Análise – UFC 3

UFC (Ultimate Fighting Championship) é bastante agressivo e rege-se por regras bastante restritas, os jogos deste desporto têm estado a cargo da EA Sports e este UFC 3 é em simultâneo o melhor e o pior jogo de simulação de luta que alguma vez joguei.

O início é extremamente atribulado. Para quem não estiver familiarizado com este tipo de combates tudo vai parecer extremamente estranho. Como é natural, quando comecei o jogo procurei por um tutorial e qual não foi a minha surpresa quando descobri que os tutoriais são vídeos comentados pelos criadores do jogo. Eles explicam as mecânicas enquanto assistimos ao desenrolar das mesmas, foi aqui que aprendi que o mesmo botão faz todo um leque de movimentos dependendo da situação, e a minha pergunta foi: “Estão mesmo a pensar que eu vou decorar todas estas situações em vários vídeos de 2 minutos sem poder experimentar?” Pelos vistos não fui o único a pensar isto e numa opção escondida lá para o fundo de um menu que é demasiado grande para caber no ecrã numa só imagem, lá encontrei um modo de treino, exactamente na ponta oposta a todas as opções de jogabilidade. Só mesmo para facilitar a navegação e o vislumbre sobre a possibilidade de adquirir coins pelo meio do menu.

Depois de começar a fazer uns combates isolados, que perdi de forma fantástica, nunca antes pensei ver efeitos de sangue salpicados tão detalhados acompanhados por todos os devidos inchaços, lábios rasgados e narizes partidos derivados dos vários murros e pontapés sofridos. Olhei para o comando, olhei para os tutoriais e voltei a olhar para o comando. A realidade instalou-se rapidamente, eu não estava minimamente pronto. Eu sei o que os botões fazem, mas porque é que estou constantemente a ser massacrado? A minha resposta veio em forma de insistência. Cerca de uma hora depois de ter começado a atirar os primeiros murros ao ar lá comecei a perceber o que andava a fazer, o que é que devia evitar, quando atacar e que o analógico direito é um instrumento vital para nos esquivarmos. É um sistema de luta tão diferente do que estou habituado que a estranheza foi mesmo a minha pior inimiga, mas como já disse, tudo começou a encaixar e senti-me preparado para enfrentar o cpu na dificuldade normal.

Tudo isto porque o tutorial simplesmente não faz o seu trabalho, mas posso afirmar desde já que depois de conseguir apanhar o jeito, este consegue ser um jogo bastante divertido. No entanto há um aspecto das lutas que é o sistema mais confuso que o jogo apresenta. Os clinchs (para quem não sabe o que é, é o nome dado ao combate próximo, demasiado próxima na minha opinião), são uma parte do combate que pode virar por completo o jogo se o jogador não tiver cuidado. Tudo começa com um “abraço” e a partir daí é uma batalha pela posição dominante, o mais interessante desta mecânica é sem sombra de dúvidas o facto de ser tudo feito com o analógico direito. Mas não podia ser assim tão simples, e conforme carregam nos gatilhos traseiros do comando vão aparecendo outras opções em algumas situações, mas essa não é a parte complicada.

Aquilo que é realmente complicado em EA Sports UFC 3 é a gestão das barras de saúde e stamina. Ao contrário de outros jogos que apresentam um medidor de dano fixo, UFC 3 opta por um sistema onde cada parte do corpo tem uma barra de saúde individual, uma barra de stamina e uma barra para o bloqueio. Todas elas se gastam conforme efectuam ataques ou sofrem golpes e quando estas ficam perto do fim basta um golpe bem colocado do vosso adversário para fazer estragos significativos. Para além disso as barras recarregam mas dependendo da forma como lutam elas vão diminuindo tendo cada vez menos resistência. Assim torna-se imprescindível fazer uma boa gestão das mesmas.

Voltando então aos clinchs, aqui a barra de stamina é extremamente importante, pois cada acção pode falhar se for contra-atacada pelo adversário e a stamina gasta-se depressa, a única maneira de recuperar stamina é ficar quieto, à mercê do vosso adversário. A isto juntem o facto de terem que realizar várias transições de posições até ficarem naquela que querem e terem que se manter lá enquanto o vosso adversário tenta virar o jogo novamente. Sem sombra de dúvidas que é um sistema que resulta e transmite um certo desespero mas mais uma vez, foi preciso aprender por mim como é que realmente este sistema funciona pois o tutorial é extremamente incompleto.

E não se esqueçam que existem combos para todas situações e ainda temos as submissões que utilizam um sistema simples mas muito complicado de executar. O jogo acaba por oferecer ainda uma série de desafios chamados “skill chalenges” encarem estes desafios como tutoriais extra, é o melhor que têm a fazer.

