Análise – The Awakened Fate Ultimatum

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The Awakened Fate Ultimatum começa de uma forma parecida ao seu antecessor The Guided Fate Paradox. No mundo dos humanos um rapaz é escolhido para se tornar Deus, no entanto ao contrário de ganhar uma lotaria, aqui o nosso protagonista é atacado por anjos da morte.

Algo que saltará de imediato à vista de qualquer pessoa que tenha jogado Paradox, é que esta Celestia é completamente diferente. Celestia actuava como um Hub World em The Guided Fate Paradox, o jogador tinha liberdade para falar com vários NPC e utilizar lojas, inventários, cofres e escolher masmorras. Em The Awakened Fate Ultimatum, Celestia é um menu, e esta é uma mudança bastante positiva. Com esta mudança o jogo é muito mais rápido e simples, eliminando a necessidade de percorrer Celestia sempre que voltávamos de uma masmorra.

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Para avançar na história existe uma opção para começar o próximo evento no topo do menu, depois das conversas e escolhas, em alguns casos, irão desbloquear uma nova masmorra. Após completarem a masmorra correspondente ao segmento de história, esta continua. A fórmula será esta durante todo o jogo.

Durante os segmentos de história, que podem ser extremamente longos, irão ter escolhas a fazer. Apesar de terem apenas duas opções de escolha, não se deixem enganar pelo bom e pelo mau, longe disso.

Logo desde o início do jogo percebem que ao tornarem-se Deus, um anjo e um diabo tiveram que dar parte da sua alma para que nós nos pudéssemos desenvolver. Assim as escolhas são representadas por cada uma. A escolha que normalmente parece a correcta a fazer é representada por Jupiel, uma rapariga anjo que nos é destacada com exclusividade. Do outro lado temos Ariel uma cientista diabo que é responsável pela nossa manutenção. E manutenção é o termo usado pelo jogo, por isso não comecem a dar asas à imaginação…

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Estas personagens irão interagir bastante connosco durante a nossa demanda para salvar os anjos da extinção. Esta é outra grande diferença em relação a Paradox, aqui Deus não vai ter tempo para alterar o destino de várias personagens, pois está bastante ocupado a tentar salvar os anjos e consequentemente os humanos.

A história é retratada de uma forma séria com vários momentos cómicos, é uma história que tem bons momentos e as nossas escolhas refletem-se na mesma.

A história é contada por diálogos e imagens paradas, felizmente os atores que dão a vos às personagens fazem um excelente trabalho, apenas os diálogos que dizem respeito ao que o protagonista está a pensar não têm direito a voz. Existe ainda opção entre vozes em japonês e inglês pelo que podem escolher a que mais vos agradar, pessoalmente gostei bastante das duas versões, mas dado o tipo de jogo senti-me mais envolto na história com as vozes em japonês.

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A banda sonora tal como no primeiro jogo contém uma abertura frenética que facilmente ficará presa na vossa cabeça, e várias músicas ambiente para cada situação que são competentes mas não passam de genéricas.

Mas então e como se porta Ultimatum naquilo que realmente interessa, o combate?

A resposta a essa pergunta é extensa… O combate tal como o seu antecessor passa-se numa masmorra, num formato de grelha onde cada acção nossa corresponde a um turno e todos os inimigos nessa masmorra efetuam uma ação por cada turno. Parece fácil? Bem graças a este sistema é relativamente fácil de serem apanhados numa cilada, ficar rodeado por inimigos é o prato do dia em masmorras mais avançadas. Assim por cada ataque nosso iremos normalmente sofrer três ou quatro. Suponho que já perceberam que devido a isto o jogo requer Grinding, muito Grinding, pois a juntar a isto existem ainda picos de dificuldade totalmente descabidos.

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Eu já sabia ao que ia… mas eu não estava preparado, não estava mesmo nada preparado. Cada vez que acabava uma masmorra, eu repeti-a pelo menos duas vezes. Pensava eu que este método iria evitar que mais tarde tivesse grandes secções de grinding, como eu estava errado. Os picos de dificuldade acentuam-se não só de masmorra para masmorra mas também entre pisos, quanto mais próximo do fim da masmorra mais complicado será. Cheguei ao ponto de entrar numa masmorra a sofrer cerca de 20 pontos de dano por cada ataque e no último piso estar já a sofrer quase o dobro. Isto tendo em conta que a minha barra de vida na altura era de 110.

Assim grinding é obrigatório!

