Análise – Wolf’s Rain

Informação Global:

  • Episódios: 26 + 4
  • Ano: 2003
  • Produtores: Studio Bones, Bandai Visual, Asatsu DK, Fuji TV, Bandai Entertainment
  • Géneros: Acção, Aventura, Mistério, Drama, Fantasia, Ficção Cientifica
  • Idades: +13
  • Linguagem: Japonesa

Deparei-me com Wolf’s Rain ao acaso há uns anos atrás e, ainda sem grandes conhecimentos na área, apercebi-me logo que não se tratava de um Anime qualquer de aventuras e acção. Um ambiente decadente, escuro e depressivo está constantemente presente desde o primeiro minuto o que me leva a achar que Wolf’s Rain não é um Anime para todos. É preciso estar num estado de espírito específico para absorver toda a sua magia. Sendo um Anime emocional, raras são as opiniões de meio-termo, ou se gosta ou se odeia, o que depende também dos gostos de cada um. No meu caso, adorei Wolf’s Rain e consigo caracteriza-lo numa só palavra: obra-prima.

A história toma lugar num futuro distante onde é senso comum de que todos os lobos estão extintos há mais de 200 anos. No entanto, os lobos não desapareceram mas sim, tomaram forma humana e vivem uma vida aparentemente normal. Kiba, um lobo solitário, vagueia pela cidade à procura do cheiro das Lunar Flowers que supostamente levam quem as seguir até ao Paradise. Quem emana o cheiro é Cheza, uma rapariga que dorme suspensa no que parece ser uma cápsula de vidro de um laboratório. Ela e os lobos são atraídos mutuamente mas quando Kiba encontra Cheza esta é raptada pelo misterioso Darcia, e a procura recomeça. Antes de deixar a cidade, Kiba depara-se com três lobos: Tsume, Hige e Toboe, todos com personalidades, ideais diferentes e muitas vezes chocando uns com os outros, decidem juntar-se numa caminhada em busca de Cheza e do Paradise.

Alguma vez viram um Anime que mexe tanto com o vosso coração que chegam a chorar em quase todos os episódios? Isto aconteceu comigo quando vi Wolf’s Rain e acreditem que foi o único que vi até hoje que mexeu comigo desta forma. A história é demorada e faz sentir o peso de passo, é intencional e é preciso ter um pouco de paciência. Não é o tipo de Anime para se fazer maratona, pelo contrário, levem o vosso tempo a ver e a sentir cada episódio porque Wolf’s Rain é o tipo de Anime que a qualidade envelhece com o tempo. Cada episódio tem a sua devida importância, não contendo fillers mas englobando episódios de compilação do enredo, trando de uma história de sobrevivência e a esperança.

Um dos casos raros e um dos pontos positivos em Wolf’s Rain passa pelo facto do Anime ter sido lançado antes da Manga não existindo termo de comparação. Em vez de nos obrigarem a ler a Manga para saber mais, conseguiram compactar tudo em 26 episódios que contém o que precisamos de saber para a compreensão do desenlace final. A história não é facilmente perceptível, mostra pouco e conta ainda menos, Wolf’s Rain obriga-nos a pensar e a apanhar alguns detalhes para compreender algumas bases, como por exemplo, o porque de os lobos serem considerados divinos ou o porque dos nobres serem diferentes dos humanos ou o que aconteceu há 200 anos atrás para o mundo estar no estado que está. O capítulo final da série foi dividido do projecto principal em formato de OVA de 4 episódios. Mais outro ponto positivo em Wolf’s Rain está ligado à resolução final que parte da interpretação de cada um. Curiosamente, à medida que vamos crescendo e ganhando novas experiências e conhecimentos na nossa vida, se formos revendo Wolf’s Rain de tempo a tempo, de todas as vezes vão acabar com uma perspectiva do final.

Outro elemento de destaque em Wolf’s Rain são sem dúvida as suas personagens. Em luta constante onde o racismo é a causa, temos duas raças distintas: os lobos e os humanos. Os lobos deparam-se com sentimentos de dúvida, desespero, confusão, solidão e medo, enquanto que os humanos travam batalhas com auto-confiança contra a rejeição, conforto e a verdade. Num ambiente sublime de sentimentos negativos, embora distintos, conseguimos notar um desenvolvimento global e individual dos quatro lobos principais.

