Análise – Suicide Squad

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Realizador: David Ayer
Elenco: Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Jared Leto, Joel Kinnaman, Cara Delevingne
Género: Acção, Aventura
Duração: 2h 10min

Só neste ano, tivemos direito não a um, mas a dois filmes do DC Extended Universe (DCEU). Tivemos Batman v Superman: Dawn of Justice em Março, e agora chegou a vez de Suicide Squad. Enquanto que o primeiro teve mérito por juntar os dois maiores super-heróis da DC Comics (mais a Wonder Woman) pela primeira vez no mesmo filme ao vivo, o segundo tem a difícil tarefa de introduzir diversas personagens que muitas pessoas desconhecem.

Esta era a oportunidade da Warner Bros. oferecer algo diferente, de chamar a atenção às pessoas que não apreciaram tanto o tom sério de Man of Steel e Batman v Superman com um filme mais cómico e apelativo. Será que o resultado final cumpriu essas expetativas? Isso vai depender de cada um de vós, mas a meu ver, merecíamos um filme bem melhor.

Antes de mais, convém referir que vou evitar spoilers na análise e só irei mencionar pormenores revelados nos trailers, como por exemplo a presença do Batfleck em pequenas sequências. Na verdade, isto não vai permitir-me revelar demasiada informação porque os trailers fizeram um bom trabalho em não divulgarem muito sobre a história do filme.

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Suicide Squad é o terceiro filme do DC Extended Universe (DCEU) e decorre após os eventos de Batman v Superman. Para lidar com a nova ameaça de meta-humanos e missões de alto risco, Amanda Waller (Viola Davis) propõe ao governo americano a formação de uma equipa constituída por criminosos perigosos chamada Task Force X, o nosso Esquadrão Suicida.

Sob o comando do coronel Rick Flag (Joel Kinnaman), somos apresentados a personagens como Floyd “Deadshot” Lawton (Will Smith) e Harley Quinn (Margot Robbie) que são enviados numa missão para Midway City após um suposto ataque terrorista. Se um membro do esquadrão optar por desobedecer ou escapar, é ativada uma bomba implantada no pescoço, portanto o esquadrão não tem muito que possam fazer para contrariar.

A história de Suicide Squad não revela ser um dos seus pontos fortes. Tem um seguimento algo genérico e um pouco confuso onde perde tempo com flashbacks que nem sempre são necessários e com cenas de ação demasiado escuras. Não há nada de complexo a entender ou revelações com grande impacto, é apenas uma desculpa para juntar todos estes vilões armados em heróis no mesmo filme.

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Aquilo que destaca Suicide Squad é o leque colorido de personagens, por isso vou esticar esta análise mais do que devia a falar um pouco de cada uma delas. Para começar, temos Deadshoot, o assassino que nunca falha um único tiro. A prestação de Will Smith não saí muito do seu registo habitual, o que até funciona para a personagem e já não o via num bom papel há algum tempo. Com o incentivo de voltar a ver a sua filha, Deadshot é capaz de ser a personagem que a maioria das pessoas se vai ligar mais facilmente. Só é pena ele usar a sua máscara branca poucas vezes.

Para além de Deadshot, a demente e imprevisível Harley Quinn também tem bastante desenvolvimento no filme, e é a personagem que mais gostei de ver no filme. Sempre vi a Harley Quinn como apenas a parceira parvinha do Joker nas histórias doutros jogos e filmes animados. Aqui continua a ser assim, cujo o diálogo consistem na maioria em one-liners e piadas, mas aquilo que Suicide Squad faz é apresentar uma certa profundidade à personagem que nunca esperava ver. Margot Robbie fez um excelente trabalho na estreia da Harley Quinn num filme ao vivo.

E já que mencionei o Joker, ficam a saber que não consigo fazer uma avaliação desta versão do Jared Leto porque ele aparece tão poucas vezes. Se não gostaram do que viram nos trailers, o filme não vai convencer-vos do contrário. Se estão à espera que ele envolva-se muito na narrativa principal, também vão ficar desiludidos. Tirando as flashbacks relacionadas com a Harley Quinn, o Joker não afeta muito as atividades do esquadrão. Depois de tantas histórias estranhas sobre as coisas que o ator fez que, de uma certa forma, demonstravam que estava bastante empenho no papel, o Joker é desperdiçado neste filme. Sem esquecer que ele parece importar-se demasiado pela Harley Quinn e o filme esconde um pouco a relação abusiva dos dois.

