Análise – WRC 7

 

No ano passado, WRC teve finalmente competição à altura com Dirt Rally, ficando numa posição de cheque, onde tinha de dar muito mais do que tinha para competir. Em modo relâmpago, a Codemasters voltou a responder com DIRT 4 e a luta continua para este ano.

Quando analisei a versão do ano passado, não pude deixar de destacar várias falhas que me deixaram bastante desapontado com WRC 6 e levantaram uma série de preocupações para o futuro. Para piorar, o meu primeiro impacto com WRC 7 foi em remote play na PS Vita, onde o visual e a jogabilidade pareceram ainda piores. Durante uns dias, fiquei com uma imagem terrível do jogo deste ano na cabeça.

Foi finalmente a jogar WRC 7 na PS4 Pro com tempo que comecei a ver que na realidade o jogo deste ano está bem melhor em todos os aspectos e até deixou cair em parte o chavão das competições ao estilo eSports para segundo plano.

 

WRC 7 não adicionou grandes modos para este ano, aliás, até parece um pouco mais despido de opções de jogo, no entanto, tem cá quase tudo aquilo que é preciso, como a carreira, modos competitivos locais e online, desafios temporários, entre outras coisas mais simples e directas. Mesmo com um comentador de menu, este é um jogo que explica pouco e deixa o jogador explorar e jogar sem grandes restrições.

Como fã de partidas mais ocasionais, fiquei satisfeito com o modo Quick Race que me deixou correr em qualquer pista, com qualquer carro e com variações climatéricas. Como os traçados são baseados nas localizações reais, existe uma boa variedade não só de terrenos como de cores e tonalidades. Competir em Monte Carlo é certamente diferente de correr em Portugal ou na Austrália.

Curiosamente, senti que WRC 7 estava ainda mais próximo da condução arcada do que da simulação. Isto é claramente visível em pistas mais complicadas, onde o carro parece fugir pouco menos no gelo do que em terra solta. É verdade que se sente as diferenças no terreno e nas transições, mas nunca tanto quanto deveria ser. Desligar as assistências ajuda um pouco a conferir mais realismo, mas tal não deveria ser necessário.

A maior diferença nos tipos de condução está ligada aos carros. Conduzir com qualquer uma das várias classes apresenta um desafio gradual sempre que passam para carros com maior potência. Os carros menos potentes são mais fáceis de guiar e controlar em qualquer superfície, enquanto os mais poderosos são facilmente tramados nas contra-curvas.

No que toca à fluidez, posso finalmente dizer que grande parte das quebras de fluidez do ano passado foram corrigidas. O jogo corre com uma boa fluidez, especialmente quando jogam com a vista do capôt, que é a minha preferida. A vista com o carro presente é a que dá a menor sensação de velocidade, além de se aproximar estranhamente do carro quando travam.

Com o primeiro impacto visual que tive na PS Vita, WRC 7 parecia feio e esborratado, mas a jogar na PS4 Pro fiquei muito mais satisfeito. As pistas apresentam um bom desenho em distância, existem mais detalhes do que nunca na berma da estrada e os efeitos de luz como o sol a passar entre as árvores oferecem uma experiência bastante positiva. O detalhe dos carros é sem dúvida o melhor, estando todos muito bem recriados. Como é óbvio, WRC 7 ainda continua a sofrer de algumas inconsistências visuais em certas pistas e apanhei alguns bugs bastante estranhos.

WRC 7 é um jogo que procura pouco dar música ao jogador, deixando isso a cargo dos carros, que parecem muito melhores este ano. O som abafado de que me queixei no ano passado já não é tão notório. As indicações do co-piloto continuam a funcionar bem e estão tão boas como seria de esperar.

Mesmo que longe da perfeição, WRC 7 entra ao serviço com consciência de que precisava de fazer mais e melhor para se aproximar da concorrência. Ainda existe aqui muito trabalho para fazer, mas já voltei a sentir aqui o espírito de adrenalina que os WRC de antigamente ofereciam, o que é muito bom sinal.

Positivo:

  • Licenças oficiais
  • Pistas mais detalhadas
  • Boa recriação dos carros
  • Modos simples e directos

Negativo:

  • Visual ainda inconsistente
  • Condução Arcade ganhou à simulação
  • Precisa de criar novos modos

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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