Análise – Tokyo Mirage Sessions #FE

 

Está finalmente na altura de falar de Tokyo Mirage Sessions #FE. Está na altura de falar deste jogo que tinha tudo para ser um projecto de sonho e que quase deitou tudo a perder pelo caminho. Um projecto que tinha como “pais”, Shin Megami Tensei e Fire Emblem.

Quando foi originalmente anunciado, as minhas expectativas ficaram tão grandes que não conseguia imaginar algo abaixo de fantástico. Depois, vieram os trailers, as imagens coloridas, as músicas e todo o entusiasmo foi morrendo a pouco e pouco. Cada vez mais, Tokyo Mirage Sessions #FE parecia uma piada de mau gosto.

Depois, o jogo chegou para análise e tudo mudou.

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Sim, Tokyo Mirage Sessions #FE é um jogo sobre música, sobre Idols japoneses, vocaloid e tudo aquilo que acaba por compor o showbiz dentro desta área em constante crescimento. Como pode Shin Megami Tensei e Fire Emblem encaixar em algo dentro deste género? Por incrível que pareça, muito bem.

Embora tenha toda esta cor, aspecto alegre e cheio de música, Tokyo Mirage Sessions #FE não se esquece da realidade, este é um jogo, um JRPG e dentro deste género, consegue ser um dos melhores exemplares dos últimos tempos. Um feito, tendo em conta todos os grandes JRPG que foram lançados nos últimos tempos.

Para que tudo pudesse correr bem, o projecto transformou-se numa nova franquia, que vai beber muitos elementos e inspiração às materias primas, neste caso, começando por Persona. Se jogaram um dos jogos mais recentes da série, vão encontrar semelhanças gritantes, seja na forma como a história se desenrola, como vão surgindo novos mundos para explorar, como as personagens interagem entre si e claro, o sistema de combate.

Tokyo Mirage Sessions #FE faz uma grande divisão entre o que é ser uma estrela no mundo real (de jogo claro) e o que é ser um Mirage Master. Ou seja, se no mundo real vão treinar para ser cantores e dançarinos (para os mais “machões”, não é tão mau como pensam), nos Idolasphere vão percorrer masmorras onde lutam contra criaturas e grandes vilões que tentam consumir Performa dos seres humanos. Esta matéria que pode ser mais forte em alguns e menos em outros, é a capacidade de actuar e ser uma estrela, que fica maior nas grandes vedetas.

Claro que existe um motivo para que as personagens sejam arrastadas para esta trama, mas mesmo que pareça estranho e forçado a início, consegui aceitar sem grandes questões esta “irrealidade”. É a magia da Atlus a fazer sentir-se uma vez mais, dentro destes mundos divididos e dimensões alternativas.

Voltando à jogabilidade, aqui podem explorar algumas zonas mais conhecidas de Tóquio, entrar em estabelecimentos, conversar com pessoas e fazer todo o estilo de missões ou interacção com a vossa equipa. Com mais horas de jogo, vão sendo abertas as entradas para os Idolashpere. Cada uma destas masmorras tem um tema diferente, inimigos distintos e puzzles para resolver. O progresso nas mesmas é bastante simples, mas altamente divertido. Existem caixas com items para encontrar, NPC com missões extra e outras coisas que vão acontecendo.

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Estas masmorras estão cheias de Mirages, seres que atacam quando nos aproximamos. Tal como em Persona, podemos atacar primeiro para ter a vantagem no início do combate. Qual vantagem perguntam? Já vos disse que Tokyo Mirage Sessions #FE é um JRPG? Daqueles por turnos como os fãs mais antigos do género gostam?

Ou seja, aqui vão encontrar um sistema de combate muito similar ao de Persona, com direito a turnos, vantagens quando atacam os pontos fracos dos inimigos, desvantagem quando são atacados nos vossos, combos quando usam habilidades especiais, grandes feitiços quando usam pontos especiais de ataque, entre muitas outras coisas.

Este é um sistema de combate bastante rápido, fácil de perceber e cheio de possibilidades. Existe uma boa dose de estratégia e encontros com alguns inimigos que podem eliminar a nossa equipa rapidamente se não derem a devida atenção. Como sempre, no final dos combates, podem contar com uma enxurrada de items, experiência e novas habilidades.

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É aqui então que entra Fire Emblem, pois os Mirage Masters são acompanhados dos seus parceiros de combate que são Avatares de Fire Emblem, como Chrom, Ceada ou Cain. Estes evoluem tal como as personagens, ganhando novos poderes através das suas armas. Cada nova arma encorpora ainda mais poderes, os quais podem ser transferidos. Além disso, as armas representam as forças e fraquezas das personagens, por isso é uma boa forma de ganhar vantagem contra certos bosses ou inimigos, que estão sempre a explorar as nossas fraquezas numa certa Idolasphere.