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Outras personagens que não estiveram mal foi Amanda Waller que consegue demonstrar o seu lado intimidade e implacável no filme, acabando por marcar mais presença na história do que esperava. Já Rick Flag tinha receio de não lhe ligar nenhuma por não ter nenhum poder ou característica distinta comparado com os restantes membros do Esquadrão Suicida, e ser apenas um típico homem militar. Mas a revelação da sua relação com uma certa personagem ajudou a dar-lhe um pouco mais de atenção, e se ele morrer, todo o esquadrão é morto, por isso tornar-se no membro prioritário a manter vivo.

Para além de Deadshot e Harley Quinn, o outro membro do esquadrão que tem mais desenvolvimento é El Diablo (Jay Hernandez), um ex-gângster capaz de criar e manipular fogo. Talvez ficamos a conhecê-lo bem por o realizador David Ayer já estar habituado a trabalhar com este género de personagens (gângsters, não tochas-humanas) nos seus filmes anteriores.

No entanto, um filme tem os seus limites e não há espaço para todas as personagens terem o mesmo tratamento. Captain Boomerang é capaz de ser o melhor papel que vi o Jai Courtney a interpretar onde assume o seu lado australiano ao extremo. Tendo em conta como a personagem é apresentada, estava à espera que criasse mais distúrbios dentro da equipa, mas está muito mansinho e alinha em quase tudo sem grande oposição. Quanto a Killer Croc, também deixa muito a desejar. Eu respeito a decisão de utilizarem efeitos práticos, apesar de metade do tempo parecer que o ator Adewale Akinnuoye-Agbaje está com dificuldades em respirar pela maneira como age. E continua a fazer-me impressão o facto de ele ser quase do mesmo tamanho que alguns dos membros do esquadrão.

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Depois temos personagens que são atiradas ao pontapé no meio do nada. Este é o primeiro filme da atriz Karen Fukuharatem que interpreta Katana, e tinha tudo para ser uma das personagens favoritas de muitos. Contudo, tem raros momentos onde demonstra as suas habilidades e o pouco desenvolvimento que tem é feito por outras personagens através de exposição, nunca havendo uma chance dela brilhar por mérito próprio. Depois temos o Slipknot (Adam Beach)… ah meu pobre e inocente Slipknot. Tu não tiveste hipótese nenhuma. Valeu pela experiência, né?

Realmente a única personagem relevante que falta mencionar é a Enchantress (Cara Delevingne). Era uma das personagens que tinha mais interesse em ver, mas parece que o filme não sabia o que fazer com ela. Não ficamos a conhecê-la tão bem como Dr. June Moone, e apesar de ter alguns momentos bons onde tem um ar bastante intimidante, o seu envolvimento no filme deixa um pouco a desejar.

Mesmo que algumas personagens não sejam tão exploradas como outras e da maioria das prestações serem positivas, o maior problema é que não há tanta interação entre elas como gostaria e o Esquadrão Suicida nunca me convence como uma equipa. Sim, são todos escumalhas e só estão a fazer o que lhes mandam para não ficarem sem cabeça, mas nunca fiquei convencido na parte final que havia uma ligação forte entre todos. Temos o exemplo do Guardians of the Galaxy que, mesmo não lidando com tantas personagens como Suicide Squad, conseguiu introduzir personagens completamente desconhecidas de forma eficaz, sem recorrer quase a nenhum flashback, e no fim sentia que tínhamos um grupo forte.

