Análise – The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia

  • Plataformas: PlayStation 4
  • Versão de Análise: PlayStation 4
  • Informação Adicional: Imagens e capturas de vídeo retiradas durante as sessões de jogo.

Apesar de a Shounen Jump ter várias séries populares como Dragon Ball, One Piece e até o recente My Hero Academia, ainda demorou um bom tempo até essas séries de manga e anime começarem a receber adaptações a videojogo. Dragon Ball é o exemplo mais velho, começando a ter jogos ainda antes dos anos 90, enquanto que One Piece apenas começou a receber os seus jogos a partir de 2000. Hoje em dia graças à insistência da Bandai Namco, até séries com menos de 5 anos tal como My Hero Academia já começam a receber videojogos a torto e a direito.

O termo “Anime Game” é normalmente usado para qualquer coisa que seja Japonesa e tenha uma das peculiaridades que se encontra em vários animes e mangas, quer seja vestuários feitos de cintos, personagens a lançarem raios pelas mãos ou saltos com mais de dois metros. Tecnicamente não está incorrecto mas a meu ver não é a maneira correcta de descrever esses jogos. Por outro lado, jogos que são baseados em anime são aquilo a que eu chamo “Anime Game”, porque no sentido da palavra, eles são um jogo (baseado em) anime.

The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia é um desses “Jogo Anime”, baseado na manga The Seven Deadly Sins e vem adaptar o que foi apresentado na primeira temporada do anime que estreou em 2014. A história segue Elizabeth, uma princesa que está à procura dos Sete Pecados Mortais, um grupo de cavaleiros que antigamente protegiam o reino de Grã-Bretanha. Encontrando Meliodas durante o início da sua aventura, um dos Sete Pecados Mortais, e juntos partem à procura do resto do grupo para assim salvar o reino do mal que o assombra. Basicamente a típica história de fantasia que encontraram em já vários jogos, mas desta vez com aquele toque anime.

Não estando a acompanhar a manga nem tendo visto a adaptação a anime, entrei às escuras para este jogo, e tenho a dizer que o mesmo não fez grandes favores ao tentar convencer-me de que tem algo para mostrar. Se os vários jogos de Dragon Ball acabam por repetir vezes sem conta a história de Dragon Ball Z, The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia toma por garantido que quem está a jogar já conhece a série. Mas mesmo que a forma como a história nos é apresentada não fosse o problema, no final a jogabilidade também não deixa muito a desejar, fazendo com que este jogo não seja dos melhores.

Começando pela história, a maneira como esta é entregue não podia ser pior. O jogo opta por não criar cutscenes nem usar a típica estrutura de visual novel, optando pelo uso dos modelos das personagens in-game para criar as cenas de conversa. Até aí tudo bem, não é o primeiro jogo a tomar esta decisão e os jogadores já estão habituados a ver as personagens paradas a falar umas com as outras, no entanto o problema é que o jogo salta várias partes da história durante estes pequenos momentos de conversa. Personagens são introduzidas sem nunca receberem uma explicação de quem são ou de onde vêm, a maioria dos acontecimentos é apressada e não representam em modos os eventos que estão a acontecer mesmo à nossa frente (ou por vezes fora do ângulo da câmara porque a produtora não se deu ao trabalho de animar essa parte), ou qual o destino das personagens envolvidas.

Tendo em conta que é o primeiro jogo da série, The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia podia ter-se focado mais neste aspecto. O material original ainda é recente e ao contrário de Dragon Ball ou One Piece, The Seven Deadly Sins ainda não conquistou todo o mundo. Se o jogo levá-se o seu tempo a explorar a história de uma ponta à outra certamente faria um melhor trabalho de nos apresentar um mundo desenvolvido com as suas próprias regras, mas por agora é apenas um trabalho apressado e que deixa a desejar.

Algo que também demorou a arrancar, e teve um melhor sucesso do que a história, foi a jogabilidade, embora a sua distância percorrida também não tenha sido grande. O menu principal do jogo é bastante simples, temos o modo de Aventura, que é onde vamos presenciar a história do jogo, e o modo de Duelo onde podemos combater contra o computador ou outros jogadores. Explorando então o modo de aventura, vamos encontrar a história, um modo de exploração onde percorremos o mapa em cima de um suíno verde gigante e selecciona-mos os locais a visitar para aceitar quests.

Não existe nenhum tipo de exploração para além da aventura com o suíno pelo mapa. Após chegar a um dos locais disponíveis o jogador pode aceitar três tipos de missões diferentes: colheita de itens com Elizabeth, onde é necessário evitar inimigos com a ajuda de Hawk (um suíno falante de proporções normais) e recolher materiais com Elizabeth; combate contra vários inimigos menores, onde o objectivo é derrotar uma certa quantidade de adversários; e as habituais boss battles onde o jogador vai enfrentar uma ou duas personagens que fazem parte da história principal.

