Análise – The Sinking City

  • Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PC
  • Versão de Análise: PlayStation 4
  • Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.

Se a série Warhammer é uma que tem estado a ser assombrada por jogos e jogos que adaptam o seu universo em lançamentos que ultimamente não tem oferecido uma boa experiência, as obras de Lovecraft também tem sofrido do mesmo tratamento. Mesmo que não conheçam o nome H.P. Lovecraft, muito certamente já ouviram falar ou viram até referências às suas criações, com a mais popular a ser Cthulhu, a famosa criatura gigante com uma cara de polvo, asas de dragão e figura humanoide.

The Sinking City é mais um título inspirado nas obras de Lovecraft e Mitos de Cthulhu, oferecendo um jogo de mistério cheio de referências para os fãs, mas também com um monte de problemas. Logo à primeira vista é notável que este era um jogo que necessitava de mais tempo para ser melhor polido e corrigir vários dos seus erros que vão desde animações a problemas de performance. Mas vamos começar pelo início e falar sobre a ideia por detrás do jogo.

Tal como em outros jogos mais recentes que foram baseados em Lovecraft, a história foca-se num detective que começa a ter visões tal como muitas outras pessoas por toda a América, e decide visitar a cidade de Oakmont. Esta parece ser o centro destes acontecimentos tendo sido recentemente alvo de uma misteriosa inundação que trouxe consigo monstros e essas mesmas visões que andam a levar as pessoas à loucura. A jogabilidade por sua vez adapta um formato de open world e mistério, onde o jogador deve procurar por pistas para desvendar vários casos e avançar com a história principal.

Antes de continuar com a jogabilidade vou dedicar-me ao assunto de performance que assombra o jogo, pois ambos estão ligados. Com o jogo a tomar a opção de open world é normal que alguns problemas fossem acontecer, mas neste caso existem vários que acabam por marcar a nossa aventura. Os loadings, em especial quando acontecem apenas para carregar o interior de uma casa num jogo em mundo aberto, não faz sentido. A casa não está num local diferente e o jogador não é transportado entre zonas quando entra num novo local, simplesmente ao abrir uma porta o jogador é atacado por um ecrã de loading que tanto pode ser rápido como pode demorar e depois de o interior da casa ter sido carregado o jogador pode entrar e sair à vontade sem voltar a encontrar esse ecrã de loading (isto é, até sair do jogo). Para além disso existem problemas de animação não só com a personagem principal mas com todos os NPCs, onde todos estes dão curvas apertadas quando querem mudar de direcção e também não sabem para onde ir, vagueando para trás e para a frente, indo contra objectos e em metade das vezes, estando colados uns aos outros a seguir o mesmo padrão definido pela AI. Para não falar que basta apenas o jogador virar a câmara para o lado que estes NPCs desaparecem como por magia.

Várias vezes o jogo parece encravar a pouco e pouco sem razão aparente, o “combate” que basicamente recai no jogador andar de um lado para o outro para desviar o ataque dos adversários e disparar, também necessita de várias melhorias. Até controlar o pequeno barco a motor para navegar na água torna-se num desafio quando os jogadores querem virar para qualquer lado. Isto é apenas aquilo que será notado de imediato por todos os jogadores que tocarem em The Sinking City, com outras coisas a terem lugar pelo caminho. Estes são problemas que não merecem desculpa nesta geração, mas pelo menos não existem erros tão graves como bugs que obrigam o jogador a reiniciar o jogo várias vezes ou momentos em que o jogo encrava enquanto está a guardar o vosso progresso.

Voltando à jogabilidade em si, The Sinking City repete a mesma fórmula para cada pedaço de história. O primeiro caso que o jogador tem de desvendar quando chega a Oakmont é uma situação bizarra onde ninguém sabe o que aconteceu mas existe uma pessoa morta e dois desaparecidos. Após falar com indivíduos importantes para esse caso e recolher informação pelo cenário o jogador pode activar uma espécie de “Detective Vision” para reconstruir o cenário do crime, algo semelhante ao que acontece em Batman Arkham Knight. Com o trabalho de casa feito o jogador necessita de fazer 1+1 no “Mind’s Palace” onde irá juntar várias peças deste mistério e fazer a sua dedução, que irá resultar em duas situações que de certa forma acabam por ser “Boa” e “Má”, ou seja, uma das decisões poderá salvar uma vida enquanto que a outra poderá condenar essa mesma vida, cabendo ao jogador decidir o que quer escolher tendo em conta a situação presente (e naquilo que este jogo se baseia).

