Análise – The Surge

Lembram-se de Lords of the Fallen? Pois bem, The Surge é um jogo feito por essa mesma equipa que segue as pisadas daquilo que hoje conhecemos como um “Souls type game“, que é como quem diz: “Um jogo ao estilo de Dark Souls.” Assim sendo, preparem-se para morrer… muitas vezes.

Num primeiro vislumbre, The Surge é exactamente aquilo que aparenta, um jogo que vai beber à dificuldade de Dark Souls mas com um pano de fundo futurista. No entanto logo após os primeiros momentos de jogo, começamos a perceber que existem aqui bastantes elementos que o diferenciam e o tornam no seu próprio conceito. As escolhas começam logo com a opção entre uma classe capaz de suster mais dano, mas é lenta ou uma classe mais ágil mas menos resistente ao dano. Apesar de durante o jogo podermos equipar as armas que bem entendermos, colocar as armaduras que quisermos e obter os vários bónus disponíveis de cada conjunto, existem alguns elementos que se vão manter desta vossa escolha.

O combate é o ponto principal de The Surge e antes de entrarmos em detalhes é importante falar naquilo que torna verdadeiramente este sistema em algo que vale bastante a pena. Quando bloqueiam um inimigo na mira, isto não faz apenas com que a câmara se foque nele, podem posteriormente seleccionar a parte do corpo a atacar e se causarem um certo dano a essa parte existe uma chance de a cortarem e recolher a armadura. Existe também uma barra de energia que vai aumentando conforme efectuem combos e podem utiliza-la para chamar um drone ou activar certas habilidades.

No que diz respeito às regras do combate em si, o jogo regista as vossas acções no comando e executa-as sem a possibilidade de quebrar a ordem, quer isto dizer que se por acaso tiverem pressionado o botão de ataque três vezes, irão efectuar 3 ataques antes de poder parar. Esta forma de jogar faz com que muitas vezes seja impossível parar a meio de um combo e receber dano que de outra forma seria evitado. É um sistema que requer alguma aprendizagem por parte do jogador e faz parte da dificuldade que o jogo pretende impor. Para clarificar o que estou a dizer podemos olhar para o 2º Boss do jogo, em que quanto mais rápidos forem maior é a taxa de sucesso. Logicamente a classe mais lenta está em desvantagem, mas quer isso dizer que é injusto? Não, antes pelo contrário, requer uma mestria adicional por parte do jogador mas não é de todo impossível. O que me leva finalmente ao ponto central de The Surge, é necessário que o jogador se adapte ao jogo para conseguir progredir minimamente, caso contrário o jogador não conseguirá ir muito longe. E já agora defender neste jogo é um martírio, não só existem imensos ataques que ignoram a nossa pose defensiva como o sistema é bastante lento. Quando estão em pose defensiva podem saltar ou baixar-se para evitar um ataque, mas isto é feito com o analógico que controla a câmara e não é de todo prático.

Algo que está completamente desnivelado em The Surge é a dificuldade inicial de cada área. O sistema de melhoramentos juntamente com o facto de termos áreas separadas faz com que o impacto inicial seja demasiado punitivo. Cada arma ou armadura tem vários níveis para poderem ser melhoradas, cada nível requer um dado número de um item específico e o próprio item só pode ser recolhido de robots de uma dada área. Se quiserem por exemplo um item MKII poderão ter que voltar para a 2ª área. Quando chegamos então a uma nova área é preciso recolher items para melhorar-mos o nosso equipamento e como seria de esperar os inimigos novos são muito mais fortes. Este sistema quer que o jogador melhore com tentativa e erro no entanto não foi apenas uma vez que me fizeram passar pelo inferno para chegar ao primeiro atalho de volta à base e a frustração nunca me largou. Mesmo quando descobri o atalho não me senti mais forte, nem mais astuto, senti que cheguei até lá por pura sorte. Com o tempo vamos melhorando o equipamento e acaba por ficar tudo um bocadinho mais tolerável, mas com o avançar do jogo senti-me sempre frustrado, mesmo em situações de vitória; porque nunca é feita justiça para o jogador. Isto pode parecer apenas uma birra da minha parte mas isto não me aconteceu em outros jogos do género e é algo que os jogadores têm que estar cientes, vão encontrar várias situações verdadeiramente frustrantes.

