Análise – The Technomancer

Se me pedissem para descrever The Technomancer numa palavra, ela seria “Socorro”. Com cada trailer que foi sendo lançado o meu interesse pelo jogo aumentava, e quando finalmente chegou o dia de experimentar este RPG tão promissor todas as minhas expectativas foram destruídas, pouco a pouco o meu sorriso foi substituído por uma expressão de desespero e aborrecimento…

The Technomancer começa de uma forma que me cativou o interesse, começamos no exacto momento em que a nossa personagem se prepara para terminar o treino, faltando então uma última prova. Após este momento onde nos é revelado o maior segredo dos Technomancer somos integrados no exército e dizem-nos que de forma alguma poderemos revelar o segredo. Faz sentido que assim seja mas como sempre é nesta altura que aparece o mau da fita a querer saber o nosso segredo. E é também no início que se fala da escassez de água e em como esta é controlada por certas organizações/cidades. É triste tendo sido esse um dos focos de alguns trailers que nunca mais se fale disso. Conforme a história avança, existem várias opções de diálogo que acabam por modificar a maneira como o jogo avança, The Technomancer tenta agarrar-nos com uma boa história, infelizmente eu perdi o interesse no fio narrativo principal quando passo horas seguidas a fazer missões que apesar de estarem ligadas a esse mesmo fio não transmitem importância ou interesse suficiente.

Se há algo que me começou a fazer torcer o nariz desde o início foi o sistema de combate. Se por acaso jogaram Bound by Flame, o sistema de combate é bastante parecido, só que não funciona! Podem trocar entre 3 estilos de combate a qualquer momento: um bastão, adagas e pistolas ou um escudo e uma moca, todos estes estilos têm também a possibilidade de utilizar os poderes de Technomancer, alguns são úteis mas a grande maioria prejudica mais do que ajuda. Cada um destes estilos conta com a sua própria skill tree e é bastante extensa, apercebi-me desde logo que seria melhor apostar num estilo e nos poderes de Technomancer. Acontece que defender com um escudo até resulta na maioria das vezes, mas agora vamos ao “esquivar” esta mecânica  só funciona quando quer, muitas vezes eu esquivo-me mas sou apanhado no ataque na mesma, no entanto os inimigos esquivam-se dos golpes sem sequer efectuar a animação ou outras vezes efectuam-na depois de eu desferir o golpe.

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As habilidades de Technomancer desbloqueiam alguns ataques extra, como disparar raios, electrificar armas, criar escudos etc. Agora vem a parte má, a maioria destas habilidades têm um efeito tão diminuto que quase mais valia não existirem, o escudo ocupa um dos dois slots de ataques iniciais (com o evoluir da personagem conseguirão mais, eu consegui mais um perto do fim do jogo, para um grande total de 3) que temos e quase não aumenta a protecção. Um rodopio gigantesco com o bastão? Ficamos completamente expostos aos inimigos. Disparar raios? Demora tanto tempo a carregar que somos interrompidos por inimigos que ainda estão a carregar a arma quando começamos a disparar os raios… Em suma o sistema de combate é completamente desastroso. Tudo aquilo que deveria ser uma recompensa pela dedicação vem com uma grande “mas” atrelado. A própria progressão da personagem é insignificante senti-me tão fraco no início como depois de 20 horas de jogo.

O equipamento pode ser melhorado se tiverem as peças necessárias, mas mais uma vez estamos a falar de diferenças insignificantes. O equipamento pode ser equipado por várias personagens, pelo que se tiverem por exemplo umas calças com resistência eléctrica e encontram umas melhores, podem passá-las a outro membro da equipa que tinha umas calças básicas. Durante grande parte do jogo podem estar acompanhados por até 2 personagens das várias que vão recrutando. E eu fiz questão de os utilizar da melhor forma, afinal o que há de melhor do que servirem de distracções contra grupos de inimigos que proporcionam lutas injustas? Não é que os nossos companheiros de equipa não ajudem, mas na sua maioria distraem enquanto nós lá vamos fazendo algum dano que se apresente. Para terem uma ideia mesmo os inimigos mais fracos podem absorver uns 10 golpes, isto enquanto vão sendo rodeados por mais inimigos, eles se esquivam etc.

Falando nos nossos companheiros de equipa, tenho a dizer que alguns deles têm interacções e histórias interessantes, foram mesmo a melhor parte do jogo. A início só podemos formar uma equipa a partir de 3 opções e devo dizer que não estava à espera do que aconteceu, foi uma reviravolta bastante boa para aquilo que estava a acontecer na narrativa principal. Mais tarde as nossas opções aumentam e por entre quests que são dadas pelos nossos companheiros e opções de romance, para além de bons iscos para lutas proporcionam também a parte mais interessante da história de The Technomancer.

