Animes da Primavera 2018 – Openings e Endings

Já faz um mês desde que a Temporada de Primavera 2018 teve início, e esta é a altura mais que perfeita para observar as várias openings e endings dos animes que estão a ser transmitidos durante esta temporada.

Decidi pegar então nos vários openings e endings de alguns animes que estou a acompanhar e que acho que mereçam destaque, discutindo e explorando o que os mesmos oferecem em termos de banda sonora e visuais. Posso ou não ter analisado demasiado e ter visto significados que não estão presentes nestas openings e endings, possivelmente influenciados pela minha vaga interpretação do que está a acontecer, mas é para isso que estes existem não é? Captar o interesse do espectador e levar o mesmo a criar várias teorias sobre o seu significado.

 

 

Openings

My Hero Academia 3

“ODD FUTURE” – UVERworld

Começando logo com as críticas, a animação e a música não combinam muito bem. Existem algumas cenas que se dão bem uma com a outra mas a maioria desta abertura precisava de mais trabalho, em especial pelo facto de a música ser muito lenta e calma para servir como abertura e também para as secções de acção presentes na mesma. Tirando isso existe várias cenas que se aproveitam nesta abertura, e praticamente todas as cenas de acção são óptimas, mas existe algo mais nesta opening.

Explorando um pouco esta opening, o início revela Deku que tendo em conta a sua expressão e o facto de estar a usar o seu fato de herói muito provavelmente vai enfrentar um vilão, Deku então prepara-se para arrancar e enfrentar este possível vilão mas antes de o fazer pensa nos vários momentos da sua vida que o levou até aqui. Desde o momento em que descobriu que não podia ser herói por não possuir um quirk até ao momento que recebeu os seus poderes através de All Might e as várias experiências que teve desde que entrou na U.A., a escola de aspirantes a herói. Ganhando a força e convicção que o fazem continuar a enfrentar os perigos que estão à sua frente, Deku parte então em direção ao vilão.

Esta abertura também com outros significados escondidos, alguns deles que de momento seriam um bocado spoiler para quem está a seguir o anime, mas quem leu a manga deverá notar algumas referências ao que está para acontecer bem como o impacto que as mesmas causam às pessoas envolvidas. Por fim, posso pelo menos destacar a maneira em como a opening termina, de uma forma semelhante à maneira como tem início esta opening termina com Deku a erguer-se e com All Might a surgir por detrás do mesmo, apresentando assim a relação entre ambos e o facto de Deku querer estar ao nível de All Might.

 

Darling in the FranXX

“Kiss of Death” – Mika Nakashima x Hyde

Darling in the FranXX recebeu uma nova abertura e tal como a primeira esta conta com informação que apenas vai fazer sentido após um certo número de episódios. A música continua a ser a mesma e o seu significado já foi esclarecido no anime com a primeira metade de episódios, mas agora a história entrou numa nova arc com novos mistérios e situações à espera de serem desenvolvidas. No entanto o primeiro episódio que teve esta nova abertura ofereceu algum contexto para começar-mos a especular sobre o significado de várias cenas que vemos presentes durante esta opening. Acredito que com o tempo os segredos desta aberturas irão ser revelados.

Pondo tudo isso de lado e focando-me na animação e visuais, gostei da transição do vermelho para azul que esta abertura fez. O vermelho na primeira abertura dava a sensação de ser sangue que de vez em quando era misturado com rajadas de azul que apareciam do nada (quem viu o anime até agora deverá entender este significado), a primeira abertura também continha cinzento que a meu ver devia de representar memórias mas é algo que não consegui identificar. Desta vez a nova abertura substitui essas duas cores por um azul que tanto representa água como a cor do céu.

Os elementos de água estão presentes durante esta abertura, dando a impressão de que algo poderá acontecer às personagens em termos de “estarem a afundar-se” (tal como é visualmente indicado com 002 a afundar-se), que acaba por ser uma metáfora para quando uma personagem está a ficar sobrecarregada com preocupações ou outras coisas que estão a acontecer na sua vida, levando à personagem a ceder à pressão e sucumbir. Por outro lado o aspecto do céu oferece a ideia de liberdade, que é acompanhado pelas personagens a saltarem alto como se estivessem a voar, algo que tem vindo a ser um tema no anime. São interpretações que irão ficar mais claras à medida que a nova história do anime vai avançando.

 

Persona 5 The Animation

“Break in to Break Out” – Lyn

Tanto gosto como desgosto da opening de Persona 5 The Animation. Esta opening tem momentos bastante bons e outros momentos que apenas são péssimos, isto falando da segunda versão que muito provavelmente deve ser a versão definitiva da abertura, a não ser que a A-1 Pictures queira mudar de animação a cada dois episódios.

Falando das coisas boas, a abertura faz um bom trabalho (e talvez bom demais) com o foreshadowing, e alguns elementos visuais funcionam bastante bem. Infelizmente não posso dizer muito porque na sua maioria não oferece grande coisa em termos de animação e visual, sendo que o destaque é mesmo a música que tal como é habitual na série Persona, está óptima. Provavelmente não está ao nível da abertura do jogo que tem mais classe, mas continua a ser uma das melhores músicas desta temporada.

 

Wotakoi

“Fiction” – Sumika

Como não podia deixar de ser, qualquer história sobre otakus tem que ter referências a videojogos na sua abertura, e honestamente esse é ponto baixo na opening de Wotakoi, mas existe algo melhor por detrás das referências a videojogos. Felizmente Wotakoi não dedica imenso da sua abertura a repetir o que vários outros animes com o mesmo tema já fizeram, focando-se no mais importante, as personagens.

