Análise – YAKUZA 6: The Song of Life

Este capítulo da série Yakuza traz consigo as aprendizagens de mais de uma década de jogos da série, utilizando-os para contar o derradeiro capítulo da série no que diz respeito a Kiryu. Aquilo que podem esperar desta aventura que nos leva de volta a Kamurocho é um aperfeiçoar das mecânicas já conhecidas com algumas novidades pelo meio e uma boa história que volta a colocar o clã Tojo ao barulho e não só.

Kamurocho é uma das cidades que vamos explorar e serve como a metrópole que nunca dorme, seja qual for a hora do dia tudo nesta cidade está em funcionamento. Kamurocho tem imensas actividades para serem realizadas conforme o gosto de cada jogador, desde Karaoke, dardos e live-chat até um cat-cafe e o clássico club SEGA que desta vez não tem apenas clássicos nas suas arcadas, podem mesmo jogar partidas simples do mais recente Puyo-Puyo e ate o modo arcada de Virtua Fighter 5 Final Showdown. Existem mesmo muitas actividades para complementarem a narrativa principal e se gostam de Yakuza de certeza que estas vão fazer parte integrante da vossa aventura, apesar de serem praticamente opcionais.

Yakuza 6: The Song of Life optou por adicionar ainda mais algumas actividades como treinar uma equipa de baseball e uma espécie de jogo de estratégia de gangs onde enviamos vários soldados para defrontarem vários inimigos. É um pouco ridículo termos que comandar tropas para derrotar inimigos que Kiryu destruiria ao pequeno almoço mas sempre é um modo que pode ser explorado online contra outros jogadores e permite alguma evolução se forem dedicados assim como uma história complementar.

Mas estas são apenas as actividades opcionais que complementam uma narrativa bastante interessante. No centro da história estão Haruka, Kiryu e a nova personagem: Haruto. Este novo personagem é um bebé que fica ao cuidado de Kiryu depois deste sair da prisão, onde passou os últimos três anos para pagar pelos crimes do seu passado. Através dessa pena, Kiryu quer limpar o seu cadastro e assim viver o resto dos seus dias junto da família que criou, no entanto ao ficar encarregue de Haruto depois de um terrível acidente que deixou Haruka  num coma, Kiryu quer descobrir o pai de Haruto e o que realmente se passou com Haruka, começa assim uma demanda que o vai levar de volta a Kamurocho e às intrigas dos Yakuza.

A narrativa está novamente dividida em capítulos e durante bastante tempo limita o local a explorar. Como já disse o jogo leva-nos de volta a Kamurocho e também a Hinomishi em Hiroshima. Estas cidades são contrastantes, enquanto Kamurocho é uma metrópole repleta de luzes e vida, a outra é uma cidade rural que vive do negócio das pescas e apesar das paisagens mais naturais e um ambiente mais calmo continuam a existir imensas actividades. Hinomishi é onde vão conhecer algumas das personagens mais carismáticas e é também o local onde vamos ter acesso pela primeira vez a dois mini-jogos que vão fazer parte da história, os já mencionados Baseball e luta de gangs.

A história principal é interessante e acaba por nos colocar em algumas situações bastante peculiares como já é hábito da série. O principal acaba mesmo por ser ir de ponto A a B para resolver o objectivo imediato, pelo caminho é normal existirem trocas de murros e algumas paragens em restaurantes para restabelecer a vida e não só. Como em qualquer jogo de Yakuza é a mistura entre o ridículo e o sério que faz com que seja uma experiência tão única que acaba por ser apenas dirigida a certos tipos de jogador, nomeadamente aqueles que apreciam o estilo de vida nipónico. Yakuza 6 é um pouco mais acolhedor do que os restantes jogos de Yakuza para novatos na série, o que por si só é bastante estranho uma vez que este é o encerrar de um capítulo.

Em Yakuza 6 o sistema de evolução de Kiryu é um pouco mais trabalhoso do que o normal. Ao invés da existência de pontos de experiência que servem para tudo, existem agora várias categorias individuais de pontos que vão acumular e posteriormente gastar ao comprar upgrades. Praticamente todas as acções no jogo vos dão pontos, desde jogos arcade, comer uma certa refeição, lutar e cumprir objectivos de história. Onde existe um maior controlo sobre que pontos que queremos, é nas refeições. Conforme a refeição, assim têm um bónus de um certo tipo de pontos, mas só até estarem saciados, depois desse ponto, comer apenas serve para recuperar saúde.

O combate por outro lado foi simplificado. Ao invés de termos vários estilos e ir trocando entre eles, Kiryu só tem que se preocupar em esmurrar inimigos de forma eficaz, o que normalmente resulta no jogador descobrir que pode fazer o que quiser desde que agarre e atire os inimigos para longe enquanto os rodopia, derrubando assim o grupo de inimigos que nos tenta encurralar. No entanto há uma mudança muito bem-vinda, já não existem loadings entre o início do combate e o combate em si. Agora é uma transição natural e a melhor parte é que podemos levar a luta para onde quisermos, desde as ruas até ao interior de uma loja onde a cabeça dos inimigos serve perfeitamente para esvaziar as prateleiras de um super-mercado. Acabam por nos dar algo e retirar algo deste sistema, pessoalmente gosto das novas adições mas preferia que tivessem mantido o sistema de poses, sempre existia mais variedade.

Um aspecto bastante mau do jogo são as animações durante cinemáticas. Existem dois tipos de cinemáticas, as realmente importantes com bastante atenção a todos os detalhes e as secundárias que apesar de usufruírem agora de diálogos falados, estão extremamente mal executadas. Animações básicas e o olhar fixo dos intervenientes são apenas algumas das características mais estranhas destes diálogos que compõem grande parte do que vão ver no jogo.

Na sua apresentação geral é um jogo que não espanta a nível gráfico mas compensa com a atmosfera que consegue criar. A banda sonora que acompanha o jogo está muito bem escolhida e as vozes, que estão apenas disponíveis em japonês, são também de boa qualidade.

Como um todo é uma aventura que deixa um pouco a desejar tendo em conta o percurso da série. Apesar de ter aprimorado alguns dos aspectos ao longo dos anos também acabou por vir a perder algum impacto, é sempre divertido entrar neste mundo repleto de actividades com uma narrativa interessante mas este não é de todo representativo do melhor que Yakuza tem para oferecer.

Positivo

  • Narrativa
  • Actividades secundárias variadas
  • Ambiente
  • Sistema de combate sofre melhorias…

Negativo

  • … mas também sofre alguns revés
  • Cinemáticas secundárias com apresentação muito fraca
  • Modo online está lá apenas para encher, não oferece bom conteúdo

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

More Posts

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?