Análise – Ted 2

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Mais conhecido pelo seu envolvimento em séries de animação como Family Guy, Seth MacFarlane estreou-se no papel de realizador de longas-metragens com o filme Ted em 2012. Apesar de não ser perfeito, é um filme divertido que explora um conceito interessante e teve bastante sucesso.

O seu segundo filme, A Million Ways to Die in the West, foi uma comédia no velho oeste que não conseguiu atingir o mesmo nível de sucesso que o primeiro. Também não me convenceu muito quanto à aptidão de actuação de Seth MacFarlane, deixando-me mais irritado do que a rir.

Na esperança de que entendeu que o papel de actor não é para ele, MacFarlane volta a dar a voz do urso de peluche em Ted 2 na esperança de voltar a capturar o que tornou o original num êxito. E tal como muitas outras sequelas de filmes de comédia, não resultou.

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O primeiro filme conta a história de John Bennett (Mark Wahlberg) e do seu melhor amigo Ted, um urso de peluche que veio à vida através de um desejo feito por John quando era uma criança porque magia e cenas. Agora com 35 anos, John tenta arranjar um equilíbrio entre a sua relação com Ted e Lori Collins (Mila Kunis), com quem já namora há 4 anos e procura ter uma relação mais séria com John.

Em Ted 2, o foco é virado para Ted que, após casar-se com Tami-Lynn (Jessica Barth), começa a ter problemas de relacionamento com a mulher e decide que a melhor solução para resolver isso é ter uma criança. Mais tarde, Ted descobre que não é qualificado para ser pai porque é visto como um bem pelo governo. Ted e John pedem ajuda à advogado amadora Samantha Jackson (Amanda Seyfried) para os ajudar a provar em tribunal que Ted é uma pessoa.

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Para um filme que se define como uma sequela, Ted 2 toma algumas liberdades em criar inconsistências com o original. Começando pelo próprio Ted, a principal premissa da sequela é provar que ele é uma pessoa, mas porque é que esta questão não foi levantada bem mais cedo no primeiro filme?

Eu consigo aceitar que não houve grandes preocupações quando Ted veio à vida nos anos 80 porque limitava-se a ser um urso de peluche falante. Mas uns anos mais tarde nós vemos que Ted consegue conduzir, o que significa que provavelmente tirou a carta de condução, para além de arranjar trabalho numa mercearia e uma casa. O governo ou mais alguém teve problemas com isto? Aparentemente não.

Até mesmo em Ted 2, o filme começa no seu casamento e ele chega a ir a um hospital para discutir com um médico a possibilidade de usar inseminação artificial para a sua mulher ter um bebé, e ninguém tem nada a dizer. Mas quando decidem adoptar uma criança, de repente lembram-se que afinal Ted não é humano, portanto não tem direito a ser pai, ter um trabalho, estar casado e conduzir, o que torna toda a premissa da narrativa algo forçada.

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E depois temos John que, no primeiro filme, demonstrou ter uma excelente relação com Lori e até acabam por se casar no fim. O que é que descobrimos nos primeiros minutos de Ted 2? Eles divorciaram-se, explicando que a Lori queria tornar John em algo que ele não era, e o filme está à espera que nós aceitamos essa justificação sem sentido.

Eu sei que a Mila Kunis estava grávida ou estava a cuidar do seu recém-nascido na altura das gravações do filme, mas parece que a ausência da sua personagem foi decidida por Seth MacFarlane propositadamente. Seja qual for a razão, é introduzida a advogada Samantha para servir como o interesse amoroso obrigatório de John.

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Talvez não estejam tão interessados na história e apenas queiram saber se o filme é engraçado, mas até nesse aspecto Ted 2 é uma desilusão. Enquanto o primeiro filme consegue criar um bom equilíbrio e fluidez na sua comédia na maioria das vezes, a sequela está uma autêntica confusão, atirando referências e cameos a torto e a direito que estão mais viradas para o público americano. Até mesmo a referência ao Jurassic Park pareceu forçada, por incrível que pareça.

Como seria de esperar de Seth MacFarlane, há muitas piadas politicamente incorrectas e há uma grande variedade entre elas, garantindo que uma ou duas vos farão rir. Mas as melhores são aquelas situações que surgem do meio do nada, mesmo não tendo grande influência na história em si.

Apesar de existir alguma química entre as personagens, há vários momentos mortos onde elas estão a falar e nada de interessante está a ser dito ou as pequenas piadas que referem não provocam grandes gargalhadas. Existe um momento musical nos créditos iniciais que demonstra mais uma vez que MacFarlane tem um fetiche pela Broadway e mais um cujo o único propósito parece ser para nos relembrar que Amanda Seyfried esteve no Mamma Mia! e que sabe cantar. No entanto, nenhuma delas chegam aos calcanhares da música do trovão.

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Ted 2 é como se fosse um episódio demasiado longo de Family Guy. Dá para passar o tempo e há momentos genuínos que conseguem ter piada, mas mais tarde ou mais cedo vão começar a ficar aborrecidos, o que é sempre mau sinal num filme de comédia.

Positivo

  • Seth MacFarlane como Ted
  • Alguns momentos de humor inesperados
  • Aparece um cosplay de Godzilla (yep, é só)

Negativo

  • Inconsistências com o filme anterior
  • Momentos déjà vu que parecem copiados do original
  • Vários momentos mortos

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Sérgio Batista

Membro do PróximoNível desde 2015. Tira fotos em demasia durante os eventos.

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