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Em combate e ao contrário do seu antecessor já não temos um companheiro NPC para nos ajudar, tal como a nossa armadura e armas já não enfraquecem com o uso. Em vez desse sistema, temos agora duas transformações, por um lado podemos chamar a nossa metade divina que aumentará os nossos atributos de acordo com a evolução que lhe damos, ou o nosso lado demoníaco que funciona da mesma maneira. Cada transformação é evoluída separadamente, pelo que uma transformação poderá dar mais defesa, ataque e vida do que a outra. No entanto cada uma destas formas fará mais dano e é mais resistente aos inimigos da facção contrária.

Por outras palavras a nossa armadura angelical irá resistir melhor a ataques de demónios e causará mais dano aos mesmos, e a nossa armadura demoníaca o inverso. Estas transformações aumentam os nossos pontos base com base em percentagem que vão sendo melhoradas conforme o que escolherem numa Skill Tree.

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Estas transformações têm um custo, e o preço a pagar faz com que seja extremamente complicado para o jogador arriscar. Por cada turno a andar ou ataque básico enquanto transformados, a nossa barra de SP que tem 100 pontos, diminui em 2 pontos. A juntar a isto cada habilidade também irá custar um dado valor a esta barra, assim só é recomendável utilizarem as habilidades mais poderosas em situações muito seguras ou de risco, pois o facto de apenas podermos transportar 30 items connosco, incluindo equipamento que estão a usar e loot recolhido na masmorra, faz com que poções fiquem para trás. Felizmente assim que voltamos ao normal a barra de SP recupera dois pontos por turno.

Mas existe uma terceira barra, a barra de AP ou barra da fome como eu lhe chamo, de X em X acções esta barra também ela com 100 pontos irá diminuir 1 ponto. Se esta chegar aos 0 cada acção nossa irá custar-nos 1 ponto de vida. Para recuperar a barra da fome… adivinharam, temos de comer. Mas pelos vistos os anjos e demónios são muito esquisitos pois o único alimento que podemos comer são maçãs.

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Como as masmorras são tão acolhedoras teremos também algumas armadilhas escondidas, estas podem: paralisar, envenenar, retirar SP, HP ou AP, ou toda uma panóplia de sintomas dignos de um manicómio. Ocasionalmente poderão encontrar algumas melhorias escondidas da mesma forma. Apesar de serem efeitos temporários, não há nada melhor do que perder todos os items em nossa posse por perder devido ao estado de confusão, onde não andamos para onde queremos e atacamos o ar em vez dos inimigos.

Tal como referi se perderem durante uma masmorra perderão todos os items, isto incluí os items equipados. Aquela arma que tinham estado a melhorar há muitas horas? Podem esquecê-la e começar de novo. Felizmente e para o bem da sanidade mental de alguns, podem gravar antes de cada masmorra.

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Caso sejam como eu, irão olhar para as masmorras como um tabuleiro de xadrez onde cada movimento conta e existe sempre hipótese de vencer… caso estejam a um nível adequado. Assim e a pensar em desafios, após passarem a história terão a hipótese de recomeçar a história mantendo todos os pontos gastos nas vossas formas ou de avançarem para o Post-Game. Aqui irão encontrar ainda mais desafios, onde injustiça será dizer pouco, mas deixo isso ao critério de quem lá chegar.

No fundo o sistema de combate é simples de usar para quem não está habituado e cheio de artimanhas para quem o entender. Infelizmente terão de ser mestres neste sistema dado o nível de dificuldade do jogo. Aqui uma escolha de dificuldade seria bem-vinda.

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The Awakened Fate Ultimatum é um jogo que junta o melhor de dois mundos, uma história e apresentação digna de Anime e um sistema de combate para os jogadores mais avançados. Apesar de ter um combate que não perdoa um único erro e de ser extremamente difícil, é também um dos mais recompensadores e dos meus favoritos. No geral o que estraga o jogo é o grinding excessivo, e este é certamente um ponto que afastará muitas pessoas. Este é um jogo que requer muitas horas para ser devidamente explorado, restringindo assim a audiência em grande número.

Positivo

  • História
  • Apresentação
  • Sistema de combate fácil de usar
  • Masmorras aleatórias atenuam o grinding
  • Estratégia é vital para conseguirem sobreviver
  • Muitas armas e acessórios
  • Escolhas têm impacto na forma como a história é contada
  • Tema musical principal
  • Vários ataques para usar…

Negativo

  • … que raramente vão usar devido ao seu custo
  • Banda sonora passa despercebida em grande parte do jogo
  • Requer demasiado grinding
  • Picos de dificuldade fazem com que o jogador fique preso durante horas

pn-bom-ana

 

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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