Os modos base do jogo não são muitos e giram todos em redor do mesmo, combates com várias rondas onde ganha quem tiver uma melhor prestação ou fizer um K.O. ou realizar uma submissão com sucesso. Existem combates para homens e para mulheres e todos eles separados por classes de peso. Cada lutador tem normalmente mais afinidade com um tipo de combate, no meu caso descobri que me dou bastante bem com os strikers ou seja lutadores que lutam a uma distância média e se concentram em murros e pontapés, mas também existem lutadores que preferem encurtar a distância e realizar submissões etc.

O modo que mais me interessou foi o modo carreira, criamos uma personagem do zero e vamos subindo na carreira, sendo eventualmente contratados pela UFC. A criação do nosso lutador não utiliza o sistema mais detalhado mas oferece uma boa selecção de hipóteses para criar a nossa personagem. O modo carreira consiste então numa série de contractos que têm um rival como objectivo principal e pelo caminho têm algumas lutas e várias semanas de treino. As semanas que antecedem uma luta devem ser utilizadas para evoluir os atributos do nosso lutador, fazer publicidade ao combate e ganhar seguidores nas redes sociais e ainda desbloquear novas técnicas. Todas as acções têm um custo em pontos e temos apenas 100 para cada semana, mais uma vez a gestão é importante. No meu caso comecei com um lutador de 25 anos e pela altura em que me torneio campeão já tinha 30 e tinha realizado cerca de 20 combates.

Foi neste modo que comecei a aprender a verdadeiramente jogar UFC 3, comecei na dificuldade mais baixa e acabei por subir o nível de dificuldade. Uma coisa é clara, existem picos de dificuldade neste modo mas também são esses combates que nos obrigam a perceber as mecânicas do jogo e a tirar proveito delas. O objectivo deste modo é ser o G.O.A.T. (Greatest Of All Times) assim conforme a vossa prestação vão ganhando contractos melhores mas com um nível de dificuldade nos adversários também ele maior. No meu caso cheguei a ter lutas onde o diferencial nos pontos dos atributos era superior a 10 pontos entre os lutadores.

Os melhores contractos permitem ganhar mais dinheiro que podem utilizar para entrar em diferentes ginásios, estes são importantes para desenvolver a vossa personagem de diferentes maneiras e têm as suas especialidades, pelo que devem alinhar-se com os ginásios que correspondem ao vosso gosto. Cada ginásio tem os seus próprios lutadores que permitem aprender certas técnicas e quanto mais elevado é o preço mais avançadas são as técnicas.

Depois temos o modo Ultimate Team que funciona como o modo Ultimate Team de Fifa. Podem efectuar combates offline ou online e conforme ganham combates e completam objectivos vão ganhando coins para comprar packs de cartas para melhorarem a vossa equipa que é composta por um lutador de cada divisão. Nos packs podem sair lutadores, técnicas, coins etc. e sim, podem comprar packs através de micro-transacções. Só aconselho este modo de jogo para quem realmente estiver investido em UFC 3, felizmente este é um modo contido e completamente independente do restante jogo.

Existem ainda os combates online, quer seja por diversão ou por classificação. Não há muito a dizer sobre este modo uma vez que já referi todos os aspectos da jogabilidade. O modo que ainda consegue oferecer alguma variedade e por vezes ser bastante interessante é o modo torneio onde podemos escolher vários aspectos entre os quais manter o dano de um combate para o outro.

UFC 3 é um jogo que apresenta gráficos detalhados, efeitos muito bem executados desde o sangue que se espalha no tapete do Octagon, às caras e corpos dos lutadores que vão sofrendo alterações visíveis durante o combate. Os comentadores estão muito bem idealizados, existindo alguns comentários que me deixaram impressionado com a descrição do que realmente estava a acontecer. No que diz respeito a músicas, temos aqui aquilo que seria de esperar, uma selecção de várias músicas bem ao estilo da EA Sports. Naquilo que realmente interessa UFC 3 é um jogo extremamente dinâmico e que consegue agarrar os jogadores que queiram aprender a jogar, e destaco aqui o queiram, pois o jogo não é nada simpático em introduzir os jogadores a todas as mecânicas existentes.

Como um todo é uma experiência que depois de um primeiro impacto que no meu caso foi negativo, acabou por se tornar numa experiência que eu gostei bastante. Se o tutorial estivesse mais desenvolvido poderia ter começado desde logo a divertir-me com o jogo em vez de ficar frustrado por não conseguir desvendar as mecânicas que são mais complexas do que aparentam. Existe uma boa variedade de modos apesar de na prática todos os combates se desenrolarem da mesma forma e desde o sistema de criação de personagem aos lutadores oficiais existe aqui conteúdo suficiente para entreter os jogadores durante largas horas se gostarem deste tipo de combate e estiverem dispostos a aprender as mecânicas.

Positivo

  • Animações
  • Danos visíveis durante o decorrer do combate
  • Modo carreira
  • Vários lutadores e estilos de luta
  • Comentários em tempo real

Negativo

  • Tutorial apresenta várias falhas
  • Sistema clinch/grapple precisa de melhoramentos

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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