Análise – Uncharted: The Lost Legacy (O Legado Perdido)

The Lost Legacy é um dlc bastante completo e que eu mais facilmente inseria na categoria de expansão para Uncharted 4, pois contém um modo história e modos online, tal como A Thief’s End. Mas vamos então por partes e falar daquele que é o modo Estória e das mudanças que foram feitas.

Uncharted é uma série com quase uma década de histórias para contar e o mais recente capítulo é talvez o mais arriscado. The Lost Legacy destaca-se repentinamente de todos os outros pela troca de protagonista, para trás ficou Nathan Drake, o herói azarado ou sortudo, – depende do ponto de vista – com bastante carisma que todos conhecemos. A verdade é que os sapatos de Nathan Drake são grandes e Chloe não os consegue preencher.

Se estavam à espera de ter aqui um substituto para Drake é melhor esquecerem isso. Chloe Frazer tem os seus motivos para esta aventura e desde logo dá a entender que a busca pela Presa de Ganesha é bastante pessoal e como tal, Chloe vai sofrendo mudanças a nível psicológico com o avançar da aventura. A início é a Chloe que já conhecíamos de jogos anteriores mas pouco a pouco revela-se uma personagem com as suas preocupações e lutas internas, e pelo fim da aventura Chloe Frazer revela-se uma personagem bastante forte mas que acabou de utilizar os últimos cartuchos como protagonista.

No que toca ao vilão, diria que é o vilão que Uncharted precisa. Um vilão com planos e um exército, aparece para nos moer o juízo em dose certa e conta com atitudes clássicas capazes de nos irritar só de olharmos para ele. No geral é uma personagem que eu quis mesmo derrotar.

Eu separo a narrativa em 3 partes, a início parece bastante promissor, novas áreas e um novo mistério com uma parceira improvável, Nadine. Depois temos aquela parte da aventura em que vamos trabalhando lentamente para o objectivo e devo dizer que esta se arrastou demasiado com muitos poucos momentos que valessem a pena. Este 2º acto passa-se numa secção Open World e apesar de ser uma área bastante apetecível à vista, não tem nada que recompense a sua exploração, tal como uma certa parte de Uncharted 4, e acaba por ser uma distração para ir de ponto A a B com um objectivo opcional pelo meio. Finalmente temos a recta final da aventura, esta revela-se como a grande estrela e fecha The Lost Legacy com chave de ouro, voltando a uma fórmula mais clássica com umas surpresas pelo meio. Em suma, é uma aventura que tem pontos altos e baixos, mas vale bem a pena pois existe aqui pouca monotonia, olhando à aventura no geral, claro está, é mais uma questão de gosto.

Falando ainda da aventura devo realçar que existem vários momentos que me fizeram lembrar Uncharted 2: Among Thieves. Não estou a falar de referências isoladas, estou mesmo a falar de troços de jogabilidade e aspecto, desde placards de publicidade que descaem enquanto percorremos uma cidade em guerra até outras secções mais avançadas que parecem retiradas do mesmo. Não sei se foi propositado mas o jogo parece uma verdadeira mistura entre jogabilidade de Uncharted 4 e momentos de Uncharted 2. E para o olho mais atento existem alguns momentos que se assemelham a outras aventuras.

No que a jogabilidade diz respeito, praticamente não existem alterações. A aventura comporta-se exactamente como Uncharted 4 nos habituou, secções clássicas onde prevalecem corredores de inimigos e secções de puzzles, que desta vez estão bastante equilibrados, e as recentes secções de jipe e arenas. Chloe comporta-se exactamente como Drake no que toca a movimentação, não existe nada de característico na forma como dispara ou dá murros, já Nadine tem momentos brilhantes que me apanharam de surpresa, incluindo quando morremos e pela 1ª vez ouvimos “Frazer, Frazeeer!”

As armas disponíveis são um pouco diferentes daquelas de Uncharted 4 e algumas delas estão bloqueadas em caixas onde temos que arrombar fechaduras, aliás, se Chloe trouxe algo consigo de único foi mesmo esta habilidade. Quando abrimos estas caixas deixadas pelos inimigos podemos encontrar algumas armas especiais, estas aparecem sobretudo espalhadas em arenas e são essenciais em algumas para avançarmos.

As secções de jipe têm duas vertentes, a da exploração de uma grande área e as perseguições. Continuo a achar que o jipe é feito de titânio, mas ainda bem, pois não foram poucas as árvores e rochas a provar um pouco da pintura do mesmo.

