Análise – Until Dawn

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Existem jogos com percursos bastante interessantes, que muitas vezes, podiam deitar tudo a perder. Until Dawn é um desses casos.

Tendo começado como um projecto exclusivo da PS3 para o Move, todos estavam à espera de mais um jogo no máximo, mediano, ainda para mais estando dentro do género de terror adolescente.

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Vários anos depois e agora a correr na PS4 sem qualquer presença do PS Move, Until Dawn revela ser uma boa surpresa.

Until Dawn é o estilo típico de jogo que não me agrada muito, especialmente não sendo fã de jogos de terror e não me sentindo muito tentado por jogos de aventura ao estilo da Quantic Dream. Pondo isso de lado, preciso reconhecer que Until Dawn conseguiu deixar-me bastante impressionado.

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O tema é o costume, e a própria Supermassive não tem problemas em admitir. Este é um jogo ao estilo dos “Slasher movies”. Que estilo é esse? Imaginem filmes como “Scream” ou o “Sei o que fizeste no Verão passado“. Todos estes filmes envolvem um grupo de pessoas presas numa zona qualquer, com um maluco à solta que os vai matando um a um.

Tal como esses filmes, Until Dawn está cheio de personagens estereotipadas que na sua maioria vamos mesmo querer ver mortas. Elas vão tendo revelações à medida que a história avança, mas a início, e tal como descrevi na antevisão, são uma cambada de adolescentes com as hormonas aos saltos que só pensam em sexo, em vez de, por exemplo, ligar o quadro da luz numa casa escura e tenebrosa.

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Porém, Until Dawn é um jogo e como jogo, são vocês que tomam as decisões e escolhem o caminho que vai salvar uns ou matar outros. Ao contrário de outros jogos com escolhas (Telltale Games), aqui existem mesmo consequências, pois quando alguém morre, morre mesmo e o caminho segue numa direcção totalmente distinta, o que é muito recompensador e aumenta a longevidade de forma gigante, afinal, vão precisar de fazer mais do que 3 ou 4 campanhas para ver todos os desfechos possíveis.

A jogabilidade é o típico de um jogo de acção. Existe muita caminhada em marcha lenta ou acelerada, pelos típicos corredores disfarçados de caminhos. Quando precisam de escolher ou agir, vão ter de escolher uma resposta ou carregar nos botões o mais depressa que conseguirem em determinados Quick Time Events. Este estilo de jogabilidade é simples e acessível até para quem não seja um jogador frequente e o facto dos QTE não poderem ser repetidos, faz com que cada escolha tenha mesmo uma consequência em tempo real, o que é digno de aplausos.

A história pode ser acabada em menos de 10 horas, mas com todas as possibilidades de narrativa e alguns coleccionáveis que podem apanhar, podem contar pelo menos com o dobro ou triplo desse tempo. Entre capítulos vão encontrar uma espécie de psicólogo que não acrescenta muito ao jogo, a não ser testar os vossos medos para ver se vos conseguem assustar mais umas quantas vezes.

Visualmente, Until Dawn é um jogo bastante impressionante, embora tenha alguns pequenos problemas. O primeiro está relacionado com alguns modelos de certas personagens, especialmente as mulheres, pois conseguem entrar muitas vezes para o limite do Uncanny Valley, roubando a humanidade que estas procuram ter. Por outro lado, alguns segmentos são assolados por quebras de fluidez que parecem fora de contexto e não conseguem não ser notadas, mesmo não afectando a jogabilidade.

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A banda sonora está muito bem conseguida, assim como todos os picos e barulhos de som que deixam o jogador inquieto. Eu costumo ter nervos de aço, mas reconheço que até dei alguns saltos aqui e ali em situações menos inesperadas. Não é nada que seja aterrador, mas consegue intimidar e criar um grande ambiente de terror. As vozes em si variam entre o muito bom e o expectável, tanto na versão inglesa como portuguesa. Os actores nacionais não estão mal nos seus papéis, com alguns a conseguir dar mais vida que outros.

Para alguém que não é um grande fã do estilo e género como eu, Until Dawn acaba por ser uma boa surpresa e um exclusivo bastante interessante para a PS4. Se são fãs de um dos dois géneros e procuram um jogo para jogar até com um grupo de amigos ao mesmo tempo, é mais divertido que os filmes de terror que vi até hoje.

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Positivo:

  • Bom sistema de escolha e consequência
  • Visual com qualidade
  • Ambiente tenebroso bem concebido
  • Jogabilidade acessível e prática
  • Incentiva a ver quais as outras possibilidades

Negativo:

  • Muitas personagens irritantes
  • A personagem do psicólogo mal aproveitada
  • Muitos corredores “disfarçados”
  • Passagens para o Uncanny Valley
  • Quebras ocasionais de fluidez

pn-muitobom-ana

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