Análise – Tears to Tiara 2: Heir of the Overlord

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Se existe um género que chega em poucas doses ao ocidente, são os jogos assentes no formato Visual Novel. Já tivemos diversos feitos no ocidente, mas estes gravitam quase sempre para o plano do jogo de puzzles e aventura.

No caso das Visual Novels japonesas, o caso muda de figura, pois estas conseguem ser muito mais maçudas e desprovidas de interactividade. Isto resulta num género que respeita apenas a um nicho de fãs.

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No caso de Tears to Tiara 2: Heir of the Overlord, temos aqui uma Visual Novel mascarada de RPG de estratégia ao estilo de Final Fantasy Tactics, Disgaea ou até do recente Natural Doctrine. Infelizmente para ele, parece não criar um balanço entre os dois géneros.

A primeira coisa que sentimos a jogar Tears to Tiara 2: Heir of the Overlord, é que as sequências de diálogo são demasiado longas. É natural que o género tenha imensos diálogos e personagens para mostrar, mas aqui, podem contar com imensos segmentos que vão além dos 20 a 30 minutos seguidos de texto sem parar.

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Embora não seja culpa dele, a história é um tanto ou quanto esmagadora, e o facto do primeiro jogo nunca ter visto a luz do dia no ocidente, faz com que muitas referências sejam algo obscuras. A equipa de desenvolvimento e até a própria localização tentam suavizar a situação com muita exposição, mas ao fim de largos minutos de conversa, é comum desviar um pouco a atenção e perder algumas informações básicas que acabam por ser mais importantes mais tarde.

Outro problema relacionado com os grandes segmentos de conversa, é que raramente são intercalados por momentos de pausa ou de combate, o que acaba por ser aborrecido, ou em alguns casos, perigoso, pois não é possível gravar o jogo durante muito tempo e com um pequeno azar, vão ter de rever uma sequência de diálogo novamente desde o início.

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Felizmente, a história e personagens são bastante interessantes, se bem que demasiado dramáticas. A primeira hora de jogo é quase composta de momentos pesados, choradeira e personagens deprimidas. É verdade que isto não é Disgaea e tenta ser mais sério, mas nem Final Fantasy Tactics vai tão longe quanto Tears to Tiara 2: Heir of the Overlord.

No que respeita ao combate, este vai muito de encontro aos jogos mencionados acima, se bem que Natural Doctrine é o melhor exemplo, pois o combate não é tão espalhafatoso como o de Disgaea, nem tão épico como o de Tactics. A personalização de estratégias e ferramentas de combate são vastas e permitem explorar as características de algumas personagens, o que resulta em bons momentos de estratégia.

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Nos primeiros momentos, Tears to Tiara 2: Heir of the Overlord parece demasiado mecanizado e directo às acções mais simples, mas após cada combate, vão ser presenteados com mais informação e tutoriais que explicam como podem combater.

Os combates começam a ficar cada vez mais difíceis, mas nunca ao nível de Natural Doctrine. Existe algum espaço para o erro e os inimigos não são tão impiedosos quanto isso, não tendo por costume o atacar das personagens mais vulneráveis.

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No geral o combate é funcional, mas acaba por ser relegado para segundo plano, o que é uma pena. Demos por nós muitas vezes a pensar quando ia terminar mais um grande segmento de conversa para saltar para o próximo combate, o que prova que podia haver mais momentos de interacção como estes.

Visualmente, Tears to Tiara 2: Heir of the Overlord consegue ser bastante apelativo, mas está bem longe de aproveitar as capacidades da PS3. Os diálogos são feitos com o típico desenho em anime das personagens, enquanto que no terreno, estas são transformadas numa espécie de personagens chibi, ou seja, uma diferença ao estilo de Final Fantasy 7.no que toca a proporções desfazadas.

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Tendo em conta o tema mais sério do jogo, estas figuras acabam por dar um aspecto mais alegre, o que até calha bem. É verdade que podia ter modelos mais detalhados, mas no global, não é nada mau.

Sonoramente, Tears to Tiara 2: Heir of the Overlord tem um bom resultado. As músicas são boas e agradáveis de ouvir. As vozes estão apenas em japonês, o que faz sentido tendo em conta a quantidade de diálogos que o jogo engloba. As vozes são prestadas por actores competentes que fazem um bom trabalho em dar um colorido às emoções presentes em cada diálogo.

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No global, Tears to Tiara 2: Heir of the Overlord é uma boa experiência, embora tenha algumas falhas. A mais grave é claramente a forma como equilibra o tempo dos diálogos com o dos combates. Como o jogo nunca assume que é um dos dois, parece bastante desequilibrado e a pender para muitas horas de falas que vão entediar a maioria das audiências.

Pensem em Tears to Tiara 2: Heir of the Overlord como um livro digital com alguma interação em formato de combates por turnos e estratégia. Se isto vos agrada, então é para vocês que o jogo foi criado.

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Positivo:

  • História interessante
  • Combate bem concebido
  • Ideal para quem gosta de ler
  • Visual chibi apelativo

Negativo:

  • Pouco equilíbrio entre os géneros
  • Diálogos chegam demorar mais de meia hora
  • Demasiado melodramático

pn-bom-ana

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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