O combate decorre numa arena de tamanho médio e o jogador pode andar livremente até aos limites da arena. O jogo é virado para a acção e o combate conta com ataques leves, pesados e de longo alcance, bem como com 3 ataques especiais que variam de personagem para personagem, basicamente algo semelhante à série Naruto Ninja Storm mas que não está ao mesmo nível. As personagens são divididas entre três categorias: Velocidade, Força e Magia. As três acabam por ter os seus prós e contras no que toca ao combate.

As personagens baseadas em força têm como maior problema o facto de serem bastante lentas, e neste tipo de jogos essa lentidão é um enorme problema pois corta a acção frenética que está a acontecer no ecrã, por outro lado estas personagens conseguem usar alguns ataques com poise, ou seja, nada os vai impedir de terminar a acção que iniciaram. Personagens baseadas em magia também enfrentam um grande problema, todos os seus ataques, tanto os normais como os ataques especiais estão ligados à barra de magia, e quando essa barra fica vazia é necessário esperar um par de segundos até ser possível realizar qualquer tipo de acção.

As personagem focadas em velocidade tem uma presença em peso neste jogo, e não há grandes problemas em comparação aos outros dois tipos de personagens, sendo rápidas, podendo atacar mesmo quando não têm magia (tal como as personagens fortes), e basicamente não apresentam qualquer tipo de penalização. Isto apenas faz com que este grupo de personagens não esteja bem balançada e de não haver grande razão para não escolher alguma personagem para além de uma focada em velocidade, pois estas têm uma vantagem natural sob as outras.

Os controlos por vezes não são os melhores, em especial devido ao targeting automático que o jogo tem, que na maioria das vezes em vez de se focar no adversário mais perto decide destacar um inimigo que esteja no outro lado da arena. Não existe maneira de parar um combo quando é iniciado e então se o jogador falha o seu alvo tem de levar com a personagem a atacar o ar e a assassinar todas as partículas de oxigénio existentes. Mas como nem tudo é negativo, o cenário é destrutível (isto é, até um certo ponto) e existem cristais espalhados pelas arenas que quando activados tanto podem curar como causar dano ao jogador e adversários, oferecendo algo mais à batalha para além do combate entre personagens.

Durante o percurso da história, quanto mais barulho fizerem durante os combates, ou seja, quanta maior for a destruição do cenário e a quantidade de ataques especiais que fazem, bem como ataques normais, o número de rumores irá aumentar, sendo que isso desbloqueia novas sidequests para realizar. É uma opção que convida a refazer algumas missões mas raramente é necessário pois é bastante fácil desbloquear novas sidequests. O jogo também conta com um sistema de equipamentos onde é possível equipar runas que tanto podem aumentar o dano que o jogador faz como reduzir o dano sofrido.

O jogo também conta com multiplayer online e local, sendo possível jogar com outro jogador na mesma sala ou através de uma ligação à Internet. Este modo multijogador está dividido entre batalhas solo e batalhas co-op, funcionando da mesma forma que as “boss battle” da história principal. Vão ter mais sorte a encontrar combates a solo em vez de combates co-op, embora não tenham muitas pessoas para enfrentar, e devido a isso os adversários que irão encontrar são pessoas já experientes e com o seu “main”. Em termos de performance online não houve problemas para além da espera longa por jogadores.

Tenho a dizer que o jogo funciona bem melhor contra jogadores humanos do que contra a AI. Os jogadores humanos sabem o que fazem, estando sempre a proteger-se contra os nossos ataques, e esforçam-se para manter o combo de ataques em alta, criando assim bons desafios que a AI não consegue oferecer nem mesmo na dificuldade mais difícil. Tornando insignificante a classe das personagens, uma vez que os jogadores humanos sabem fazer uso dessas personagens para compensar as suas fraquezas, algo que a AI não consegue fazer.

Em aspectos técnicos a banda sonora é um aspecto positivo, criando um bom ambiente para o tipo de história que The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia é. Enquanto que as personagens possuem designs variados, as várias arenas podiam ter uma maior diversidade ou diferentes ideias para além de uma superfície plana com barreiras. Para além dos pequenos problemas com a jogabilidade o jogo não apresentou outros problemas.

No geral The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia é mais virado para os fãs do que iniciados. No entanto, mesmo que tenha os fãs como base, o produto final que é entregue está aquém do que podia realmente ser. Começando pelo modo de história que necessita de uma grande mudança, passando pela jogabilidade que está um pouco enferrujada, brilhando apenas quando se está em partidas contra outros jogadores quer online quer local. Este é um jogo que devia ter tomado o seu tempo a desenvolver-se para melhor aproveitar o que o material original tem para oferecer, porque o que nos é apresentado está longe de ser algo memorável.

Positivo:

  • Banda sonora
  • Online/Local é a melhor forma de desfrutar do jogo

Negativo:

  • História podia ter sido melhor adaptada
  • Combate tem os seus problemas
  • Personagens focadas em velocidade têm vantagem sobre as outras