Análise – Wolfenstein 2: The New Colossus

Wolfenstein 2: The New Colossus é a sequela ao reboot de 2014 e não tem papas na língua. Se The New Order já era extremamente desinibido e directo ao assunto, The New Colossus consegue envergonhar por completo o original sendo ainda mais ríspido e não se preocupa com susceptibilidades.

Pessoalmente adoro a forma como a história se desenrola e é aquilo que dá mais carácter a Wolfenstein 2. Desde os momentos iniciais que nos colocam no comando de Blazkowicz numa cadeira de rodas e numa situação saída de um filme de Tarantino até aos momentos mais avançados da narrativa, cada encontro e cinemática trazem sempre algo mais para a história. A narrativa é bastante colorida – Em vermelho, pelo menos. – e as personagens que compõem a grande maioria do elenco estão muito bem executadas, sentem-se como verdadeiras pessoas com identidades bem definidas e várias dimensões.

A MachineGames sabe que uma narrativa forte precisa de um bom vilão e é por essa razão que o pior pesadelo de qualquer pessoa que tenha jogado Wolfenstein: The New Order está de volta. Irene Engel é absolutamente detestável, por todas as boas razões. Esta é uma vilã que participa activamente na história e faz da nossa vida um inferno. No geral a história está muito bem conseguida, eu adorei a narrativa mas deixo a ressalva de que esta não é para os mais sensíveis. Se por acaso jogaram The New Order, então devem lembrar.se de uma escolha bastante difícil no início do mesmo, essa escolha tem repercussões nesta história e logo no início irão refazê-la. Conforme a vossa escolha irão ter uma dinâmica de equipa diferente assim como uma arma específica.A jogabilidade está boa mas existe espaço para melhorar. Os problemas que tive ao jogar Wolfenstein 2: The New Colossus estão relacionados com o botão para correr, que nem sempre activa a corrida e com a mecânica de espreitar nos cantos, que tem uma área extremamente diminuta de execução, mas com a habituação torna-se fácil de perceber quando a podemos utilizar. De resto tudo corre bastante bem, mas lembrem-se que este não é um jogo arcada e exige algum cuidado na forma de jogar. Se estão a pensar em entrar a matar este não é de todo o jogo ideal, a menos que estejam a jogar numa dificuldade baixa.

As várias áreas do jogo estão estruturadas na forma de níveis e estes não são lineares, é possível perderem-se em alguns deles, o que acaba por ser bom, pois existem vários coleccionáveis para apanhar e acabamos por encontrar alguns caminhos alternativos. A parte má no meio disto é que existe uma mecânica bastante chata a acompanhar algumas destas secções. Alguns líderes inimigos comunicam através de rádio e se eles nos detectarem todos os inimigos presentes no mapa são alertados para a nossa presença. Inevitavelmente irão surgir reforços, o que nos obriga a agir de forma rápida ou muito cautelosa perante estes encontros. Na maioria das vezes estes inimigos andam aos pares e como consequência estas secções transformam-se num desafio de stealth.

Wolfenstein 2: The New Colossus é um jogo difícil, este exige alguma paciência e por vezes repetir a mesma secção várias vezes até que esta seja concluída é mesmo a única solução, a menos claro, que prefiram baixar a dificuldade.

Blazkowicz pode ter uma arma em cada mão o que oferece alguma variedade na forma como actuam, no entanto para mim foi muito mais eficaz utilizar uma de cada vez para conseguir apontar à distância com alguma certeza. Utilizar duas de cada vez acaba por ser útil se conseguirem ser rápidos e matar todos os inimigos que se encontram na sala, pois Blazkowicz é bastante frágil a partir da dificuldade que equivale ao modo normal.

Para ajudar a não serem detectados podem utilizar machados, que no fundo vêm substituir as facas de The New Order, ou utilizando o sistema de melhoramentos. Estes sistema permite desbloquear modificações especificas para cada arma e a pistola pode ser equipada com um silenciador. Entre esta pistola e os machados é possível eliminar grande parte dos inimigos sem sermos vistos.

