Coisas sobre Anime [17] – Gacha games

Para esta semana acabo por trazer um tema que está relacionado com uns quantos acontecimentos recentes. A ideia de trocar dinheiro por conteúdo dentro de jogos já existe há um bom tempo, as expansões podem ser um exemplo, mais tarde tornando-se em DLCs, passando pelos jogos free-to-play com as microtransações e terminando agora com o conceito de loot box.

As loot boxes são um conceito que tem começado a ficar mais presentes nos videojogos, algo que não agrada aos fãs. Mas o Japão conta com um formato semelhante que já existe há quase 10 anos e que recentemente tem ficado popular por estas bandas. Estou a falar de Gacha games, jogos maioritariamente free-to-play e que usam um sistema de sorte e dinheiro.

 

– Gacha games –

Não vou explorar muito a história por detrás de gacha games, já que a minha experiência com o “género” não é muita uma vez que apenas recentemente começou a vir para o Ocidente, ou melhor dizendo, a América tem absorvido mais o conceito de Gacha game, enquanto que a Europa ainda anda de pé atrás. Mas tendo em conta os eventos recentes e também o facto de estar a jogar um desses gacha games, acabei por ter a ideia de abordar esse tema.

Basicamente o conceito de gacha game baseia-se em o jogador fazer “rolls” (também conhecido como summons) para receber personagens. Gacha games costumam ter um elemento de jogabildiade por detrás, mas o ponto mais importante é o colecionismo das várias personagens presentes no jogo, sendo que para obter novas personagens é preciso fazer um “roll”. E apesar de haver maneiras de fazer esses rolls sem gastar dinheiro real, é possível comprar crédito extra. Não quer dizer que as probabilidades de receber a personagem que o jogador quer aumentam, mas sim as oportunidades de o fazer.

Outra maneira de receber esse crédito é ao completar missões ou cumprir certos requisitos, mas é necessário guardar um bom número antes de poder gastar numa personagem. Normalmente o jogador pode escolher entre dois tipos de rolls, x1 por uma quantidade menor de crédito, ou x10 por uma quantidade maior de crédito. E o incentivo em gastar mais créditos por um roll de 10 é a probabilidade em sair algo melhor para o jogador, ou a promessa de pelo menos haver um item de nível 4 ou maior.

Provavelmente já ouviram falar de KanColle, Granblue Fantasy, Fate/Grand Order ou até o mais recente Azur Lane. Destes exemplos apenas Fate/Grand Order chegou até ao Ocidente (nomeadamente, América), embora Granblue Fantasy tenha uma versão em Inglês apesar de ter saído apenas no Oriente, ou até KanColle que está mais ou menos disponível em Inglês devido à comunidade que se tem ajudado entre si.

Esses jogos são bastante populares no Japão e também contam com alguns fãs no Ocidente, sendo o ponto de interesse as várias personagens que existem nesses jogos. Fate/Grand Order saiu durante o Verão deste ano e à coisa de semanas atrás comecei a jogar. Normalmente acabo por não gastar tanto tempo com este tipo de jogos uma vez que entro demasiado tarde, mas por agora não perdi muito no que toca a Fate/GO. Estou a referir-me aos eventos limitados, onde uma ou mais personagens ficam disponíveis durante um par de semanas.

Pegando em FGO vou dar o exemplo do evento de Nobunaga que termina esta sexta-feira. O evento de Oda Nobunaga oferece duas novas personagens, uma delas sendo Oda Nobunaga, que é possível obter ao completar a história do evento e outras missões que oferecem pontos. Sendo que Nobunaga fica disponível assim que o jogador chegar a um determinado número de pontos. A outra personagem, Sakura Saber, é apenas desbloqueada através dos rolls, o que por si faz com que os jogadores acabem por ponderar a hipótese de gastar dinheiro para comprar crédito e tentar a sua sorte ao obter esta personagem limitada.

Basicamente os jogos gacha não requerem necessariamente o uso de dinheiro real, mas contam com estes eventos limitados para fazer com que os jogadores ponderem a compra. Acaba por ser menos o jogar algo mas sim o de colecionar todas as personagens que incentiva os jogadores a regressar e talvez gastar dinheiro. No que toca à minha pessoa, neste tipo de eventos tento uma ou duas vezes com o crédito que obti ao completar missões, e se não conseguir a personagem não morro por isso. A não ser que seja uma personagem que queira mesmo, e nesse caso acabo por gastar tudo o que ganhei no jogo até a obter.

A ideia por detrás deste sistema acaba por funcionar porque não impede a jogabilidade, e o facto de o jogo ser free-to-play e as produtoras necessitarem de ganhar dinheiro. E o Japão também presta atenção a estes sistemas e sabe quando meter o pé quando as coisas tornam-se extremamente semelhantes a “jogos de azar” uma vez que é praticamente ilegal no país, excepto casos especiais. Por mim, desde que a jogabildiade seja boa o suficiente, e que tenha uma história interessante, continuo a voltar. Mas o facto é que as personagens são mesmo o brilho do género e o interesse principal até para mim.

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Give me a 5 Star next time!

  • Daniel Silvestre

    Eu ando agarrado ao Fire Emblem Heroes faz tempo e sei bem o que sofro por vezes para abrir coisas se jeito. Felizmente ainda não gastei nada nele, mas sei que tinha bem mais hipóteses se o fizesse : P

    • Silver4000

      Existe rumores que cada conta neste tipo de jogos recebe um tipo de sorte determinada. Eu pelo menos tenho tido a sorte no Fate/Grande Order de receber personagens de nível alto embora não seja as que eu queira.

      Pelo menos o Fire Emblem Heroes não tem permadeath como Kancolle x)