Análise – Wonder Woman

  • Realização: Patty Jenkins
  • Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Connie Nielsen, Elena Anaya, Danny Huston, David Thewlis
  • Género: Ação, Aventura, Fantasia
  • Duração: 2h 21min

Apesar de ser uma das personagens mais relevantes da DC Comics, a Wonder Woman nunca teve tantas chances de brilhar por si só como os seus companheiros Super-Homem e Batman. Enquanto esses dois já tiverem direito a dezenas de adaptações para filmes, séries televisivas e videojogos, a Mulher Maravilha teve uma representação muito mais reduzida, e só agora é que chega a sua primeira longa-metragem ao vivo.

Wonder Woman chega numa altura em que o DC Extended Universe (DCEU) precisa mesmo de um filme que não gerasse opiniões tão divididas, como foi o caso de Batman v Superman: Dawn of Justice e Suicide Squad no ano passado. Quer tenham gostado ou não dos filmes anteriores da DCEU, a verdade é que são vistos de forma negativa por parte dos críticos e do público em geral. Também há que ter em conta que já não temos um filme a solo com uma super-heroína há quase 10 anos, e as tentativas anteriores, nomeadamente Catwoman (2004) e Elektra (2005), não são exemplos para ninguém.

Com tudo isto em conta, o filme tinha mesmo muito a provar, e a meu ver, conseguiu cumprir a maior parte das expetativas.  Não é completamente maravilhoso, mas continua a ser um filme competente que dá a conhecer melhor a história da Wonder Woman ao público mainstream, algo que a personagem já merecia há muito tempo.

Gal Gadot volta a interpretar o papel de Diana/Wonder Woman, tal como fez em Batman v Superman. Não é necessário assistir ao filme anterior para entender este, uma vez que isto é uma história de origem que decorre há quase um século antes dos acontecimentos de Batman v Superman.

Diana é uma princesa e guerreira das Amazonas que viveu toda a sua vida na ilha de Themyscira, um paraíso completamente isolado do mundo exterior. As coisas mudam quando um piloto despenha na ilha e é salvo pela Diana. É aqui que conhecemos Steve Trevor, interpretado por Chris Pine, que conta às Amazonas que está a acontecer uma grande guerra no mundo lá fora. Contra a vontade da rainha/mãe, Diana viaja com Steve para pôr fim ao conflito.

A parte inicial do filme é onde assistimos à infância e crescimento de Diana na ilha, assim como ficamos a conhecer o contexto mitológico da história. O que estava a ser mostrado não era grande novidade para mim, porque já tinha visto o filme de animação da Wonder Woman de 2009, portanto o início não estava a deixar-me muito agarrado. Sendo uma história de origem, estas partes são necessárias e cumprem o seu trabalho a introduzir o mundo de Wonder Woman.

O que me surpreendeu mais na personagem da Wonder Woman foi a diferença de personalidade do que vimos em Batman v Superman. Apesar da sua curta aparição, ela transmitia a imagem de uma pessoas desconfiada e um pouco fria, com uma atitude passiva para o que acontecia no mundo. Aqui vemos uma Diana mais inocente e ingénua, mas com um grande sentido de dever e disposta a ajudar toda a gente. Steve Trevor também é um pouco diferente do que estava à espera, não é tão mulherengo como no filme de animação. A química entre Diana e Steve é um dos pontos mais fortes do filme, a sua relação tem um bom desenvolvimento e as suas interações geram situações divertidas.

O filme começa a arrancar quando Diana e Steve saem da ilha, onde Diana lida com as normas e preconceitos de uma sociedade machista que desconhece. Estas são as minhas partes favoritas com a personagem da Wonder Woman, vê-la a reagir aos costumes e maneira de pensar que nós próprios às vezes nem questionamos. É aqui que são criadas as situações mais cómicas que tornam o filme diferente dos restantes da DCEU, como as conversas com Steve Trevor sobre o que os casais fazem entre si, testar a eficácia de um vestido de senhora numa luta, ou simplesmente ficar admirada por ver um bebé pela primeira vez.

Também conhecemos várias personagens secundárias, como a secretária de Steve Trevor (escrava, segunda a Diana), e os companheiros de guerras que ajudam Diana e Steve na sua missão, que são personagens divertidas e têm umas prestação satisfatória. Talvez as personagens que deixaram-me mais desiludido foram os vilões. O general alemão Ludendorff e a doutora Maru tinham potencial, mas não têm um desfecho muito satisfatório. E já que falo em desfecho, o ato final do filme não foi totalmente do meu agrado, nomeadamente por razões que não posso dizer para evitar spoilers, mas senti que não coincide tão bem com o resto do filme.

Tal como mencionei antes, isto é uma história de origem, portanto segue uma estrutura um pouco familiar para quem já anda a assistir a filmes de super-heróis há mais tempo. No entanto, ao contrário doutros filmes, a Diana não leva um filme inteiro para estar preparada. No momento em que saí da ilha, ela já tem os poderes, as armas, o fato e a atitude. É apenas uma questão de tempo até ativar o modo Wonder Woman e levar com tudo à frente

As sequências de ação não estão mal feitas, mesmo que se note os efeitos especiais a computador numa parte ou outra. Tirando alguns momentos onde o enquadramento da imagem não é o melhor, os planos estão filmados de forma interessante. A banda sonora nem sempre é a mais adequada ou não atinge aquele nível emocional que a cena exige. Talvez tenha ficado mal habituado com a banda sonora soberba de Batman v Superman criada por Hans Zimmer e Junkie XL, porque só mesmo a versão alternativa da música “Is She With You?” é que me deixou mais empolgado.

Muito dos receios que eu tinha para o filme da Wonder Woman não chegaram a ser concretizados. O resultado final é um filme mais confiante que faz justiça à personagem, sem cometer alguns dos erros dos filmes anteriores. Gal Gadot safa-se bem no papel, Chris Pine também é um destaque, e tem bons momentos de humor. Falha um pouco com os seus vilões e o último ato podia ser melhor.

Wonder Woman vai certamente ser visto por muitos como o filme que salvou a DCEU. Eu já fico feliz que a maioria das pessoas tenha uma opinião positiva, o que pode ajudar a limpar um pouco a imagem negativa dos filmes com os super-heróis da DC e as pessoas a darem uma chance aos que surgirem no futuro.

Para quem já viu tantos filmes de super-heróis, é capaz de não ficar tão maravilhado (não resisti), mas duvido que vá ficar com uma ideia muito negativa do filme. Quem quiser ver mais da Wonder Woman, só tem que esperar pelo filme da Justice League no fim do ano, e quem sabe, numa futura sequela…

 

Sérgio Batista

Membro do PróximoNível desde 2015. Tira fotos em demasia durante os eventos.

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