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Infelizmente, os problemas de Suicide Squad não ficam por aqui. A primeira hora do filme começa com um tom mais próximo dos trailers recentes onde julga que atirar música atrás de música licenciada vai cativar mais as pessoas, enquanto o resto do filme está mais próximo do tom sério do trailer original com mais música orquestral que não chega ao nível da banda sonora magnífica criada por Junkie XL e Hans Zimmer para Batman v Superman. Eu não me importo que colocam músicas do Eminem, Kanye West, The White Stripes ou Queen (principalmente Queen), mas se elas não servem para dar mais impacto as cenas em si e só distraem, então não servem para nada. Até nesse aspecto, o Guardians of the Galaxy também era melhor.

Quando saí da sala de cinema após ver Batman v Superman pela primeira vez no cinema, eu senti que o filme não tinha cumprido todas as minhas expetativas e fiquei preocupado com os futuro filmes da DCEU. Com o passar do tempo, a discutir mais sobre o filme e com o Ultimate Edition a resolver alguns problemas, fiquei a apreciar Batman v Superman bem mais. Suicide Squad deixou-me com uma sensação semelhante, só que pior, e duvido muito que vá melhorar com o passar do tempo, mesmo que haja um Director’s Cut milagroso que consiga disfarçar os problemas profundos que tem.

Eu não detestei Suicide Squad, mas fiquei desiludido devido ao potencial que tinha. Apenas não queria outro filme da DC no mesmo ano que deixava as pessoas tão divididas. Se isto é culpa de executivos do estúdio que entraram em pânico com as más críticas de Batman v Superman, até tenho medo com o que pode acontecer à Wonder Woman agora.

Positivo

  • Harley Quinn
  • Elenco diversificado de personagens nunca antes vistas no cinema
  • Momentos cómicos

Negativo

  • História fraca
  • Falta de desenvolvimento de algumas personagens
  • Joker desperdiçado

 

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Sérgio Batista

Membro do PróximoNível desde 2015. Tira fotos em demasia durante os eventos.

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Sérgio Batista

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  • Marco Correia

    Eu dava um “Mau”……….meu deus o quanto me magoa dizer isto…………que filme tão genérico FODA-SE!

    O BvS dá 10-0 a isto. Não quero saber se é um filme sombrio e se “UHUHUHU NOT MUH SUPAMAN MA SUPAMAN SAVEZ KITTIES FOM TEESSS!!! UHUHU HACK SNYDER FUCK U HUHUHUHU”
    É um filme que tenta ser algo, e a meu ver consegue e bem.

    Quando vi o BvS fiquei um bocado: “hmm gostei mas….hmm”. Depois de ver o Ultimate Cut cheguei ao consenso que adoro o filme, só não dou 10/10 porque não curto muito a cena do filme ter o genérico 3º acto em que vira “full on 100% ULTRA HYPER SUPER-HERO MOVIE!”
    Mas aquela sequência linda do senado <3 Senator Finch + Piss Tea <3

    Até o Man of Steel que acho só Ok/Bonzinho (o meu maior stress com o filme é mesmo ser um bocadinho aborrecido no 2º acto) dou valor por tentar ser algo. Continuo a achar corajoso de car*alho esta cena de desconstruir os personagens, o povo pode odiar, até eu posso desgostar, mas curto que o façam, que tenham tomates para variar a cena.

    O Suicide Squad é só meh, é mais um filmezito de verão. O SS podia até ser competente naquilo que quer, ser bem recebido criticamente e mesmo assim eu não gostaria.
    Arrisco-me a dizer que é pior que o Ant-Man, e eu odeio o Ant-Man é dos piores filmes que vi o ano passado.

    Mas pronto, oremos ao nosso senhor Geoff Johns para nos salvar disto!

    Termino com o trailer que apresentava o potencial dos deuses

    https://www.youtube.com/watch?v=PLLQK9la6Go

    P.s não tenho nada a dizer sobre o Joker, não me impressionou nem desiludiu, é um side character e não faz praticamente nada. Mas quero ver mais dele para decidir

  • Nirvanes

    Saí mesmo frustrado e irritado do cinema porque queria mesmo gostar e achava que não podia ser assim tão mau. Mas a verdade é que é um desastre, a história é uma treta, a maior parte dos personagens são esquecíveis (para ser simpático) e o desenlace é muito pouco satisfatório com um climax da treta e vilões que nem há palavras…
    O Joker para mim aparece tempo que chegue no filme para fazer perceber que é uma interpretação que me desagrada completamente, em overacting constante (e eu até gosto do Leto) e não faz jus ao Batman deste universo. O visual já era mau, mas no filme meu deus… é um gangsto-mafioso que anda o filme todo atrás da Harley porque gosta muito dela…? WTF?

