Análise – Sword Art Online: Fatal Bullet

A primeira vez que ouvi falar em Sword Art Online fiquei bastante curioso e todo o conceito de estar preso num jogo foi bastante interessante, no entanto com o passar do tempo Sword Art Online foi expandindo esta abordagem e chega-nos agora o primeiro jogo totalmente dedicado a Gun Gale Online, um outro jogo pertencente ao mesmo universo com os mesmos protagonistas. Em Gun Gale Online os jogadores trocam as armas medievais por armas futuristas e o jogo passa a ser um third person shooter com claras influências de um JRPG.

Sword Art Online: Fatal Bullet optou por uma história que permite ao jogador criar a sua própria personagem e coloca-nos numa posição em que podemos interagir com as outras personagens já bem conhecidas da série. Não demorou muito tempo até dar de caras com os protagonistas de SAO, Kirito e Asuna. Depois de acidentalmente ficarmos com um Arfa-Sys bastante raro a aventura começa, e para aqueles que já estão confusos eu vou tentar explicar muito resumidamente o que se passa nas primeiras horas de SAO: Fatal Bullet.

O nosso personagem tem uma amiga de infância que o levou a jogar Gun Gale Online para a ajudar numa missão, a recompensa dessa missão era um item bastante raro que acabou por ser um Arfa-Sys de um modelo extremamente raro. Este Arfa-Sys é o equivalente a uma personagem controlada pela IA que nos vai acompanhar e é o que coloca a narrativa em movimento. Vocês podem personalizar o/a Arfa-Sys com as mesmas ferramentas que utilizaram para criar o vosso avatar e a ideia é criar uma ligação entre um jogador e uma IA que está a aprender com o jogador.

No meio de tudo isto existem imensas cinemáticas e momentos de exposição antes de voltarmos a “jogar”. As conversas entre personagens são acompanhadas por vozes japonesas e tal como seria de esperar de um jogo deste género temos os modelos das personagens a olharem directamente para nós enquanto o diálogo se desenrola. A minha parte favorita é mesmo quando a meio destes diálogos existe uma batalha e somos presenteados com um ecrã que escurece e meio segundo depois temos as personagens a arfarem como se tivessem tido a batalha mais épica do jogo. Obrigado por me deixarem ver e/ou jogar esta bela batalha, afinal de contas há 15 minutos que estou aqui a carregar num único botão e a ler o diálogo. Estes pequenos momentos deixaram-me desapontado, pois não só a história inicial é do mais genérico que existe, como as melhores partes acontecem fora de câmara. Este foi um problema que perdurou no jogo quase até ao fim.

Os momentos de exposição transmitem-nos a informação sobre a localização e as várias mecânicas presentes no jogo que são uma mistura entre o complexo e o datado. Como qualquer JRPG, SAO: Fatal Bullet tem mecânicas mais profundas do que aparenta e estas causam alguma confusão a início. Neste jogo existem vários tipos de armas, com vários níveis de raridade, em cima disto existem itens para personalizar a personagem e mecânicas que permitem melhorar armas entre outras. No entanto existem aqui algumas mecânicas que simplesmente não nos facilitam a vida, desde o mais básico como não podermos ter a arma que queremos melhorar equipada até à dispersão total das várias lojas e serviços por várias áreas do mapa o que resulta em viagens e ecrãs de loading em demasia. Para complicar ainda mais este sistema, existem várias habilidades e engenhocas que podem equipar, estas só podem ser equipadas num computador no vosso quarto ou lobby, a conveniência não foi de todo um elemento pensado para este jogo.

Quando finalmente começamos a jogar deparamos-nos com um cenário bastante peculiar. Por um lado emula bastante bem o aspecto de um MMORPG por outro é um aspecto bastante fraco. A área social do jogo está dividida entre vários mapas e podem fazer fast travel para qualquer localização a qualquer momento. Mesmo quando estão em áreas de acção, podem efectuar um teleporte para qualquer uma das áreas sociais e dão por terminada a vossa sessão de aventura.

Existem algumas áreas de exploração aberta e que são dedicadas à acção. O aspecto mais uma vez faz lembrar os MMORPGS mais básicos e todo o comportamento dos grupos de inimigos e a própria simulação de outros grupos de jogadores a vaguearem pelo mundo dão o aspecto de um MMORPG que já ninguém quer jogar tal é a dispersão de inimigos. Quando começamos a explorar estas áreas é notório que o ambiente se torna vazio, repetitivo e enfadonho. Para começar temos um aspecto desértico pós-apocalíptico em tons castanhos que faz deste um jogo onde todos os inimigos se destacam facilmente, só quase no fim é que temos uma área onde predominam os verdes. O outro tipo de área são as masmorras que são compostas por salas e corredores com um aspecto de fábrica. A exploração de algumas destas masmorras obriga a utilização de algumas mecânicas pouco desenvolvidas e que acabam por ser estranhas de utilizar em condições como é o caso do grappling hook que tem condições muito especificas para o seu uso.

