Animes da Primavera 2018 – Megalo Box

A nova temporada de anime já tem algumas semanas, e com isso a regra dos três episódios começa a ter efeito. Desta vez decidi pegar em Megalo Box e avaliar os dois primeiros episódios (livre de spoilers), a fim de falar um pouco sobre a impressão inicial que o anime oferece, bem como o que a sua história e personagens nos tem para contar.

Megalo Box é um anime original e está disponível em Crunchyroll (não em Portugal), foi confirmado que vai ter 13 episódios.

Algo que imediatamente ganhou a minha atenção foi o visual e animação do anime, juntamente com a música que me deixou com uma boa impressão. Quem tiver nascido durante os anos 90 ou antes então estará a olhar para algo familiar a nível artístico que faz lembrar animes como Cowboy Bebop e Samurai Champloo, e a direção que Megalo Box decidiu seguir certamente dá essa impressão. O anime toma o seu tempo para explorar as personagens e quando chega a altura consegue oferecer aqueles momentos explosivos que todos querem ver.

Megalo Box vem comemorar o 50º aniversário de Ashita no Joe numa reimaginação com novas personagens num novo setting e sem relações com o anime original. Megalo Box é um anime onde boxing já não é o mesmo e “Junk Dog”,  o nosso protagonista, tem um grande amor por boxing, participando em várias lutas de megalo box mas com um pequeno problema. Junk Dog é obrigado a perder combates a fim de manipular apostas, algo que não cai bem com a personagem, mas o mesmo não tem solução pois não está praticamente a viver de forma legal no país. Vivendo os seus dias cheios de frustração pois sabe que consegue fazer melhor e facilmente vencer os vários adversários que tem de enfrentar no ringue.

A ideia por detrás de “megaloboxing” é a de os participantes usarem braços mecânicos em lutas de boxe. Estes braços mecânicos não vem substituir os braços normais mas sim suportar com extensões mecânicas, continua a ser boxing normal mas o facto de haver um elemento extra abre as portas a algo novo que possa acontecer, pois cada participante possui equipamento diferente e ao mesmo tempo deixa a questão do que o que poderá acontecer se uma personagem com braços totalmente mecânicos entrar no ringue.

Enquanto que o primeiro episódio focou-se mais no protagonista e a sua corrente situação, mostrando o quanto o mesmo quer deixar os combates ilegais, o segundo decidiu focar-se na acção, mostrando uma das várias lutas que o anime nos vai apresentar ao longo deste percurso. Tenho a dizer que os dois primeiros episódios não desapontaram e serviram perfeitamente para me deixarem ansioso pelo resto do anime, embora o pequeno número de episódios e o facto de ser original levam-me a perguntar se vamos ver algum tipo de conclusão, ou se o pacing será um problema. Mas espero que o ar que os dois primeiros episódios oferecem que se mantenha durante o resto da história, que poderá tornar-se em algo recomendável ou apenas num anime de boxing que os fãs de animes dos anos 90 irão gostar.

Como disse inicialmente, uma das coisas que me chamou logo de imediato foi a banda sonora. Existem bons momentos que tanto a música como a direção tomada me fizeram recordar Samurai Champloo ou até o mais recente Blood Blockade Battlefront, e certamente é uma das minhas coisas favoritas que um anime pode fazer, pois essa sensação é bastante única e poucos a conseguem reproduzir, em especial tendo em conta que Nujabes já não está entre nós. Tirando isso, tanto a opening como o ending estão bons, mas a minha preferência recai no ending tanto a nível sonoro como visual.

Por fim, uma das queixas por parte de alguns espectadores é o facto de o aspecto do anime não estar limpo quando comparado com Ashita no Joe por exemplo. Não falo da animação mas sim do aspecto visual do mesmo, que numa palavra Portuguesa que muitos irão entender, parece estar com “formigas”. Foi confirmado que esta é uma decisão que o estúdio tomou para dar um ar antigo à série sem ter que usar vários efeitos no ecrã, e honestamente é algo que me agrada e não me incomoda pois alcança esse objectivo de forma perfeita. O anime tem mesmo um ar de ser dos anos 90 e na minha opinião combina bem com o tipo de história que Megalo Box é.