Kiba, o nosso protagonista, é um lobo branco forte, decidido e com orgulho daquilo que é. Apenas utiliza a sua forma humana para sobrevivência e a maior parte do tempo parece perdido em pensamentos. Fiel a Cheza, Kiba é mais espiritual, idealista que os outros e procura pela razão da sua existência. Tsume é um lobo cinza com uma cicatriz no peito, tem uma personalidade forte e de respeito. Com uma experiência de luta e de líderança de grupo, Tsume não confia nem dá à confiança com excepção de Toboe. Toboe é um lobo vermelho, inocente e imaturo, sendo o lobinho criança do grupo. Este teve acolhimento de uma velhota, daí dar-se bem e dar-se a conhecer à maior parte dos humanos o que o torna bastante vulnerável. Por nunca ter passado pelo que os outros passaram, Toboe tem como objectivo ficar mais forte e mais independente. Hige é um lobo creme e o mais relaxado de todos, é um amante de meninas, come mais que o normal e deixa-se levar pelas situações a maior parte das vezes.

Na parte mais técnica, a animação é sublime mesmo sendo do ano 2003. Podemos contar com o excelente trabalho do Studio Bones (Darker than Black, Fullmetal Alchemist, Soul Eater) nos fundos detalhados, no distinto e atractivo desenho das personagens e nas batalhas épicas e dinâmicas de cortar respiração. Os tons escuros e ambientes decadentes de Wolf’s Rain, retratam um mundo bastante real e actual onde o racismo e luta entre raças acabam por resultar num Apocalipse plantado e colhido pelo Homem.

A música foi composta por Yoko Kanno, sendo este um dos seus trabalhos mais impressionantes. Com a colaboração de Steve Conte e Maaya Sakamoto e com a utilização do Inglês, a música chega a ser uma grande ajuda para cativar os fãs ocidentais. A mensagem musical não só passa a ser mais perceptível como também é uma ponte de ligação entre o Anime e o espectador no despertar emocional de cada cena. “Stray” de Steve Conte é o opening da série enquanto que “Gravity” e “Tell me What the Rain Knows” são os endings de Maaya Sakamoto.

Quanto às vozes e tendo Wolf’s Rain já alguns aninhos, os actores vocais seleccionados não são muito comuns nos dias de hoje. De todos, destaco dois grandes nomes nesta área: Miyano Mamoru como Kiba (Light de Death Note, Ling de Fullmetal Alchemist: Brotherhood e Setsuna de Mobile Suit Gundam 00) e Ogsawa Arisa como Cheza (Panty de Panty & Stocking with Garterbelt, Hisca de Tales of Vesperia: The First Strike e Soma de Mobile Suit Gundam 00).

Intensamente profundo e diferente, Wolf’s Rain ganhou o meu coração e com o passar do tempo tornou-se um dos meus favoritos de sempre . Restrito a um público específico, o Anime é puramente depressivo ao mais alto nível que atinge o patamar de obra-prima com facilidade. Para ver Wolf’s Rain aconselho que estejam num estado psicológico positivo, é preciso ter essa noção antes de começar a ver e preparem-se para ficarem em baixo ou minimamente tristes. O que aprendi com Wolf’s Rain é que no meio de tanta luta, desespero, tristeza e injustiça, a união é que faz a força e o que todos nós queremos é aconchego, amor e aceitação, porém a vida não passa de um ciclo vicioso, um paradoxo interminável, e pouco se pode fazer para combater isso. Para quem procura um Anime realista, invulgar, inteligente e mais serio, Wolf’s Rain é sem sombra de dúvida uma boa escolha da qual não se arrependerão.

Positivo:

  • História com elementos realistas e actuais
  • Emocionalmente depressivo
  • Apelo emotivo em todas as cenas
  • Não existência de Manga quando saiu o Anime
  • Exploração, desenvolvimento e animação das personagens
  • Batalhas épicas e dinâmicas
  • Utilização do Inglês na música
  • Final com interpretação individual

Negativo:

  • Alguns episódios de compilação histórica
  • Anime restrito a um público específico e estado de espírito