A opening mostra as personagens no seu dia-a-dia, ou mais propriamente, quando estão a trabalhar durante o dia e depois quando tem tempo livre para os seus hobbies e para estarem juntos com amigos a descontrair depois de um dia árduo de trabalho. Algo que aprecio imenso nesta opening é a palete de cores usadas e as transições feitas, que juntamente com a animação fluída das personagens a “dançar” faz uma excelente combinação. O significado desta opening acaba por ser o de não haver grande problema para um adulto ter anime ou videojogos como hobby, sendo apenas uma fonte de entretenimento para o seu tempo livre e que ninguém se deve preocupar com o que os outros pensam.

 

Endings

My Hero Academia 3

“Update” – miwa

Honestamente preferia que o ending fosse composto apenas pelos momentos iniciais que mostram os vários sketches do processo de animação pois acho isso mais interessante, por outro lado este ending faz algo deveras interessante para quem está familiarizado com a série. Não é estranho alguns animes simularem o facto de serem uma adaptação de uma manga nos seus endings ou openings, um dos endings para Dragon Ball Super faz isso de uma maneira excelente, e Monthly Girls Nozaki-kun também simula um pouco desse aspecto na sua abertura.

Neste caso My Hero Academia simula as bandas desenhadas Americanas com heróis, uma vez que o autor tomou inspiração a partir disso para criar a manga. As personagens não estão em poses espectaculares mas sim no seu dia-a-dia, o que acaba por ser uma oportunidade desperdiçada mas tendo em conta a música que acompanha o ending é descontraída e alegre isto acaba por funcionar bem. Mas se no futuro o anime vier novamente com a mesma ideia, gostaria de ver este formato com cenas de acção, aliás existe um momento assim durante o ending e apenas demonstra o quão bom podia ser, pois o mesmo até tenta simular o tom das cores que estão presentes em banda desenhada.

 

Hinamatsuri

“Sake to Ikura to 893 to Musume” – Yoshifumi Nitta (Yoshiki Nakajima)

Caso não tenham reparado, sim, este ending é cantado pela personagem Nitta (mais propriamente o actor que está a dar a voz, Yoshiki Nakajima) e esta é uma das razões pela qual aprecio este ending. Os visuais e a música andam de mãos dadas, sendo que este ending é basicamente Nitta (possivelmente num karaoke qualquer) a cantar sobre a comida favorita de Hina (ikura tal como está no nome da música) o que acaba por ser ainda mais hilariante. Não existe muito a dizer sobre este ending tendo em conta que combina perfeitamente com a comédia da série e é mais do que perfeito.

 

Megalo Box

“Kakatte Koi yo” – NakamuraEmi

Algo que Megalo Box tenta recriar é o aspecto dos animes dos anos 90 e início de 2000, conseguindo-o fazer de uma boa forma, e isso é reflectido no ending. Não existem grandes visuais que chamam à atenção, sendo apenas os típicos créditos finais que estão acompanhados por neons e uma boa música. O aspecto simplista e antigo dos créditos funciona bastante bem, e algo engraçado é que os neons acompanham a música, dando mais brilho ou piscando conforme a posição na qual a letra se encontra. Por fim, tal como já referi a música é boa em especial os vocais que acrescentam imenso a este ending.

 

Persona 5 The Animation

“Infinity” – Lyn

Infelizmente o que eu sinto em relação ao ending de Persona 5 The Animation é igual à minha opinião sobre a opening, é boa mas é má. Pondo de fora o ponto óbvio, a música é boa e não há como discutir isso, mas o resto é que acaba por ser o problema. Aprecio o facto de usarem a animação de quando se termina uma batalha no jogo neste ending para apresentarem uma pequena preview do próximo episódio, embora nem seja claro o que vai acontecer (“recommend” ???). O meu problema é mesmo a decisão de metade deste ending ser apenas as personagens a caminharem de forma lenta, pior ainda é não estarem a mostrar todas as personagens que fazem parte do grupo. Eu gosto de ver Morgana a saltitar em câmara lenta, mas podiam fazer algo melhor com isto.

 

Creatures Family Days

“Haru ni Ochite” – Kano

O ending de Creatures Family Days é bastante simples mas faz o seu trabalho ao absorver o tema do anime, a família. Dado o passado das personagens estas acabam por dar mais importância umas às outras, vivendo o seu dia-a-dia de forma normal (ou o mais normal possível) e preocupando-se com a felicidade um dos outros. Este ending acaba por demonstrar que mesmo se metade da família foi vítima de experiências que as tornaram em híbridos de humanos e animais/plantas que não passam de adolescentes normais e de uma família feliz sem problemas, apesar de “serem diferentes”.

 

Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online

“To see the future” – Karen Kohiruimaki (Tomori Kusunoki)

Os visuais para este ending são dos melhores desta temporada, com cores coloridas que tem um bom contraste e a transição de Karen para LLENN é bem feita. Basicamente o ending explora os sentimentos de Karen para com o seu avatar de Gun Gale Online, mostrando o quanto LLENN faz parte da sua vida agora e a felicidade que a mesma tem tanto na vida real como a jogar enquanto LLENN com as pessoas que acabou por conhecer. É algo simples mas que oferece um tom positivo para o facto de os videojogos não serem maus para as pessoas (tanto no mundo do anime como no nosso mundo), mostrando que podem ajudar pessoas a crescer e a conhecer novas pessoas que irão fazer parte da sua vida.