Análise – The Good Place (T1-2)

Vamos começar por um conceito simples que é a base desta série. Nós vivemos, e quando morremos a nossa alma vai para um sítio. Resta saber se vai para um sítio bom ou para um sítio mau. The Good Place trata então esta temática, sem assumir qualquer preconceito religioso, esta série mostra que existe um sítio para onde as nossas almas vão dependendo dos nossos comportamentos enquanto estávamos vivos. Como devem calcular pelo nome da série, vamos seguir um grupo de personagens que chega ao The Good Place.

O elenco principal é composto por 6 personagens. Temos o arquitecto Michael interpretado por Ted Danson, uma das várias criaturas que habita este local misterioso e é responsável por criar um bairro onde um dado número de pessoas vai viver para a eternidade de forma feliz. Para o auxiliar nesta demanda está Janet que é interpretada por D’Arcy Carden, esta personagem é uma espécie de android/canivete-suíço/inteligência artificial que é utilizada abundantemente por todas as personagens.

Em seguida temos o grupo de 4 humanos que recebe a boa notícia de ter chegado ao The Good Place. Temos Chidi Anagonye interpretado por William Harper que é um filósofo e tem uma grande estima pela ética e por aquilo que é o correcto; Tahani Al-Jamil interpretada por Jameela Jamil pode ser descrita como uma mulher rica que dedicou a sua vida a causas humanitárias; Jason Mendoza interpretado por Manny Jacinto é um personagem que nos é apresentado como um monge que fez um voto de silêncio e mesmo depois de morrer pretende manter esse voto e finalmente temos a personagem principal de toda a trama Eleanor Shellstrop interpretada por Kristen Bell esta personagem simplesmente era má pessoa mas como qualquer bom sistema jurídico com falhas, ocorreu uma troca de papeis e acabou por vir parar ao The Good Place, apesar de a início guardar isto para si acaba por confidenciar este mal entendido a Chidi e é este o ponto de partida para todo o desenvolvimento da série.

No The Good Place existem certas regras que têm de ser cumpridas. Para começar cada humano tem uma alma gémea com a qual é suposto partilhar a eternidade em felicidade plena. Tahani e Jason são um par sendo que o outro par é composto por Eleanor e Chidi. Tudo neste bairro foi desenhado a pensar nos gostos dos seus habitantes, desde as casas aos locais que podem frequentar. A relação inicial de Tahani e Jason parece perfeita, para quem a observa do exterior no entanto eles não são realmente felizes. A relação de Eleanor e Chidi começa a dar problemas quando Eleanor conta a Chidi que na verdade houve uma troca e que ela não deveria estar ali, sendo Chidi o personagem que tem de fazer o que está certo e depois de prometer a Eleanor que não falaria do assunto a ninguém este acaba por começar a viver um pesadelo ético pois se esta Eleanor está aqui no The Good Place então certamente existe uma Eleanor que está a ser castigada injustamente no The Bad Place.

A principio Michael organiza vários eventos para que os residentes do novo bairro se conheçam e existem uns quantos problemas que começam a acontecer e Eleanor começa a culpar-se pelos mesmos ainda que não se importe verdadeiramente com o que está a acontecer devido a ser má pessoa. A partir daqui é ver para crer. Os episódios são curtos, têm cerca de 20 minutos e cada episódio é único. Durante a 1ª temporada é desenvolvida a ideia inicial e diga-se de passagem que foi bastante divertido, mal dei pelos 13 episódios passarem, felizmente pela altura que terminei a 1ª temporada já a 2ª estava a ser emitida e por cá podem acompanhar através da Netflix com um novo episódio a cada semana (a 2ª temporada já terminou, mas foi este o sistema utilizado).

A 2ª temporada acaba por dar uma nova visão sobre a série e o grupo de personagens sofre uma evolução, sendo explorado de várias formas. Como é óbvio eu não quero dar nenhum detalhe sobre a história para além do mote inicial pois esta é uma daquelas histórias que facilmente é arruinada se soubermos o que se segue. No entanto se já viram esta série existe um spoilercast no fim desta análise.

Os actores que fazem parte do elenco principal têm uma performance bastante boa e são bem explorados enquanto personagens. No decorrer da série vamos assistir a várias facetas e a uma evolução gradual das mesmas. O elenco secundário fornece o apoio necessário ao principal de forma exímia e acaba por se conjugar bastante bem, demarcando desde logo uma posição que o próprio espectador assume como certa e ajuda a solidificar o enredo tendo em conta o tempo e número de episódios.

Esta é uma série de comédia com uma narrativa contínua bastante forte, não sendo possível saltar um único episódio sem perder o fio à meada, e isso é algo que prezo muito numa série de comédia como esta. A capacidade que esta série tem de manter o espectador agarrado é incrível devido ás possibilidades dentro do tema da série e ao tempo diminuto de cada episódio, são momentos muito bem passados e que me deixaram sempre ansioso para o próximo episódio. Apesar de uma pequena sequência no decorrer da segunda temporada me ter deixado com algumas dúvidas, pelo fim da temporada estava mais do que satisfeito com a mesma, mas isso é de esperar quando nos trocam as voltas e ficamos um pouco perdidos.

A magia de The Good Place está também nos efeitos especiais assumidamente maus, eles são assim para adicionar ao efeito cómico da situação e isso é notório, pois os bons efeitos especiais estão sempre patentes e nós nem damos por eles se não os procurarmos. Como um todo é uma série de comédia que recomendo a todos, é hilariante e provavelmente a série de comédia mais forte que vi nos últimos anos. Felizmente já foi confirmada uma 3ª temporada que irá estrear na recta final do ano.

Para quem já viu a série fica aqui o nosso Spoilercast, atenção que o vídeo irá estragar por completo a experiência de quem ainda não viu e pretende ver a série.

Positivo

  • Enredo
  • Personagens
  • Aspecto dos efeitos especiais e cenário

Negativo

  • Demasiados “Cliffhangers”

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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