Análise – Yo-kai Watch 3

  • Plataformas: Nintendo 3DS
  • Versão de Análise: Nintendo 3DS
  • Informação Adicional: Imagens retiradas do trailer oficial do jogo.

A série Yo-kai Watch tem estado ao rubro desde 2013, com o Ocidente a conhecer a mesma pela primeira vez apenas há dois anos atrás. Entretanto não só foram lançados novos jogos como também adaptações anime, manga e até spin offs. Agora que o Ocidente está a por-se em dia com o número de lançamentos no Japão este ano não só vimos Yo-kai Watch Blasters mas também uma nova entrada na série principal mesmo a tempo de o próximo jogo sair no Japão e na nova consola da Nintendo.

Entretanto a Nintendo 3DS tem a oportunidade de ver um último título da série, sendo este título Yo-kai Watch 3, e antes de continuar é necessário esclarecer algo. No Japão Yo-kai Watch 3 foi lançado em duas versões diferentes “Sushi” e “Tempura”, mais tarde recebendo uma terceira com o nome de “Sukiyaki” que apresentava algumas novidades. Tal como é habitual neste tipo de jogos, como por exemplo a série Pokémon, as únicas diferenças são alguns dos Yo-kai que aparecem em ambas as versões, desde os comuns até aos raros, com a terceira versão a incluir algumas novidades como mais conteúdo pós-jogo e actualizações das versões anteriores.

No Ocidente por outro lado foi tomada a decisão de juntar as três versões num pacote só, ou seja, em vez de terem três jogos em separado vão contar com um jogo apenas que apresenta o conteúdo dos três jogos. Isto não é feito da maneira onde selecionam uma versão no menu principal mas sim havendo apenas uma cópia do jogo que é baseada na versão “Sukiyaki” e que inclui os elementos das outras duas versões.

Apesar de a série ser constantemente comparada a Pokémon devido ao seu sub-género “collect-a-thon”, pessoalmente diria que está mais perto da série Megaman Battle Network/Star Force devido a vários motivos. As missões secundárias que estão presentes para além da história principal, a grelha de combate 3×3 (que é uma adição a este novo jogo) e até a máquina gachapon que oferece um item ou Yo-kai aleatório. Para adicionar ainda mais lenha ao lume, a história deste jogo começa com o protagonista dos jogos anteriores a mudar-se para outro local.

Tal como nos jogos anteriores existe a opção de jogar como um rapaz ou rapariga, excepto que desta vez duas histórias diferentes estão a decorrer em paralelo. Com o protagonista original os jogadores vão explorar a nova cidade de BBQ City (basicamente América) e conhecer “American Yo-kais” e novas situações. Enquanto que a nova personagem, uma rapariga, está na velha cidade que todos já conhecem e acaba por encontrar os Yo-kai pela primeira vez.

A início ambas as histórias são separadas uma da outra, sendo possível trocar de personagem a qualquer altura, mas a um certo ponto as histórias interligam-se e os dois protagonistas necessitam de juntar-se para enfrentar um mal comum. Infelizmente grande parte da história está mais dirigida para o público mais novo, sem apresentar grandes indicações de estar a puxar pelos fãs mais velhos e que queiram tirar partido da série para além do elemento de coleção de Yo-kai.

A jogabilidade sofreu algumas mudanças, agora os Yo-kai ficam presentes numa grelha de 3×3 e o inimigo também. O jogador pode mover até três Yo-kai na grelha e posicionar os mesmos perto uns dos outros para activar efeitos adicionais. O resto do combate continua igual, com os Yo-kai a agirem de forma independente e a caber ao jogador de activar habilidades especiais e semelhante através de minijogos. Estes minijogos são diferentes dos anteriores mas são poucos, necessitando de algo mais em termos de variedade. Outro aspecto a notar é o de os ataques especiais demorarem imenso tempo a activar, não havendo opção para desactivar esse aspecto do jogo.

É complicado dizer se esta nova abordagem ao combate é melhor ou não quando comparado com os jogos anteriores. O combate é um pouco lento devido a haver demasiados “cooldowns” entre as acções de cada Yo-kai, e ter que assistir às personagens lutarem automaticamente e apenas quando lhes apetece não é divertido. Tendo em conta que o combate foi modificado um pouco seria melhor se o ritmo do mesmo tivesse também aumentado, fazendo com que o jogador fique mais investido no mesmo.