    A mistura neste filme é muito má, as músicas são tratadas de uma forma escandalosa, uma atrás da outra tirando todo o impacto possível, e mais para o meio do filme há 2 ou 3 escolhas muito duvidosas (decidiram-se por uma música popzeca qualquer para o flashback do Joker e a Harley). Nem vou comentar o que eles fizeram (e a música oficial deste filme, que toca nos créditos, é uma treta, já era mau o Joker aparecer no videoclip mas a música… não tem NADA a ver com o filme). Não se faz o que o Guardians fo the Galaxy fez com a música assim sem mais nem menos 😉

    O tratamento da maior parte dos personagens neste filme é ridículo, algumas piadas são engraçadas outras nem tanto e um bocado forçadas (porque raio é que tiraram a piada do copo de água que estava no trailer!?), em geral – e para mim – safam-se a Harley e (para minha surpresa) o Deadshot que é muito bem interpretado pelo Will Smith.

    As críticas são todas merecidas, 100%. O Batman v Superman deu que falar, mas eu até gostei concedendo a maior parte das críticas da qual é alvo, agora este… falta tanto. E depois de ver o filme, ainda gosto menos do Suicide Squad e ainda acho mais que não só é um desastre como é um filme completamente escusado… para mim não se perdia nada se não existisse, é a adaptação de algo que para mim não passa de um spinoff. A ser feito se calhar teria sido melhor depois de termos conhecidos vários dos personagens em outros filmes, ao menos já estariamos familiarizados com aquelas personagens e escusavam-nos aos flashbacks e ao desenvolvimento pobre das personagens.

    • Marco Correia

      Eu achei estúpido a única musica feita de propósito para o filme ser a musica dos créditos…..wtf

      • Nirvanes

        Normalmente é assim!

    • Marco Correia

      Por alguma razão isto não está no filme, demonstra a relação abusiva do Joker/Harley

      https://www.youtube.com/watch?v=7TUxvwNxVAc

      acho que até lhe está a mijar em cima xD

  • Lobeon

    Uma pergunta, algumas das personagens já tinham aparecido em séries da DC como Arrow e Flash e tinham sido interpretadas por atores diferentes. Porquê o spin-off?

    • Kanudo

      As séries da CW e os filmes do DC Extended Universe seguem continuidades diferentes. As personagens que surgem em comum não são exatamente as mesmas.

      • Lobeon

        Ah, ok.

  • Ghost

    Será que fui o único a gostar do filme? Não é nenhuma obra de arte mas cumpre com o seu objectivo que é entreter. Eu também não criei muitas expectativas, hype a mais faz mal xD
    O joker não é mau, é diferente. Agora é questão de o saberem aproveitar no 2.

  • JPMatias

    Honestamente, gostei do filme. É claro que não é perfeito, até muito pelo contrário, está longe disso. O argumento tem problemas, há personagens que mereciam um melhore desenvolvimento e existem momentos que não têm minimamente o impacto desejado. Mas no fim de contas, diverti-me a sério com ele. É um filme que consegue fazer relativamente bem aquilo que quer e que remedeia vários dos problemas mais graves do Batman v Superman (o qual eu também gostei relativamente).

    Compreendo alguns dos criticismos que lhe têm sido feitos, mas não consigo perceber como é que alguém pode dizer que este é o pior filme do género. Vão-me dizer que é pior do que o Fantastic Four de 2016 (ou até do que dos originais)? É pior do que o Green Lantern? É pior do que o Ant-man? É pior do que o X-men Apocalypse ou o X-men Origins: Wolverine?

    Posto isto, quero apenas voltar a realçar que não acho que o filme seja uma obra-prima, mas pessoalmente gostei dele. Acima de tudo, fiquei curioso para o futuro destas personagens, e, talvez pela primeira vez, para o futuro deste universo da DC.