Análise – World of Warcraft: Battle for Azeroth

Chegou a altura. Uma vez mais, estamos perante o lançamento de uma expansão para um MMO. Quanto mais o tempo passa e mais expansões são lançadas, maior é o legado que este deixa e mais existe para saber e descobrir sobre este universo. Por isso mesmo, analisar um MMO nunca é uma tarefa fácil, pois nunca alguém vai conseguir ver tudo o que há para fazer e para experimentar.

Se leram as minhas análises anteriores das expansões de World of Warcraft, então sabem que eu não analiso as mecânicas ou estruturas em detalhe, a minha análise é focada na experiência de um jogador de longa data que adora a saga, mas que não tem tempo suficiente para o jogar. Por isso mesmo, ficam já avisados que não vão ter aqui um manual de instruções ou um detalhar de cada nova função ou classe. Dito isto, está na hora de saltar para a guerra, que é coisa que aqui não falta.

Em Legion vimos a Alliance e a Horde a terem de se unir uma vez mais para tentar combater uma ameaça externa. No seu regresso cíclico, a Burning Legion tinha de ser parada e vários sacrifícios foram feitos pelo caminho. Isto leva a Battle for Azeroth, que tal como o nome indica, é o regressar à guerra entre as facções, colocando os seus líderes em confronto directo. Tenho a dizer que a história foi uma das primeiras coisas que me prendeu a esta expansão e desde Mists of Pandaria que já não ligava tanto ao que era contado neste enredo. Como jogador da Horde, fiquei no limbo quando às acções de Sylvana e curioso para saber os motivos por detrás da cortina, o que é muito bom sinal.

Sendo Horde, a expansão colocou-me em rota para o continente de Zandalar, pertencente aos Trolls e outras raças bastante curiosas, como os Tortolan (que eu adoro), uma espécie de esquilos falantes e homens serpente (sim, eu sei que eles tem os seus nomes). Enquanto ia em direcção a este continente mais tropical e cheio de dinossauros, a Alliance partiu para Kul Tiras, a terra de Jaina. No global, cada facção tenta encontrar aliados, o que não se fica por estas regiões, pois existem ainda Sub-raças que podem ser desbloqueadas, como os Dark Iron Dwarves que são Anões mais escuros ou os Highmountain Tauren com os seus lindos chifres de alce.

A minha experiência em Zandalar foi bastante interessante, pois existem três zonas bem distintas. A primeira é uma selva tropical, a segunda um pântano e a terceira um deserto. Curiosamente, cada uma das áreas pode ser jogada de forma aleatória, tudo isto graças ao equilíbrio do nível do jogador que acompanha a personagem, metendo os inimigos ao mesmo nível. Apesar de ter gostado mais do visual da primeira zona, o pântano foi o mais interessante de todos.

Como o jogo permite fazer expedições através das directrizes de guerra, foi também possível visitar Kul Tiras e ver a área da Alliance. Na minha opinião, acho que a Horde ficou a ganhar com a área mais bonita e apelativa em quase todos os aspectos. Depois de várias horas de jogo, dá para perceber que foi tido bastante cuidado na preparação das missões principais de cada zona. Se as mais básicas são filler para evoluir e ir de ponto A a B, já outras são bem mais épicas, com direito a cinemáticas e até vídeos.

Eu não sou um grande fã de PVP, por isso gostei de ver que foram incluídas outras coisas mais feitas a pensar em jogadores como eu. Existem as Warfronts, uma espécie de Battlegrounds mais viradas para a estratégia e angariação de recursos para vencer. É um modo bem-vindo e bastante divertido. Já as Island Expeditions não me pareceram tão divertidas, pois são sempre contra outros jogadores, sejam eles controlados pelo computador ou a sério.

O PVP foi a coisa que experimentei mais às três pancadas e não correu nada bem. Como estava a evoluir um Death Knight para aprimorar para tank, acabei por não me safar lá muito bem. Felizmente as estatísticas de quase tudo foram mudadas, por isso já não aparecem aqueles números enormes que tapam o ecrã e criavam uma enorme confusão. Outra coisa que ajuda a limpar um pouco a confusão é o Heart of Azeroth, um novo artefacto que vai evoluindo à medida que se fazem missões se apanham peças de Azerite. Quando este evoluí todas as peças de equipamento ligadas à Azerite sobem de nível e podem escolher habilidades ligadas às mesmas. Eu gostei bastante desta adição e permitiu personalizar ainda melhor a personagem.

Apesar de já terem passado mais de 10 anos de World of Warcraft, é bastante divertido ver como ainda consigo ficar preso ao jogo a fazer aquilo que já fiz centenas de vezes ao longo dos últimos anos. Subir uma personagem e realizar as missões que nos levam até aos pontos de história continua a ser tão viciante como sempre, mesmo que o sistema de combate continue a ser o mesmo e a variedade em redor deste seja bastante parca. É um verdadeiro teste à longevidade da série e a um modelo já com barbas brancas que continua a dar cartas. Destaque ainda também para a direcção tomada nas profissões, que agora permitem começar a evoluir por zonas, sem necessidade de voltar atrás e fazer tudo desde o jogo original.

Mesmo que esteja a sofrer alterações e melhorias constantes, World of Warcraft já está longe dos tempos dourados no que toca ao seu visual. O motor de jogo e gráfico já mostram muitas limitações e onde o jogo acaba por puxar a máquina, é através de tudo aquilo que consegue meter no ecrã ao mesmo tempo e ao aumentar a visibilidade em distância. Por outro lado, a componente artística ainda continua a trazer um grande brilho ao mundo de jogo e todas as suas personagens. É certamente uma das franquias que mais caminhos percorreu e que mesmo assim continua a ser cooerente dentro do seu universo. Quanto à banda sonora e vozes, o trabalho feito é sem sobra de dúvida uma pérola e tenho de destacar as vozes das personagens principais e dos Loa (deuses) que encontrei.

Battle for Azeroth não é a melhor expansão que joguei de WoW (esse título continua a pertencer à Burning Crusade), mas é um acrescento que mostra que a série ainda consegue evoluir para e continuar a ser relevante. Mesmo depois de todos estes anos, este continua a ser o expoente máximo de um MMO que funciona e que não deixa cair o seu estatuto. Talvez esteja a ficar na altura de mudar alguns sistemas e até, quem sabe, abrir o modelo free-to-play até níveis mais elevados, mas isso é conversa para outra altura. Se são fãs de World of Warcraft e estavam de uma grande expansão para voltar a activar a vossa conta, esta é a altura ideal para regressar.

Positivo:

  • Caminhos diferentes de história
  • Novas áreas bem construídas
  • História interessante
  • Melhorias em vários sistemas
  • Novas raças para usar

Negativo:

  • Sistema de missões com muito filler
  • Classes algo desiquilibradas
  • Motor de jogo e gráfico já mostram a sua idade

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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