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Mas agora é altura de falar sobre a forma como o jogo foi construído. Depois de um início que até se mostrou promissor o jogo começou a enviar-me em missões redundantes do género vai falar com uma personagem e volta aqui, vai matar um grupo de inimigos e diz ao Zé da esquina, enfim uma espécie de simulador de carteiro. E a melhor parte é que até ao fim do jogo este sistema não muda, estamos sempre a fazer um favor ou um trabalho para alguém e nos poucos momentos em que o jogo se decide a apresentar alguns elementos interessantes à narrativa ele repete-se no estilo de missões. Ou seja é repetitivo e enfadonho, o que ainda piora mais as coisas quando os inimigos fazem respawn pouco depois de abandonar-mos a área e colocam-nos um desafio considerável. Para terem uma ideia no início do jogo vi-me aflito para matar um grupo de 6 monstros, quase no fim do jogo passei por lá e vi-me aflito para os derrotar, tendo passado por esse sítio qualquer coisa como 40 vezes devido ao sistema de carteiro e à ausência de Fast Travel.

Se estão à espera de ter várias áreas para explorar mais vale começarem a pensar em alternativas, The Technomancer conta com 3 cidades, uma com 3 áreas, e as outras com uma cada. São áreas grandes mas com muito pouco para fazer, a não ser que contem passar pelas mesmas ruas 100 vezes enquanto andam a brincar aos carteiros como interessante. O que é ainda mais enternecedor para alguém que acompanhou os vários trailers de The Technomancer é que nos trailers mostraram criaturas mutadas que nos iriam atacar enquanto explorávamos Marte, fizeram delas um dos pontos altos da aventura e realmente é verdade, só é pena que sejam os Boss de algumas zonas e que apareçam umas 5 ou 6 criaturas durante toda a aventura. Isto claro, tirando os gafanhotos eléctricos, os ratos toupeira e os escorpiões morcego que aparecem em grandes quantidades, uma espécie de slimes deste jogo.

Sonoramente tenho a dizer que é bastante medíocre, os sons não correspondem às acções e as músicas que tocam de fundo nas áreas transmitem o que se passa mas tornam-se repetitivas. Quanto às vozes, estas não estão boas, nos piores momentos parece que uma personagem está num enterro e outra numa festa na mesma conversa, e os diálogos por vezes são bastante pausados, já outros momentos parecem uma verdadeira conversa.

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The Technomancer é jogável do início ao fim, a questão que se coloca é porque é que alguém o quererá fazer? O jogo é extremamente aborrecido, conta com um combate com problemas, uma história fraca que é uma sombra daquilo que poderia ser, um sistema de progressão que não nos faz sentir poderosos, a forma como entrega as missões é equiparável a um curso de distribuição de correio, o mundo torna-se repetitivo, a música desaparece devido à sua generalidade, as personagens que vamos encontrando tentam ser interessantes mas nunca o conseguem ser. Não é que tecnicamente se possa considerar The Techomancer um fiasco, o jogo tem alguns pontos interessantes, mas são tão poucos que não vale a pena jogar tudo o resto para lhes aceder. Eu concluí o jogo para me certificar se existia algo que pudesse fazer com que a minha opinião melhora-se, porque eu queria mesmo gostar deste jogo, infelizmente a Spiders  tenta recriar um RPG repleto de opções, tal como Bound By Flame, mas acaba por não o conseguir realizar da melhor forma e o resultado é um aborrecimento eterno que não vale o esforço.

Positivo

  • Premissa
  • Companheiros de equipa são o ponto alto da história
  • Lutas contra animais mutados (Boss)
  • Várias opções de diálogo e desenvolvimento da história…

Negativo

  • … mas seria preciso ser interessante para que tivesse o devido valor
  • É extremamente aborrecido
  • As missões são como entregar correio em Marte
  • O sistema de combate tem falhas graves
  • Nada funciona 100% como deveria ser
  • Fast Travel teria sido uma verdadeira maravilha
  • Poucas lutas contra animais mutados (os grandes, que os pequenos são uma praga entediante)
  • Mapas tornam-se aborrecidos com a obrigatorieadade de os percorrer várias vezes e o insessante respawn de inimigos
  • Progressão da nossa personagem é quase inexistente, os gafanhotos elétricos são uma ameaça tão grande no inicio como no fim

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Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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