Só tenho pena que seja necessário regressar à base para desbloquear novas habilidades especiais. Isto acontece demasiadas vezes, especialmente no início do jogo, ao ponto de ao regressar à Idolasphere e receber uma mensagem de evolução mal matei um ou dois inimigos.

Já que falamos em mensagem, eis que entram aqui em jogo as capacidades da Wii U com o Gamepad. Aqui, este serve como mapa, telemóvel, menu de estatísticas, etc. Cada vez que recebem uma mensagem estas vão aparecer aqui, assim como o desenho dos mapas. Por vezes não é muito prático estar a mudar a visão entre ecrãs, mas não é algo que estraga a experiência. Nota positiva vai também para as mensagens dos nossos amigos que são divertidas e cheias de linguagem das internets, como emoticons, gralhas e falta de pontuação.

Os níveis de produção elevados também podem ser vistos no visual do jogo, pois Tokyo Mirage Sessions #FE é um jogo bastante apelativo, colorido e bonito. O design diário das personagens pode ser algo básico em certos casos, mas tudo isto é afogado pelas suas grandes transformações e pela bela forma como estão animadas no motor de jogo. Também existem cinemáticas mais ao estilo anime, especialmente dedicadas às músicas ou grandes combates, que são muito boas. Embora os interiores das Idolasphere sejam um pouco menos detalhados, gosto imenso das arenas de combate que foram criadas ao estilo de uma actuação ao vivo.

Quanto à banda sonora, esta foi criada por veteranos. As peças musicais já sabia que tinham ficado nas mãos da Avex Group, que é uma das maiores casas de produção musical no Japão, no entanto, existe também mão do criador da banda sonora de Love Life!. Ou seja, podem contar com músicas alegres e cheias de energia, assim como composições ambiente dentro de jogo bem agradáveis. As vozes podem ser ouvidas apenas em japonês, mas não se preocupem, estas são boas e faz até mais sentido assim.

Quanto à questão da censura exercida que incomodou alguma pessoas. Posso confirmar que esta não afectou de todo a minha experiência de jogo. Procurei não ver imagens ou vídeos para não ser influênciado e ainda bem que o fiz. Sou totalmente contra censura e acho mal que o tenham feito, mas nunca senti que o jogo tivesse perdido a sua essência ou diversão.

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São raros os jogos que flutuam tão amplamente dentro do meu nível de espectativas. Tokyo Mirage Sessions #FE começou por ser um dos meus jogos mais aguardados, para cair gradualmente para a lista das desilusões. Ainda bem que assim foi, pois houve espaço para ser conquistado com a versão final.

Só tenho pena que Tokyo Mirage Sessions #FE chegue no “fim de vida” da Wii U, pois este é mais um dos jogos da consola que vão ficar para a história. Este é uma grande representação dos JRPG de antigamente, que consegue ser actual, mas sem perder a noção das origens. Mesmo com algumas censuras sem sentido pelo caminho, fico contente pela Nintendo e Atlus terem a coragem de lançar este jogo no ocidente. Assim é mais um JRPG excepcional que vamos todos poder jogar e apreciar.

Positivo:

  • Mistura inteligente das origenspn-recomendado-2016
  • Visual alegre e apelativo
  • Sistema de combate
  • Música de qualidade
  • Temática ganha validação…

Negativo:

  • …mas o começo parece “rebuscado”
  • Evolução quebra o ritmo
  • Pequenas censuras sem sentido

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Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

  • Silver4000

    Eu vou-me lembrar deste jogo devido a duas razões, a censura parva. E o facto de não o ter podido jogar na Nintendo…

    De qualquer forma, acho que o jogo devia de chamar-se Persona #FE, porque isto tem mais ar de Persona que outra coisa. E apenas é pena a parte FE ser algumas personagens :/

    Mas quero ver se para a próxima sai algo mais entre estes dois jogos.

    • Daniel Silvestre

      Acredito que vão ser lançados mais, mas é bem provável que se transforme cada vez mais numa coisa própria do que um filho de ambos. De certa forma, ainda bem.

  • Renato Barcelos

    Por acaso este jogo foi-me chamando mais a atenção à medida que iam mostrando mais. Não vou comprar já (tenho o Fates pra me entreter), mas vai para a lista do “eventualmente quero ver se te compro”.

  • DanteLink

    Estou a gostar deste jogo, espero que a Nintendo continue apostar neste tipo de colaboração porque acho que vale bem a pena.

  • Alex Deivid

    Eu gostei bastante do jogo, estou com 20 horas, nunca tinha jogado nenhum Persona ou Fire Emblem e curti o sistema de batalhas. Gostei do esquema das dungeons tb, algumas são grandes demoram horas.