Análise – The Surge 2

Depois de um primeiro jogo que apresentava algumas falhas mas que acabava por ser divertido, desafiante e tinha ainda um sistema de desmembramento de inimigos bem implementado, a Deck 13 decidiu investir numa sequela. Num primeiro impacto parece que quase nada mudou, mas isso está longe de ser verdade.

Olhando para trás e para as minhas memórias com The Surge, aquilo que me ficou marcado foi um jogo difícil onde podíamos desmembrar os inimigos para obter as suas armaduras. Em The Surge 2 tudo isto se mantém e bastou-me dar uns passos na zona de tutorial para ser re-lembrado que é bastante fácil morrer neste jogo.

Depois de fazerem a vossa personagem num sistema que permite uma boa dose de personalização e selecção de história de vida, o jogo tem início. Estamos num avião que se despenha e depois de conseguirmos, de alguma forma, sobreviver, está na altura de tentar não morrer para o primeiro drone que nos aparece à frente.

O tutorial de The Surge 2 não é dos melhores, é como sermos atirados aos leões. Senti-me completamente desamparado e morri, morri, morri e voltei a morrer. Este processo levou alguns minutos até que finalmente as mecânicas se começaram a encaixar. Não é um jogo de fácil aprendizagem, aliás é um jogo que acaba por ser muito mais punitivo do que um “jogo Souls” normal. Pela altura que conseguirem sair do tutorial deverão ter aprendido a manejar um par de armas.

Existem agora mais opções de armas e cada tipo de arma vem com os seus combos e estilos diferentes. Dependendo da vossa abordagem às várias situações vão acabar por ter tipos de armas que se encaixam melhor do que outras e aconselho a que experimentem todo o tipo de armas conforme as vão encontrando, pois existe sempre uma hipótese de descobrir algo novo. O sistema de combate acaba por ser uma evolução do primeiro The Surge. Contam agora com uma maior variedade e os combos parecem encaixar melhor em termos de animações e variedade. Algumas das novas armas acabam também por abrir novas abordagens e o sistema de defesa utilizado em The Surge 2 permite que utilizem a arma que bem entenderem sem grandes penalizações no mesmo. Existem também drones que podem utilizar para vários efeitos, normalmente basta apontar e carregar num botão para disparar, por exemplo.

The Surge 2 tem um sistema de defesa que nunca é muito bem explicado e cabe ao jogador ler as situações com que se depara. Claro que podem simplesmente pressionar o botão de defesa e provavelmente até bloqueia algum dano mas a chave do sucesso está em bloquear os golpes no tempo certo e na direção correcta. Esta última parte pode ser muito mais complicada do que aparenta e acaba por exigir sorte numa primeira abordagem e com a habituação ao jogo acaba por se ir tornando mais fácil de realizar, ainda que as coisas possam correr muito, muito mal se não acertarem na combinação.

Uma das mecânicas que separa The Surge dos restantes jogos do género está na forma como o sistema de melhoramentos foi desenhado. Para começar temos que obter peças ou esquemas de peças para melhorar/criar armaduras ou armas. A maneira mais eficaz passa por focar a parte do inimigo que ostenta a peça que querem e arrancá-la à força. Quer dizer então que para conseguirem o que querem para além do lock on terão ainda que apontar a um dos 6 pontos disponíveis no corpo: cabeça, tronco ou membros.

Ao separarem a parte do corpo que pretendem das restantes poderão então ficar com essa parte da armadura ou arma. É um sistema que funciona muito bem e permite que se obtenha as peças que queremos sem grandes problemas. Depois de obter uma parte esta é guardada no nosso inventário e podem criá-la quando quiserem desde que reúnam os materiais necessários.

Em termos de pontos de experiência estes são utilizados para melhorar os aspectos principais da personagem. Podem melhorar a vida, resistência e a bateria. Os dois primeiros são fáceis de entender, o último diz respeito ao limite de nódulos disponíveis que dão acesso a habilidades que também irão encontrar ao desbravar caminho pelo jogo. As armas e armaduras também podem ser alvo de melhoramentos, conforme avançam pelo jogo irão encontrar melhor equipamento pelo que estarão sempre a modificar algo na vossa personagem. Se por acaso conseguirem ter um equipamento completo recebem um bónus enquanto o utilizam.

O mundo de The Surge 2 é muito mais rico e diversificado do que o primeiro. Só na primeira área do jogo, existem inúmeros atalhos totalmente opcionais para encontrar e que realmente fazem sentido e são uma recompensa muito bem vinda para quem se atreve a explorar, o problema é que o caminho que realmente nos faz avançar pode não ser tão óbvio. Por diversas vezes dei por mim a fazer círculos por cada área até encontrar um caminho escondido que me permite avançar para a próxima área. Poderiam ter despendido algum tempo a criar um sinal a dizer “por aqui” já que a cidade de Jericho se encontra repleta de sinais neon.

Para além dos inimigos vão também encontrar alguns npc que fornecem indicações e missões ao jogador sob a forma de conversas com algumas opções de escolha envolvidas. Não era de todo necessário existirem opções nestas conversas mas são uma boa adição que permite fazer da nossa personagem algo mais do que um desmembrador sem escrúpulos que desfaz todos os inimigos que encontra em busca de melhores armas.

Um dos pontos altos e por vezes irritantes de The Surge 2 são os Boss. Estes foram desenhados para explorar as mecânicas de combate de The Surge 2 o que quer dizer que se conseguiram esgueirar-se até ao Boss utilizando tácticas como o bate e foge, poderão precisar de um pouco mais do que sorte para vencer algumas destas lutas.

Em termos de aspecto é um jogo que não espanta, sobressaindo através do aspecto geral de cada área. Cada zona tem uma identidade própria e é fácil de serem distinguidas apesar das pilhas de metal espalhadas pelas mesmas. Quanto a performance o jogo corre muito bem mesmo na PS4 normal, onde foi analisado, e não apresentou qualquer problema de fluidez. Em termos de som é um jogo relativamente vazio onde se destacam os grunhidos dos inimigos.

Este acaba por ter vários elementos essenciais do género, um mundo contido repleto de atalhos, uma história pouco intrusiva mas que fornece o propósito e ainda desafios constantes à nossa paciência e habilidade. The Surge 2 é uma melhoria relativamente ao seu antecessor em todos os aspectos e os fãs do género não irão ficar decepcionados.

 

Positivo

  • Sistema de combate e desmembramento
  • Cidade apelativa
  • Várias opções de personalização
  • Bastante desafiante

Negativo

  • Tutorial pouco explicito
  • Alguns caminhos essenciais pouco visíveis

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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