Os inimigos rapidamente parecem repetir-se com padrões de cor diferentes conforme avançam nos mapas e vêm também em tamanhos diferentes em certas ocasiões. Alguns dos Boss são inimigos regulares com a diferença de serem gigantes e terem mais um ou dois ataques na manga. Uma das coisas que me aconteceu rapidamente foi a necessidade de grinding que ora está presente ora nem por isso. SAO: Fatal Bullet usa um sistema bastante peculiar. Independentemente de como abandonam a zona de acção, levam convosco toda a experiência e loot que conseguiram acumular, quer saiam pelo próprio pé ou por terem morrido. Para morrerem é necessário que todos os membros da vossa equipa desmaiem e apesar de ser algo raro de acontecer, é nestes momentos que reparamos no quão básica é a inteligência artificial deste jogo. Em termos de aspecto é um jogo que não espanta e até se consegue manter estável na sua fluídez. A banda sonora deste jogo não é muito interessante e parece bastante repetitiva sem o ser, no fundo não consegue destacar-se.

O facto de termos uma equipa de até 4 elementos faz com que a grande maioria das batalhas seja uma piada, corremos em círculos evitando as balas dos inimigos e graças a um sistema de mira automática bastante alargado, mesmo quando estão aflitos é fácil continuarem a disparar às cegas enquanto procuram por uma forma de se curarem. Isto também transforma os Boss em autênticas esponjas de dano que muitas vezes são tão básicos que nem colocam um desafio, a não ser que aconteça aquilo que me aconteceu a mim. Como era bastante fácil chegar a qualquer área, eu estava constantemente vários níveis abaixo do recomendado, diferenças superiores a 20 níveis ou mais, o que quer dizer que com poucos tiros acabava no chão, mas como não era penalizado de nenhuma forma e ainda me davam mais pontos de experiência ia logo de seguida para o mesmo local e entretanto diminui a diferença de níveis.

Isto é Sword Art Online: Fatal Bullet. É um jogo repleto de conversas entre personagens com uma história que só começa a ficar interessante perto do fim e uma jogabilidade básica sem grande desafio e quase anestesiante. Se não forem fãs de Sword Art Online, Fatal Bullet não é para vocês. No entanto existem três componentes extra neste jogo. Primeiro está um modo especial que nos coloca na pele de Kirito e tem que ser desbloqueado com a progressão no jogo e existem ainda dois modos online.

No modo cooperativo, vocês e até 3 jogadores e os seus companheiros de IA juntam-se num grupo gigantesco de 8 personagens e vão enfrentar missões que consistem em derrotar um Boss em grupo. Se não tiverem jogadores suficientes o jogo dá-vos companheiros controlados pelo CPU. Lembram-se quando referi a qualidade dos Boss? Aqui só piora, o jogo torna-se tão fácil que este modo permite um jogador de nível 20 aliar-se a outro de 40 e derrotar um Boss de nível 60 em menos de dois minutos. O outro modo é o PVP, aqui temos algo interessante e que é divertido. Este modo coloca duas equipas de 4 jogadores uma contra a outra mas onde o objectivo é ser a nossa equipa a matar um Boss que está no mapa. Assim é uma luta entre as duas equipas com um objectivo.

No geral Sword Art Online: Fatal Bullet é um jogo apenas e só para os fãs de Sword Art Online. Este é um jogo que não tem grande longevidade e não entrega grande divertimento, grande parte do vosso tempo vai ser passado a fazer missões sem interesse e muito repetitivas. As mecânicas que incorporou são competentes na sua maioria e no geral é um jogo que não ofende mas também não se destaca e até se torna num bom jogo para os fãs. Assim resta-me frisar que Sword Art Online: Fatal Bullet é um jogo apenas para os fãs da série pois só eles é que conseguem retirar o máximo deste jogo.

Positivo

  • Interacção com personagens da série
  • Jogo com muitos elementos para os fãs da série
  • Modos Online
  • Várias armas e habilidades
  • Tudo parece um MMORPG…

Negativo

  • … bastante vazio e gráficamente fraco
  • Níveis desinspirados e repetitivos, tal como os inimigos
  • História desinteressante até à recta final

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

More Posts

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?