Ao contrário da grande maioria dos jogos que coloca uma árvore de habilidades em frente ao jogador para este escolher o caminho que mais lhe agrada, Wolfenstein II opta por um sistema mais linear. Algumas acções durante o decorrer do jogo são registadas, por exemplo: matar inimigos com o machado, quanto mais vezes efectuarem esta acção maior será o bónus. Por outras palavras, as habilidades de Blazkowicz são melhoradas conforme o uso. É um sistema que funciona bastante bem e acaba por fazer com que o jogador experimente várias abordagens.

O jogo permite-nos gravar quando quisermos e até é encorajado, pois como já disse, Wolfenstein II não é um jogo fácil. Existem alguns checkpoints automáticos durante os níveis mas se se ficarem apenas por estes, vão estar à mercê dos Nazis e da vossa perícia. No entanto como eu sou um sortudo, tive o prazer de testemunhar em 1ª mão algo que me deixou incrivelmente angustiado. O último nível do jogo ainda é longo e como um estreante neste nível demorei cerca de uma hora e meia para chegar à última secção, ora qual não foi a minha surpresa quando depois de ter gravado o jogo nesse ponto e ter saído, apareceu uma actualização. Como consequência, todos os meus saves desse ponto foram revertidos para o início do nível porque o save não correspondia à nova versão do jogo. Apesar de não ser um erro é uma situação muito chata e que me deixou um impacto extremamente negativo, mas lição aprendida, nunca deixar o jogo actualizar quando têm um save dentro de um nível.

Este é um jogo exclusivamente Single Player e como tal a campanha é o grande foco do jogo. Os níveis que vamos percorrer retratam tanto bases Nazi como várias cidades americanas, a maioria em ruínas. Este mundo que se baseia numa versão alternativa onde que os Nazis ganharam a 2ª Guerra Mundial, é extremamente desconcertante, mas é isso que o torna numa experiência que vale realmente a pena. Cada local que exploramos tem uma história e até há um nível que nos permite ver como os americanos estão a viver sob o domínio Nazi. No entanto aquilo que vai manter os jogadores a voltar a jogar são os diferentes níveis de dificuldade e para os mais corajosos há um desafio que envolve passar o jogo sem morrer uma única vez. Quando a campanha estiver nas suas missões finais vão também desbloquear algumas missões que vos permitem reviver certas missões do jogo com outros objectivos e recompensas, estas são opcionais e como tal podem não as realizar.

Existem também alguns desafios extra e aventuras opcionais que contam a história de outras perspectivas mas estas fazem parte do season pass.

A banda sonora é também um dos pontos altos do jogo com faixas musicais que acertam em cheio naquilo que o jogo quer transmitir, normalmente acção desenfreada. No que diz respeito aos efeitos sonoros é também bastante bom, e os actores de voz foram escolhidos a dedo, pois todos eles fazem um trabalho excelente a transpor as emoções das personagens, ainda que não perceba nada de alemão devo dizer que fiquei emocionado mesmo nesses momentos.

Wolfenstein II: The New Colossus corre extremamente bem, mesmo na PS4 normal atinge os 60 fps sem grandes soluços. As texturas são de boa qualidade e a jogabilidade está bem polida. É uma experiência bastante apetecível no que diz respeito à performance.

Como um todo é bastante divertido e uma experiência bastante frenética. É um jogo que oferece uma narrativa bem idealizada e conseguida que acima de tudo pretende que o jogador passe um bom bocado, ou se gostarem de sofrer também podem seleccionar uma das dificuldades mais elevadas e testar a vossa perícia. É uma experiência de excelência que vos vai manter agarrados durante a campanha e bastante entretidos enquanto a estiverem a concluir, mas depois disso dependerá de vocês voltar a jogar os mesmos níveis noutras dificuldades e completar todos os desafios assim como coleccionar os vários itens escondidos em cada nível. Se gostarem desse tipo de incentivos, então Wolfenstein 2: The New Colossus é uma experiência a não perder.

Positivo

  • Personagens carismáticas e bem desenvolvidas
  • Narrativa bem executada
  • Jogabilidade
  • Performance
  • Sistema de evolução da personagem e melhoramento de armas
  • Banda sonora e vozes

Negativo

  • Mecânica de espreitar parece estranha
  • Longevidade depende imenso do interesse do jogador

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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