Análise – Tetris Effect

Quando a uma hora tardia de 2018 me pergunto porque motivo é que estou a jogar Tetris até a vista ficar cansada com o sono, é porque existe certamente algo de novo no mundo de Tetris que me fez regressar aos bons velhos tempos em que o joguei pela primeira vez no Gameboy durante horas a fio.

Se na altura, o que me fazia ligar Tetris mais vezes era a falta de jogos na minha colecção, hoje em dia isso não seria desculpa, mas Tetris Effect conseguiu esse feito. Em 2018, Tetris é relevante outra vez, não por ter algo novo, mas por ter sido repensado com vontade de fazer algo novo sem fugir ao conceito original.

Tetris Effect faz lembrar imenso Lumines, pois parte da experiência de jogo está ligada ao impacto visual. Quase tudo neste jogo foi feito e desenhado para criar alguma espécie de impacto visual ou deslumbre. Grande parte disso é conferido com aquilo que está a acontecer nos cenários de jogo, mas também na utilização dos sons e música.

Ou seja, na sua base, Tetris Effect é um Tetris como os anteriores, os blocos vão de cima para baixo, há que limpar linhas, fazer combos e não deixar que as peças cheguem até ao topo do ecrã. Uma das ferramentas adicionadas é o Zone, uma barra que enche até nos permitir que a velocidade do jogo pare e nos deixe criar sequências de várias linhas que resultam em mais pontos de bónus extra.

Tetris Effect tem como porta estandarte uma espécie de campanha que nos leva a passar por diferentes cenários, os quais representam coisas como oceanos, espaço, festas tribais ou até moinhos de vento. Os cenários tendem sempre a ser diferentes, mas alguns deles pecam apenas por não estar ao nível de alguns anteriores, ou por usar peças com cores ou formatos que acabam por atrapalhar a nível visual. Após terminar a campanha, existe mais para fazer, pois existem coisas para desbloquear e um modo de competição online indirecta.

Quando acedemos à componente online, podemos tentar fazer os melhores tempos em modos de limpar blocos, ou tentar criar o máximo de linhas. Aqui surgem também algumas playlists de cenários personalizadas, havendo hipótese de personalizar também as nossas.

Onde Tetris Effect consegue se tornar frustrante é na forma como consegue ser bastante difícil caso joguem no modo normal para cima. Eu sei que não sou o melhor jogador de Tetris, mas jogar com velocidades acima dos 10 níveis já se torna demasiado complicado para sequer posicionar as peças, quanto mais pensar o que se vai fazer a seguir. Curiosamente, notei que a minha tenacidade aumentou à medida que ia jogando, pois se Nível 6 já parecia demasiado rápido quando comecei a campanha, no final, nível 7 já me parecia bastante mais simples de organizar e de gerir.

Tendo em conta o que já referi em cima, é fácil perceber que Tetris Effect é um jogo bastante bom no que toca ao aspecto visual. Grande parte dos cenários oferece um espectáculo soberbo que vai apelar bastante a quem estiver a jogar. Com a velocidade de algumas pistas, até acredito que as pessoas que estão a ver, são as que vão poder aproveitar melhor os efeitos. Tudo isto é ajudado por uma banda sonora brilhante que reage aos blocos e movimentos. Confesso que alguns cenários não foram do meu agrado, mas não se pode ter tudo.

Quanto à componente VR, o meu teste com o PS VR correu bem, sem qualquer enjoo ou dores de cabeça. O espectáculo em 3D é digno de ser visto, mas também consegue distrair um pouco. A qualidade da imagem também me parecia um pouco esborratada em alguns cenários, o que me levou a tirar muitas vezes os óculos para perceber se havia dedadas ou estava a embaciar. Não quero com isto dizer que a experiência é negativa em VR, mas não é arrebatador.

Depois de várias horas a jogar Tetris Effect e a deixar-me emergir pela experiência, reconheço que qualquer jogo poderá fazer um regresso em grande quando colocado nas mãos certas e existe paixão pelo que se faz. Não vejo como a série poderá evoluir depois de Tetris Effect, mas se alguém conseguiu conceber este jogo, alguém terá a capacidade de o evoluir no futuro.

Positivo:

  • Tetris viciante como sempre
  • Excelente trabalho sonoro e visual
  • Boa utilização do VR
  • Picos de dificuldade em modos normais
  • Variedade dos temas

Negativo:

  • Alguma confusão visual
  • VR ajuda a distrair

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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