Análise – Super Lucky’s Tale

  • Plataformas: Xbox One, Windows 10
  • Data de lançamento: 7 Novembro

Esta é uma história sobre um jovem herói chamado Lucky que tem de salvar o mundo dos diabólicos planos de Jynx. Os planos deste temível inimigo envolvem utilizar o livro do tempo para destruir e reconstruir o mundo, no entanto tudo corre mal e Lucky, ao empurrar a sua irmã para fora da zona de perigo, acaba por ser encurralado dentro do livro juntamente com Jynx e os seus capangas. A história é simples, e honestamente é apenas um mote para o jogo, uma vez que não demora muito até realmente começarmos a jogar.

Lucky é uma raposa e como tal as suas habilidades envolvem saltar e escavar. Podem também rodopiar para atacar/atordoar inimigos, uma vez que a maioria só morre quando lhes saltamos em cima. Estas 3 habilidades são a base de todo o jogo. Super Lucky’s Tale é um jogo claramente pensado para os mais jovens e a simplicidade dos controlos demonstra bem isso, tal como o aspecto do jogo. Assim sendo os vários desafios que nos colocam pela frente levam-nos a combinar estas 3 artimanhas de Lucky de modo a superar os desafios e derrotar os vários inimigos que nos bloqueiam o caminho.

A estrutura do jogo coloca-nos num hub world onde existem vários portões fechados que nos levam aos diferentes níveis. Os níveis em si variam de secções maioritariamente 3D a algumas 2D com pequenas secções de puzzles e arenas. Pelo caminho temos ainda alguns níveis com certos objectivos. No geral é um daqueles jogos de plataformas bastante básico que procura entreter os mais jovens com desafios simples mas sempre num ambiente bastante alegre.

Cada nível está recheado de coleccionáveis, desde moedas, as letras “L, U, C, K, Y” e trevos de 4 folhas. Se juntarem 300 moedas ou as 5 letras espalhas por cada nível vão também ganhar um trevo por cada e ainda existe um trevo extra escondido em cada nível, normalmente bloqueado por um desafio secundário. Os trevos são o coleccionável principal da aventura e são necessários para desbloquear novos níveis.

Alguns destes coleccionáveis não são propriamente fáceis de apanhar e acabam por levar o jogador a investir algum tempo na procura dos mesmos, até porque existem áreas secretas. O jogo opta por se manter sempre simples mas ainda assim consegue colocar algumas artimanhas no nosso caminho que nos levam a arriscar e por vezes falhamos redondamente.

No hub world existem também alguns desafios extra, como puzzles e alguns itens para apanhar, mas sem sombra de dúvidas que o destaque vai sempre para o Boss da área que nos guia por esta secção e tem sempre a sua piada preferida na ponta da língua.

As personagens que vamos encontrar em Super Lucky’s Tale são bastante engraçadas e cheias de vida. Apesar de estas não comunicarem por voz, já que apenas reproduzem sons irritantes, os balões de texto são bastante divertidos. Normalmente cada uma das personagens tem a sua deixa e argumentos que deixam o seu impacto, apesar de por vezes parecerem tontas, a verdade é que acabam por deixar uma marca positiva. Ainda dentro dos diálogos, Super Lucky’s Tale está traduzido para português de Portugal e a tradução é de excelente qualidade, sendo esta a culpada por alguns textos me terem ficado na cabeça.

O aspecto do jogo é bastante colorido mas acaba por perder algum do impacto com a pouca variedade dentro de cada mundo, existem níveis muito parecidos entre si que acabam por negar a identidade de cada nível. O jogo tem uma performance bastante sólida e Lucky é um personagem com controlos bem definidos. A banda sonora infelizmente é demasiado genérica para um jogo como este, se estiver a decorrer um momento feliz temos uma música alegre, um momento de perigo tem uma música acelerada e não chega a ficar no ouvido.

Durante o tempo que dediquei a Super Lucky’s Tale deparei-me com alguns bugs ocasionais mas que o próprio jogo corrigiu rapidamente, nunca tendo sido necessário qualquer tipo de reset. Foram situações extremamente raras, mas não deixou de ser um pouco estranho ver Lucky meio enterrado no chão quando deveria estar a caminhar sobre o mesmo.

Enquanto exploramos os níveis houve algo que me deixou um pouco perplexo, não existe botão para correr e Lucky nunca chega a atingir uma velocidade rápida, é deveras estranho pois a abertura da maioria dos níveis parece incentivar a uma maior velocidade. Com as habilidades que Lucky tem e que eu já referi, ultrapassar os obstáculos propostos é bastante fácil e acaba por ser divertido durante algum tempo. O grande problema de Super Lucky’s Tale está mesmo na falta de variedade naquilo que nos é apresentado, não demorou muito tempo até começar a ficar aborrecido com a repetição. Apesar de ser um jogo de boa qualidade o facto de estarmos a fazer o mesmo em praticamente todos os níveis e não existir uma grande diferença entre os níveis acaba por cansar.

Em cada mundo vamos encontrar sempre personagens que acompanham o tema do mesmo e em simultâneo vão interagindo com Lucky de modo a explicar os problemas que o Boss da área está a causar. É simples e eficaz. Se Super Lucky’s Tale arriscá-se mais na sua variedade e um leque de movimentos maior para Lucky este poderia ter sido muito bem um grande jogo de plataformas. Infelizmente joga demasiado pelo seguro e como consequência nada no jogo é memorável ou único. O preço de lançamento mais baixo de cerca de 30€ é sem sombra de dúvidas um bom motivo para o adquirirem se estiverem interessados e é um jogo que facilmente apela aos mais novos, acabando por valer o preço. No geral existia aqui potencial para ser um marco dentro do género, infelizmente o resultado final não fica na memória.

Positivo

  • Aspecto cartoon bem aplicado
  • Lucky é um personagem bastante amigável
  • Falas de personagens engraçadas
  • Traduzido para português
  • Jogabilidade sólida…

Negativo

  • … que não arrisca e se torna extremamente repetitiva
  • Não tem momentos memoráveis

Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

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