Análise – Transistor

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A moda dos Indie é algo que parece não querer passar, mas quando é que um Indie deixa de ser um Indie? Será que o lançamento de um jogo bem sucedido não eleva a fasquia do estúdio para um novo patamar?

O caso de Transistor é um desses, afinal foi criado pela Supergiant Games, o mesmo estúdio que concebeu Bastion, um jogo que teve um sucesso fenomenal e lançamento garantido em várias plataformas.

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Transistor foi diferente, teve as portas abertas tanto no PC como para a PS4, por isso o risco era bem menor. Mesmo sem o risco de ser um jogo totalmente Indie a nadar no lago dos tubarões, Transistor parece tão Indie como um Child of Light, o que lhe dá a confiança de um projecto de uma grande companhia.

Neste jogo são Red, uma cantora que perde a sua voz e vê-se presa numa conspiração feita numa cidade distópica futurista. A única opção de salvação e opção de defesa, é uma espada com o nome Transistor, a qual consegue falar consigo e ser uma “espécie de narrador” da história.

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A história é apresentada de forma misteriosa e a conta gotas à medida que jogam. A exploração da cidade de Cloudbank vai revelando pistas e introduzindo personagens relacionadas com o ataque à cidade conhecido como Process. Apesar de interessante, é pena que a história demore tanto tempo a desenvolver.

A exploração dos cenários faz lembrar Bastion, usando uma perspectiva isométrica onde podem movimentar a personagem. A cidade tem vários caminhos para explorar, mas nunca me senti realmente perdido, tirando alguns momentos onde os edifícios tapam a visão ou as cores não me permitiram descrever bem o caminho a percorrer.

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O combate é uma mistura entre acção em tempo real e um RPG de estratégia. Podem movimentar Red de forma livre pelo cenário e usar umas das suas quatro habilidades escolhidas em tempo real. Porém, a eficácia é aumentada usando um sistema de paragem temporal onde podem definir várias acções num curto espaço de tempo. Quando bem usado este sistema permite criar verdadeiros momentos de mestria e estratégia, com bombas e ataques colocados de forma certeira, que culminam com a nossa fuga em todo o estilo.

Quanto mais jogam, mais ataques desbloqueiam. Existem quatro slots para equipar, mas os que sobram podem ser usados para melhorar as vossas preferências e dar habilidades extra. Além do mais, os ataques funcionam como vidas, sacrificando a sua durabilidade para vos manter vivos, o que funciona como um risco e vos obriga a jogar de forma mais cuidadosa e estudada.

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Além da campanha principal, Transistor está sempre a abrir possibilidade de explorar um mundo adicional onde podem encontrar vários estilos de testes de tempo. Estas missões são cada vez mais difíceis e colocam-vos à prova, sendo igualmente boas formas de treinar e ganhar mais uns cabelos brancos.

Se há coisa que aprecio em jogos deste género é a capacidade que os estúdios mais pequenos têm para criar mundos que trocam detalhe 3D e grandes motores de jogo, por cores e desenho igualmente deslumbrante. Tanto a arte das personagens e cinemáticas como os cenários de Cloudbank City são dignos de se ver e muito bons de apreciar.

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Outro louvor vai para a banda sonora que mistura vários instrumentos e estilos para criar aquilo que parece ser uma junção utópica de jazz, boça nova, electrónica e orquestral. A variação entre som claro e limpo para pesado e sujo também foi muito bem equilibrado e consegue criar alguns momentos essênciais de desconforto.

Em relação à voz do Transistor, tenho a dizer que adoro o conceito e o actor faz um bom trabalho, mas como joguei o jogo de enfiada, a dada altura já estava a ficar um bocado farto desta voz, especialmente após certa parte do jogo onde este raramente faz intervalos para respirar, comentando tudo e mais alguma coisa que acontece.

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Mesmo que não seja um jogo demasiado longo, Transistor é um jogo que vale a pena experimentar, não só pelo seu tema, mundo e banda sonora fenomenais, mas também pelo seu sistema de combate divertido e desafiante. Em muitos aspectos, Transistor parece bem mais confiante que Bastion e isso é visível no produto final, de qualquer forma, existem aqui momentos em que a Supergiant parece esquecer as suas origens e dá passos em falso, felizmente sem cair em grande erro.

[Todas as imagens usadas nesta análise foram captadas durante a minha sessão de jogo na PS4]

Positivo:

  • Visual deslumbrantepn-recomendado-ana
  • Boa banda sonora
  • Combate estratégico
  • Interacção entre Red e o Transistor

Negativo:

  • História demora a arrancar
  • Perspectiva da câmara dificulta alguns combates
  • Momentos em que o Transistor fala demais

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Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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