maneira em como manga é criada, com outros episódios mais tarde também abordando outros temas. A série oferece uma boa introdução sobre a industria e a maneira em como as coisas funcionam por detrás do produto final, isto em conjunto com umas quantas referências que fãs de anime e manga irão reconhecer, o que torna os tópicos de conversa mais naturais de serem absorvidos.

Apesar do imenso número de episódios presentes (75 ao todo) a série não possui muitos momentos maus. Algumas secções prolongam-se um pouco mais do que o que deviam, e outras possuem um tema que não é muito emocionante, tal como em algumas das vezes em que o duo de Moritaka e Akito estão a pensar num novo projecto. Mas num todo quando a série foca-se nas partes boas estas oferecem muito mais do que o esperado, criando uma história que ninguém esperava.

No final Bakuman. deixa de ser apenas uma história sobre duas pessoas a tentarem criar uma manga de sucesso e uma promessa entre um futuro casal. A série também começa a focar-se em outras personagens que o nosso duo principal fica a conhecer após ter entrado neste novo mundo onde para além de ler manga também a estão a criar, fazendo desta uma jornada onde não só oferece um olhar sobre a industria por detrás das mangas mas também vários momentos interessantes.

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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