No geral a jogabilidade continua a ser bastante virada para a acção, sendo bastante rápida e conta com bastantes momentos frenéticos. Tal como em outros jogos da série Uncharted, é rara a pedra que não se solta quando nos agarramos a ela, nunca sabemos quando o chão se vai partir ou quando é que vamos precisar de atirar a nossa corda de 2km para um local que nos salve a pele. Por outras palavras, em termos de jogabilidade este é um jogo de Uncharted e não sofre com a mudança de personagens.

O multiplayer de Uncharted 4 e Uncharted: The Lost Legacy é o mesmo. Ou seja partilham os mesmos modos, personagens etc. Como seria de esperar com a chegada de uma nova história o multiplayer também vai sofrer algumas alterações. Para começar o vilão de The Lost Legacy, Asav será uma nova personagem e existem novas skins para algumas personagens. No entanto aquilo que realmente tem mais impacto é o modo Survival Arena. Este modo pega no modo sobrevivência que já conhecemos, ou seja 3 jogadores contra hordas de inimigos controlados pela IA. O que distingue este do modo de survival do normal é que as várias rondas têm regras diferentes, podem por exemplo ter que apanhar 100 tesouros espalhados pelo mapa enquanto sobrevivem etc. De realçar que todo o conteúdo multiplayer estará disponível tanto em Uncharted 4, como em Uncharted: The Lost Legacy.

Graficamente a aventura está a par de Uncharted 4: A Thief’s End, existindo alguns momentos que claramente poderiam precisar de um pouco de polimento extra mas nada que salte muito à vista. Uncharted: The Lost Legacy, tem uma performance bastante boa não existindo quebras de fps visíveis e as áreas não têm nenhum tipo de loading entre si, isto claro após o loading inicial. A parte sonora do jogo continua bastante boa no que ao ambiente diz respeito, mas a banda sonora não foi a mais acertada, continua a preencher os momentos de forma correcta mas devo dizer que não existe nenhuma que se destaque ao contrário do que aconteceu no passado. No que diz respeito às vozes, todas as personagens estão muito bem em Inglês e o jogo está disponível totalmente em português com a mesma qualidade prestada em Uncharted 4.

Esta é uma aventura mais curta, a um preço mais baixo. No entanto o ser mais curta não implica menos qualidade pois continuamos a ser bombardeados com momentos únicos de exploração e tiroteios. Ainda assim devo dizer que durante a minha experiência dei de caras com 1 bug isolado que foi bastante frustrante, sendo o culpado por 30 minutos de tempo perdido em busca de um último inimigo de uma arena que tinha sido comido pelo chão. Tirando esse momento isolado, o jogo correu bastante bem.

Como um todo achei que a aventura teve bons momentos, mas a história em si deixa claro que este grupo de personagens já deu tudo o que tinha a dar. Chloe e Nadine são uma dupla interessante e Nadine é a responsável por este duo resultar, pois é ela que acaba por dar a Chloe um bom ponto de contracena e não o contrário. Nadine é uma espécie de revelação. Chloe é exactamente aquilo que já vimos anteriormente mas a um nível mais humano, é uma personagem mais reservada a nível pessoal e esconde isso com as suas piadas e comentários. Todas estas personagens foram criadas em redor de Nathan Drake e agora que este está de fora isso torna-se notório, eu não estava à espera que Chloe preenche-se os sapatos de Drake mas também não estava à espera que existissem tantos momentos em que se desse pela falta do mesmo. No entanto e para meu espanto, também foi em The Lost Legacy que larguei a minha maior gargalhada perante Uncharted.

Não é fácil avaliar esta aventura. Uncharted: The Lost Legacy fez muitas coisas bem, outras poderiam estar melhores, não se desvia muito do seu antecessor e presenteia-nos com callbacks a outras aventuras de Uncharted. É um jogo que resulta sem Drake? Sim, mas por pouco. Se for para continuar a ter aventuras neste mundo espero que tenham o bom senso de nos dar novas personagens, pois este grupo atirou os últimos foguetes, e penso que foi um grandioso espetáculo.

Positivo

  • Nadine
  • Chloe dá tudo o que tem nesta aventura
  • História interessante
  • Vilão competente que nos consegue irritar “até ao tutano”
  • Níveis bem estruturados e bons puzzles
  • Acesso ao multiplayer de Uncharted 4 na sua totalidade
  • Aventura com muitos bons momentos…

Negativo

  • … mas a secção Open World arrasta-se demasiado sem qualquer tipo de recompensa por si só
  • Chloe tem uma motivação, mas o protagonismo desgasta-a rapidamente

 

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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