O resto de The Sinking City nunca muda no seu formato, repetindo este elemento até nas missões secundárias. Por um lado aprecio o facto de o jogo obrigar o jogador a procurar pelas pistas, o nome de locais que tem de visitar e pessoas que são importantes para o caso sem estar a oferecer uma mão em todas as oportunidades, mas isto torna-se repetitivo e um pouco chato tendo em conta os pequenos segundos que demoram sempre que o jogador tem de abrir o mapa ou a secção de informação para ver ou reler as informações que recebeu. Também ajudaria mais se o jogo ao invés de contar com uma bússola no topo à la Skyrim, apresenta-se um mini mapa para ajudar a explorar o cenário de uma melhor forma.

Como foi referido anteriormente, o combate não é excepcional, com o jogador a ter um ataque físico e armas de fogo a utilizar, mas faltam alguns elementos como a habilidade de podermos esconder por detrás de objectos ou até uma melhor opção de stealth que seria bem vinda já que, apesar de o jogador tentar passar por certos locais silenciosamente, por vezes os monstros (que não tem muita variedade) aparecem mesmo à frente de nós e todos no local sabem logo de imediato onde protagonista está. Existe a opção para criar munição e itens que recuperam a vida e sanidade do jogador, com a munição também a funcionar como moeda em Oakmont, e a vida a ser algo importante a ter em conta como é óbvio. Já a sanidade é algo que está sempre presente em obras de Lovecraft e obviamente que este jogo iria contar com isso, mas a única coisa que acontece é apenas pequenas imagens ao acaso que começam a aparecer no ecrã e a visão do jogador que fica completamente distorcida, sendo uma mecânica mais virada para o irritante em vez de ser interessante.

Existem alguns modos de dificuldade que são dedicados às investigações e combate. Basicamente em termos de combate podem seleccionar se os inimigos fazem mais ou menos dano e se a sua vida é maior ou não. Tendo em conta que o combate podia ser bem melhor e de na dificuldade normal não ser necessário muito para o jogador morrer, com o jogo a enviar o jogador para o último ponto de segurança visitado, embora hajam casos onde são enviados com toda a munição que gastaram e sem vida nenhuma. No que toca à investigação, podem seleccionar se querem que o jogo vos diga se encontraram as pistas todas ou até para identificar as que são importantes para o caso, o jogo não aponta com luzes ou algo semelhante o que é possível ou não recolher, embora se o jogador aproximar-se de algo perto o suficiente irá ver um botão para as recolher.

A história por sua vez tem os seus momentos de glória. Existem algumas situações bastante interessantes, mas a repetição da jogabilidade de detective acaba por abrandar esses momentos um pouco. Quem não é familiar com Lovecraft poderá encontrar algo que lhe chame a atenção durante a sua aventura, já os fãs das suas obras vão ficar contentes com as referências que aparecem ao longo do jogo e também com algumas decisões que a história oferece ao jogador.

Em termos de mundo e ambiente este faz jus aquilo que é uma cidade que acabou de sofrer uma inundação. Existem locais com água que são apenas possíveis atravessar de barco, e mesmo em terra firme o jogador vai encontrar peixe e muito mais pelo meio da rua bem como edifícios destruídos e degradados pela água. Alguns desses locais tem um bom aspecto em termos de visuais (mesmo que estejam destruídos), enquanto que outros não tem nada de destaque. Quanto à banda sonora, não existe muito a apontar neste departamento.

The Sinking City é um daqueles jogos que com mais um pouco de tempo e atenção seria um jogo a ter debaixo de olho, no entanto, tal como muitos jogos hoje em dia, acabou por sair prematuramente. O seu maior problema é a jogabilidade e as questões técnicas, mas a história acaba por ser o seu ponto forte. Não é um jogo que irá agarrar muitos, mas os que decidirem dedicar o seu tempo ao mesmo irão encontrar algo digno da sua atenção.

Positivo:

  • História interessante
  • Ambiente bem conseguido
  • Jogabilidade de detective é interessante…

Negativo:

  • …mas repetitiva
  • Vários problemas técnicos
  • Merecia mais um tempo no forno

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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