Com este tipo de sistema as mortes são abundantes e ao contrário do que possam pensar, os locais de “re-spawn” são muito reduzidos, 1 por área. The Surge está dividido por áreas e cada uma delas está muitíssimo bem construída tendo em conta o conceito base, ainda que algumas escolhas de progressão até estejam disfarçadas bem de mais. Existe um ponto de re-spawn e um caminho principal que não é nítido, cruzando-se várias vezes com objectivos e percursos secundários e em certos pontos chave do mapa existem atalhos que nos levam de volta ao ponto de “re-spawn“. Pessoalmente gosto bastante deste sistema e da complexidade que existe no próprio mapa que percorremos, é verdade que até se pode tornar frustrante não conseguir dar logo com os atalhos, mas afinal de contas é essa descoberta que nos obriga a percorrer os vários corredores em busca de melhor equipamento e mais experiência. No entanto esta busca só acontece quando nos começamos a sentir mais confiantes e com pelo menos um atalho por perto, caso contrário mais vale espreitar em todas as esquinas, não nos vão saltar em cima com uma moca a 500 metros do local de re-spawn.

Como já referi existem vários tipos de equipamento e quando completam um conjunto de armadura este irá dar-vos um bónus. No entanto para conseguirem equipar as melhores peças de sucata vão precisar de aumentar o poder do vosso núcleo, no fundo subir de nível. Ao contrário da maioria dos jogos em que os items estão bloqueados até certo nível, aqui cada um deles tem um custo energético. Isto faz com que só possam equipar items consoante a capacidade do vosso núcleo. Algo bastante diferente entre The Surge e outros jogos do género é a possibilidade de guardar os Scraps numa espécie de banco cada vez que visitam o local de re-spawn. O que acaba por tornar a próxima mortes menos punitiva.

Um tipo de item bastante especifico e importante são os implantes. Estes são responsáveis por aumentar as vossas habilidades, desde os pontos de vida, stamina e até aos injectáveis. Os injectáveis por sua vez são o equivalente a items de cura e recuperação de stamina, existe uma grande variedade desde curar ao longo do tempo, uma injecção que cura X pontos de vida de uma só vez e até alguns que convertem energia momentânea em vida.

Quanta a armas, existem vários tipos de armas e a nossa personagem divide-as em categorias. Quanto mais utilizarem um dado tipo de arma maior será a vossa destreza com a mesma. É um sistema que até funciona mas convenhamos que num jogo como este é preciso escolher uma arma que se adapte ao vosso estilo e nem sempre é fácil encontra-la.

O ambiente de The Surge tem alguma variedade mas sempre dentro do tema fábrica ou instalações mecânicas/científicas. Sonoramente em termos de ambiente é um jogo bastante vazio onde reinam os sons de máquinas a trabalhar ou inimigos a patrulhar um local. Existem também alguns sons que funcionam como alarmes, como é o caso de zumbidos que indicam drones inimigos ou grunhidos de inimigos prestes a atacar que nos colocam de imediato em alerta.

Dado que este jogo foi analisado na sua versão PS4 posso dizer que esta versão corre muito bem a 30fps sem quebras, pelo menos nítidas e no modelo PS4 Pro podem escolher entre um modo mais fluído de 60fps, que recomendo vivamente dado o tipo de jogo, ou manter os 30fps mas uma maior resolução.

Como um todo é uma experiência que só irá agradar aos fãs do género, pois infelizmente, existem demasiadas secções frustrantes para jogadores que não estejam habituados a este tipo de jogo. Em The Surge vão encontrar uma demanda difícil e por vezes frustrante mas que tem muito para oferecer aos corajosos que se aventurarem.

Positivo

  • Variedade de armas
  • Sistema de mira do combate
  • Zonas muito bem construídas
  • Sistema de implantes
  • Os Boss oferecem desafios interessantes

Negativo

  • Momentos iniciais de cada zona
  • Sistema de defesa não funciona da melhor forma
  • Alguns inimigos são completamente desajustados

 

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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