Análise – Yu-Gi-Oh! Millenium Duels

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Conheci “Yu-Gi-Oh!” como um anime quando ainda era um catraio e logo a seguir entrei no TCG da série. Durante 3 ou 4 anos ninguém me separava do Barrel Dragon, no entanto com o passar do tempo, acabei por deixar a série completamente até que este jogo chegou. Esta análise é sobre as características deste jogo, não sobre as regras e funcionamento do TCG que se aplicam a este jogo na íntegra.

O primeiro contacto com Yu-Gi-Oh! Millenium Duels dá-se por uma imagem que representa as primeiras 4 temporadas do anime, sendo que a quinta já está no ar por terras do Sol Nascente. O jogo inclui dois modos, o de história onde existem cada uma das 4 temporadas e fazem 20 duelos contra personagens das respectivas temporadas. Esses duelos são feitos em 4 torneios em modo de escada, com um total de 5 duelistas adversários por cada um desses semi-torneios. Existe um modo online, onde podemos combater contra outros jogadores em partidas amigáveis, de rank, ou em tag team 2 vs 2.

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Caso sejam novatos neste TCG, o jogo proporciona alguns tutoriais básicos. O jogo online está sujeito aos servidores que vão constantemente abaixo, por isso é raro conseguir acabar um duelo.

Antes de podermos entrar em combate, somos obrigados a escolher um avatar, estes avatares vão desde lutadores genéricos presentes em antigos jogos da série até às personagens do anime como Yugi. No entanto, esta escolha torna-se insatisfatória pois o número de avatares é extremamente reduzido.

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Algo que qualquer um nota ao jogar é que o deck inicial é bastante pobre, tendo em vista os decks dos adversários. Para desbloquear mais cartas temos duas opções: repetimos vários combates contra o computador no modo história ou compramos cartas em formato de DLC. A pior parte é que existem cartas que estão bloqueadas e apenas acessíveis através de DLC havendo outras que se podem obter pelos dois métodos.

Algo que também acaba por ser bastante dado á sorte, são as cartas que ganhamos após o combate, que são completamente aleatórias, não dependendo do duelista com quem estamos a lutar, por isso tanto podem sair cartas boas como más.

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No total são 6000 cartas para coleccionar e este número poderá aumentar devido aos DLC. Temos uma opção para fazer o nosso próprio baralho, e em caso de falta de conhecimento mais profundo sobre o jogo, podemos usar as recomendações que nos são dadas.

Em adição ao deck normal, existem também cartas especiais vindas das várias temporadas, estas cartas estão num deck à parte com um máximo de 15 cartas. Este contém cartas que só podem ser chamadas para o campo de batalha caso sejam cumpridos os requisitos nelas descritos, por exemplo vindos da série Zexal temos os monstros XYZ, estes só podem ser chamados sobre certas condições, sacrificando dois monstros que são usados como tokens para a habilidade especial da carta em questão.

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Durante os duelos existem 5 fases, e é aqui que se encontra um dos elementos mais chatos do jogo, caso exista em jogo uma carta com um efeito secundário que possa ser activado por nós, o jogo bombardeia-nos com uma mensagem a perguntar se queremos activar o efeito, é natural que seja necessário esta pergunta mas um quick time event teria sido uma escolha mais acertada. Se o combate for online, este POP UP constante faz com que o duelo se prolongue por muito mais tempo do que o necessário, quebrando mesmo o ritmo do jogo.

Outro grande problema de Yu-Gi-Oh! Millenium Duels no modo single player é a aleatoriedade disfarçada. O que quero dizer com isto é que cada adversário tem um deck com uma ou duas estratégias fixas e o deck está viciado de forma que o adversário tem sempre as estratégias todas na mão. Uma maneira fácil de ver isto é utilizar cartas que deixem ver a mão do adversário, e com a repetição de combates consegue ver-se isso mesmo. Por exemplo, num dos duelos, o meu adversário no início do combate ou muito cedo no jogo tinha sempre na mão as suas cartas mais poderosas. Enquanto o nosso baralho é completamente aleatório.

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A dificuldade nos duelos não está bem nivelada tendo em conta que somos obrigados a seguir uma ordem fixa baseada na cronologia do anime e das suas séries, começando com a primeira série e acabando no Zexal. Seria de esperar uma curva de evolução, no entanto temos sempre 3 combates demasiado fáceis seguidos de 2 extremamente complicados; especialmente no inicio do jogo onde não temos cartas suficientes para criar uma estratégia avançada, vamos ser obrigados a repetir os mesmos 4 duelos vezes sem conta até que tenhamos a sorte de vencer Maximillion Pegasus o primeiro “boss” do jogo.

A banda sonora do jogo é composta por meia dúzia de músicas umas mais mexidas que outras, mas que entram em loop muito depressa, e durante os duelos torna-se chato estar a ouvir uma música em loop com menos de 1 minuto repetidamente durante os 10 a 15 minutos que um duelo contra o computador demora, ou de 20 a 40 minutos no caso do modo online.

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No geral, Yu-Gi-Oh! Millenium Duels é um jogo bem conseguido que se foca exclusivamente nos duelos. Ainda assim, não está tão bem adornado como deveria uma vez que existem falhas no modo online, a música parece feita para endoidecer o jogador com o passar do tempo, e a menos que passemos horas a combater contra os mesmos adversários para ganhar cartas capazes de formar um baralho com estratégia, não vamos a lado nenhum. Espero que certos aspectos sejam corrigidos num futuro jogo, pois Yu-Gi-Oh! é um TCG que merece um jogo espectacular.

Positivo:

  • Fiel ao TCG
  • Mais de 6.000 cartas por onde escolher
  • Fácil mobilidade nos menus de jogo
  • Boa apresentação
  • Modo tag-team é excelente com amigos…

Negativos:

  • … Quando os servidos não vão abaixo
  • POP UP para activação de efeitos de cartas
  • Combates contra IA viciados?
  • Dificuldade em ganhar novas cartas para construção de um deck com estratégia
  • Cartas bloqueadas a DLC

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Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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