Em Destaque – Angel Beats!

A minha vontade em criar um artigo para falar sobre Angel Beats! é algo que me assombra há já algum tempo. Tenho pensado em várias ideias sobre como abordar o anime e entregar o mesmo para o público, indo desde a banda sonora num PN Jukebox até uma análise em modos sobre o anime, mas no fundo todas essas opções nunca seriam o suficiente para realmente dizer o que quero, e por outro lado este artigo também não o é porque caso contrário teria que entrar numa zona de spoilers.

Mas para a maioria dos leitores deixarem-se de preocupações, este artigo não vai contar com spoilers, sendo apenas um olhar sobre o anime em geral, fazendo alguns comentários sobre a sua história, banda sonora e tudo mais com o objectivo de vos convencer a ver o mesmo, e para começar vou falar sobre a produção do anime. Ao contrário do que muitas pessoas afirmam, não existe nenhuma fonte oficial que diga que o plano original para Angel Beats! era o de 2 cours, ou seja, 26 episódios. Existe sim vários comentários feitos por Jun Maeda de que o mesmo sentiu que estava com falta de tempo e que 13 episódios não era o suficiente para contar a história que tinha em mente, uma vez que Maeda estava mais habituado a escrever cenários para jogos como Clannad e Little Busters! em vez de animes originais.

Obviamente que estes comentários são o que deu início aos rumores, mas a ideia de que o anime era suposto ter o dobro do tamanho não é nada mais do que uma mentira. Isto acaba por ser suportado pelo facto de Angel Beats! ter-se tornado num projecto multimédia com várias mangas que vem complementar a história do anime e também uma visual novel dividida em seis partes que exploram melhor as personagens da série. Aprendendo com o seu primeiro erro, Jun Maeda já fez um trabalho melhor com o seu segundo anime original, Charlotte, embora numa opinião pessoal Charlotte tal como Angel Beats! necessitava de um pouco mais para poder desenvolver-se a 100%.

SINOPSE

Angel Beats! conta a história de Otonashi que acorda num lugar desconhecido e é imediatamente abordado por alguém que afirma que Otonashi está morto e que se encontra num limbo para jovens adolescentes que deixaram as suas vidas demasiado cedo.

 

Não tendo memória sobre como morreu ou até sobre a sua vida em geral, Otonashi junta-se ao grupo “Afterlife Battlefront” (SSS) que tem como objectivo revoltar-se contra Deus por ter oferecido aos membros do grupo más experiências enquanto os mesmos estavam vivos.

 

O grupo recusa-se assim a levar uma “vida” normal até ficarem sem remorsos e aceitarem o facto de que estão mortos para assim poderem seguir em frente.

Tendo referido anteriormente os rumores de que a série era para ter mais do que apenas uns simples 13 episódios é óbvio que várias partes do anime não tiveram o desenvolvimento que deviam, caso contrário esses rumores não existiriam em primeiro lugar. Os últimos episódios são um pouco apressados em termos de história e pelo menos metade do elenco necessitava de mais atenção para estarem a um nível aceitável. No entanto continua a ser incrível em como o anime conseguiu inserir as suas pequenas story arcs e desenvolvimento para as personagens envolvidas em tão poucos episódios, ficando com vários momentos memoráveis e emocionais devido à maneira em como conseguiu gerir o pouco tempo que tinha com aquilo que apresentava.

Algumas pessoas irão concordar que o anime acaba por repetir algumas sequências num par de episódios, repetindo a mesma piada ao longo do episódio, ou que algumas personagens nunca mudam. Isto é a típica comédia Japonesa e a forma como Jun Maeda constrói os seus cenários (que numa visual novel existe uma maior pausa entre as piadas), daí não me incomodar muito, no entanto existe uma desculpa ainda melhor e que na minha opinião acaba por ser o charme de Angel Beats!, o elenco inteiro é composto pelos idiotas mais incríveis que alguma vez irão encontrar. Estas personagens tem de tudo para justificar qualquer acção que decidem tomar, mas ao invés disso a química entre o grupo funciona de forma perfeita ao ponto de eles viverem a sua morte sem preocupações e a participar em actividades que nunca acabam por ser normais com este bando. Este grupo de idiotas é uma das razões pela qual acabo por regressar várias vezes a Angel Beats!.

Pegando na conversa sobre as personagens, algo curioso é que tanto Otonashi como Hinata são um pouco semelhantes tanto em aparência, personalidade e foco que os mesmos tomam na história, isto deve-se ao facto de que tanto Otonashi como Hinata são os protagonistas de Angel Beats!. Melhor dizendo, Hinata é o protagonista de Angel Beats! Heaven’s Door, a manga que toma lugar antes do anime, enquanto que Otonashi é o protagonista do anime, visual novel e das outras adaptações da série. É interessante ver a forma como “dois protagonistas” interagem entre si, e neste caso é como se ambos tivessem morrido para serem os melhores amigos de sempre, tendo uma das melhores relações que o anime consegue apresentar.

Tal como muitos projectos da Visual Arts Key, a banda sonora de Angel Beats! também é algo a destacar. Neste caso a banda sonora pode ser dividida em duas secções, as músicas que pertencem à banda que as personagens criaram no anime e a típica banda sonora que é conhecida por BGM, independentemente da secção a que pertence, o trabalho foi muito bem feito. As músicas são bastante boas e adicionam ainda mais emoção aos momentos necessários, isto inclui a opening e o ending do anime que acabam por ter um significado extra quando o espectador fica a conhecer certos pedaços da história. Não posso deixar de referir que o ending é um dos meus favoritos tendo em conta as várias emoções que consegue oferecer.

Abordando o assunto da manga, Angel Beats! Haven’s Door é uma prequela que segue Hinata desde o momento em que o mesmo acorda no limbo, imediatamente encontrando Yuri e formando assim o que viria a ser conhecido como a Afterlife Battlefront. A manga foca-se em como as personagens se conheceram e juntaram-se ao grupo, explorando também o passado de algumas que não tiveram tempo suficiente para receberem esse luxo no anime. A visual novel por sua vez viu o primeiro volume ser lançado com o nome de Angel Beats! ~1st Beat~, focando-se nas histórias de Iwasawa, Yui e Matsushita. Os outros cinco ainda por serem anunciados mas em 2016 foi anunciado que a visual novel estava 50% traduzida em Inglês. Durante o Verão do ano passado foi também lançado uma nova manga de nome Angel Beats! -The Last Operation- que serve como “a verdadeira história” sobre a razão pela qual as personagens estão neste limbo.

Basicamente são várias as coisas que me agradam neste anime, Angel Beats! é uma jornada com altos e baixos, momentos felizes e outros tristes e tudo mais o que a vida e a morte nos pode oferecer. A ideia inicial de as personagens já estarem mortas foi o que me atraiu, pois abre as possibilidades para a história fazer algo único e acabei por levar com muito mais do que isso. Por muito que gostasse de exemplificar o porquê, isso iria requisitar vários spoilers e análises extensivas a cada episódio, mas para fazer um resumo mais simples, as personagens são uma parte muito importante. Quem viu o anime não consegue esquecer-se de muitas cenas quer emocionais quer de comédia, juntamente com a forte presença da banda sonora, mas no fundo nada resultaria se este grupo não se estivesse formado, criando assim o núcleo de Angel Beats!.

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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