Os jogadores podem colecionar Yo-kais após terminarem uma batalha embora isto continue a depender da sua sorte, enquanto que fora de combates é possível usar a máquina gachapon para tentar a sorte a obter um novo Yo-kai. Por esta altura seria de esperar que a série contasse com uma mecânica diferente para ajudar os jogadores a colecionar os vários Yo-kai, mas infelizmente continua tudo a depender de sorte e para colocar mais sal na ferida, alguns Yo-kai são exclusivos da máquina gachapon, onde é necessário gastar medalhas que encontram no jogo ou as que ganham ao passear com a 3DS no modo de descanso. Para um jogo onde o colecionismo é importante a produtora bem que se esforça em arranjar vários métodos não convencionais para o completar.

Fora do combate não existe grandes mudanças na fórmula. O jogador pode aceitar missões secundárias, participar no mais variado número de minijogos e até combater online contra outros jogadores. Alguns desses minijogos como o “Yo-kai Watch Blaster” receberam umas melhorias, e novidades como “Build-a-Nyan” marcam presença, permitindo ao jogador criar um Yo-kai e até alterar a aparência do mesmo. Este minijogos são bem vindos pois demonstram que a Level-5 está interessada em oferecer mais para além do jogo principal que rapidamente poderia tornar-se monótono.

Algo que tenho a apontar é a localização do jogo. Continua a não haver uma opção para o Português e a versão Inglesa tenta recriar com demasiada força alguns sotaques Americanos, sendo por vezes impossível de decifrar o que algumas personagens estão a dizer. Uma coisa que não fez muito sentido foi o facto de a maioria dos nomes ter sido localizada do Japonês para Inglês mas alguns desses nomes continuarem a ser o original Japonês como “Usapyon” (Usa = coelho, Pyon = onomatopeia para o som que os coelhos fazem). Seria melhor se a equipa tivesse optado por uma ou outra em vez de misturar as coisas, em especial quando mandam o jogador ir até um certo lugar mas o nome correcto não aparecer no mapa.

Em termos técnicos o jogo tem um bom aspecto, em especial após ter jogado Yo-kai Watch Blasters que sofria um pouco nesse partido e também tendo em conta que a Nintendo 3DS está no seu ciclo final de vida. Quanto à banda sonora, esta não tem grande coisa de destaque, por vezes mostra possuir algo bom mas na sua maioria nunca chega a criar impacto. Já o design dos Yo-kai é fácil de se notar quais tiveram mais atenção que o outros, com alguns a serem bastante “meh” à falta de um objectivo melhor.

Tendo em conta que existe uma nova protagonista nesta história, acho melhor abordar um pouco ambas as personagens principais. O herói que já todos conhecem acaba por ser um pouco melhor que a nova convidada, embora na sua história ele acabe por insistir sempre que se algo está mau então a culpa é dos Yo-kai, ao ponto de se tornar uma piada que as outras personagens fazem. A nossa heroína por outro lado não é uma das melhores. É verdade que é uma criança, mas é uma criança que parece não saber nada do mundo onde tudo é “super-hiper-mega-ri-fixe” e que facilmente cai por qualquer coisa que lhe seja dita, chegando ao ponto de basicamente ter sido enganada (subornada) com um brinquedo para procurar por Yo-kai.

Basicamente a série não mudou muito para além da jogabilidade, continuando a mesma coisa que os fãs irão lembrar-se desde o primeiro jogo. As habituais expectativas estão presentes, com uma certa quantidade de minijogos para entreter o jogador, e a grande onda de Yo-kai que é possível colecionar desde que a sorte esteja do vosso lado.

Se foram fãs dos jogos anteriores então este é mais um jogo a adquirir, caso contrário a única razão pela qual o poderia realmente recomendar é as actividades extra que estão presentes e para olharem para a história principal e coleção de Yo-kai como um extra. Pelo menos agora torna-se ainda mais evidente o porquê de a Level-5 ter criado um jogo a solo baseado no modo “Yo-kai Watch Blasters“.

Positivo:

  • Actividades extra interessantes
  • Bons gráficos para uma consola que já começa a ficar gasta

Negativo:

  • História apela apenas ao público mais novo
  • Algumas personagens não são das melhores
  • Coleção de Yo-kai é baseada em sorte
  • Localização do jogo não é muito amigável

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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