Análise – Tales of Berseria

Para quem já conhece Tales, os jogos desta série são conhecidos por ter uma história longa, enredo um tanto melodramático, gráficos cel shading com traços de anime e um sistema de batalha em tempo real.
Tales of Berseria apresenta tudo o que referi acima, à excepção de uma coisa ou outra.
A história é longa e recheada de plot twists – uns um tanto inesperados, outros nem por isso; o enredo tem momentos bastante bons (e outros um pouco forçados) e o combate é bastante porreiro, embora se torne repetitivo com o tempo.
Tales of Berseria diferencia-se de todos os outros Tales por causa das suas personagens maduras e pelo ambiente que tem, acaba por ser bastante diferente de todos os outros da franquia.

Velvet Crowe, a protagonista do jogo, é introduzida como uma jovem mulher que cuida do seu irmão mais novo (tendo este uma doença) num mundo repleto de demónios e um ser maligno chamado Malevolence.
A vida de Velvet muda quando o seu irmão mais novo Laphicet é sacrificado com o fim de apaziguar o mal que existe no mundo, esta é transformada num demónio e capturada (e consequentemente levada para uma prisão).

Após algumas horas de jogo a história de Tales of Berseria vira uma autêntica história acerca de vingança, e quando voltamos a ver Velvet ela já não é a mesma jovem mulher que vimos no início do jogo: ela está furiosa e quer vingar a morte do irmão. O que mais me agradou nela foi isso mesmo, ela é bastante diferente de todos os protagonistas anteriores da franquia. Ela não quer salvar o mundo, aliás ela quer destruir a pessoa que o “salvou”.

O ambiente de Tales of Berseria é mais negro, sendo que Velvet está disposta a sacrificar tudo e todos, fazer seja o que for necessário para conseguir cumprir o seu objectivo e ter o que quer.
Seja matar, roubar ,manipular, ameaçar; Velvet não quer saber desde que consiga ter a sua vingança e por vezes a sua apatia consegue fazer um pouco de confusão embora os seus motivos sejam válidos.

À medida que avançam no jogo, a vossa equipa vai aumentando, e posso dizer que gostei muito de todas as personagens do grupo. pois embora sejam todos muito diferentes uns dos outros, há ali uma harmonia e é bastante giro ver as interacções entre todos.
Eizen é um pirata bastante conhecido que quer encontrar o capitão do seu navio, Rokurou é um demónio que quer matar o seu irmão e Magilou é uma bruxa um tanto imprevisível que adora arranjar problemas e confusão.

Como nos jogos de Tales anteriores, a melhor forma de conhecerem as personagens é através de conversas opcionais. São conversas de voz entre os membros da vossa equipa que podem ser bastante boas em termos de escrita…às vezes. Outras nem tanto, pois podem ser engraçadas, embaraçosas, inadequadas, random ou apenas aborrecidas e que servem para encher chouriços.

A personagem que mais sobressai no jogo é Eleanor, sendo a única personagem que quer praticar o bem no meio de toda a confusão. Ela tenta sempre ajudar as pessoas e faz o que acha que é mais correcto, mas depois de ir parar a outra dimensão com Velvet e companhia é obrigada a trabalhar com eles para sair de lá. Ao longo do jogo irão reparar o quão desconfortável ela se sente, estando presa entre dois mundos muito distintos, o que se torna interessante.

Quanto às batalhas, são em tempo real como nos jogos de Tales anteriores, embora tenha algumas mudanças.
Os combates são feitos num local aberto, 3D, onde nos podemos mover livremente para atacar e defender como bem nos apetecer.
Deixa de existir a barra de Pontos Técnicos e passa a existir a Soul Gauge. Podem roubar almas a inimigos ao paralisarem-nos ou derrotarem-nos. O Soul Gauge dá alguma fluidez às batalhas, embora não as altere muito.

Uma coisa bastante boa do combate em Tales of Berseria é o facto de poderem experimentar bastante. Existem várias artes (habilidades) diferentes entre todos os membros da equipa e desde que tenham souls suficientes, podem fazer combos únicos.

Apesar de ser algo que não é uma novidade, torna-se bem mais fluido em Tales of Berseria do que noutros jogos da franquia. Algo que podem fazer quando têm 3 souls é uma Break Arte, que esvazia o vosso Soul Gauge mas tem um efeito devastador. Desde que tenham um bom timing com as break artes e as hidden artes, as batalhas tornam-se bastante interessantes. Ao início desbloquear artes é bastante giro, mas torna-se algo repetitivo com o tempo.

Tal como Zestiria e Xillia, Berseria não tem um overworld.
Poderão viajar de cidade para cidade através de áreas grandes, como prados, grutas, bosques, regiões montanhosas mas que não surpreendem muito, pois são bastante semelhantes às de jogos anteriores.

As masmorras consistem em corredores longos que de vez em quando se dividem em dois, cheios de puzzles simples e bastantes inimigos iguais ou parecidos. Fora as cores, as masmorras parecem idênticas, o que desilude um bocado.

Os gráficos parecem bastante outdated, faltando detalhes por vezes, os personagens secundários parecem… aborrecidos e fora das batalhas a animação consegue ser estranha por vezes. Em relação à banda sonora, é boa e adequa-se ao ambiente do jogo e o trabalho vocal é bom, embora prefira o japonês.

Apesar de ter alguns pontos negativos, Tales of Berseria é um jogo bastante bom e com personagens muito interessantes e acaba por levar a série Tales numa nova direcção que consegue ser deveras interessante.

Positivo

  • Excelentes personagens
  • Ambiente interessante e fora do comum
  • Banda sonora bastante boa e dentro do tema
  • Sistema de combate bastante fluido

Negativo

  • Gráficos ultrapassados
  • Visuais e cenários parecem re-aproveitados de outros jogos

 

 

Adriana Silva

Fã de videojogos, especialmente RPGs, Visual Novels e jogos de ritmo.
Gosto de anime, light novels e séries de televisão.
Devido à escolha de Steins;Gate, vim parar a esta linha temporal.
Cosplayer de coração, aspiro ser uma grande treinadora de Pokémon. (pelo menos melhor que o Ash…) Se isso não der certo, contento-me com governar Hyrule ao lado do Link.

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Adriana Silva

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Gosto de anime, light novels e séries de televisão.
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