Análise – Submerged

 

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Se me perguntarem se eu quero experimentar um jogo de aventura eu respondo que sim.
Se acrescentarem que se tivesse de explorar uma cidade meio submersa, ainda estaria interessada? Sim!
Num cenário pós-apocalíptico em que não se sabe o que aconteceu? Sim!
Se quero vaguear por ruínas misteriosas? Sim!
Se me sinto bem estando absorvida por Natureza e paisagens incríveis? Sim!
Mais especificamente, por animais marinhos e místicos? Sim, e espero que existam baleias!!

Bem, até aqui Submerged reúne todos os requisitos necessários para me arrastar para o seu mundo e fazer com que eu queira ficar lá a viver. Agora, avaliando isto ao detalhe e estando ciente de que se trata de um videojogo, o cenário acaba por mudar ligeiramente de figura.

A história pode ser facilmente prevista, e se o jogo tem algo de surpreendente, não é na consistência do passado das personagens nem na acção desenrolada no presente. Existem espalhadas pelo mapa, pistas coleccionáveis que se dividem individualmente e que transparecem partes do passado da minha família e da história da cidade. Tudo coisas que eu daria… não tudo… mas vá, era capaz de fazer um ritual em que sacrificava uma formiga ou duas, para desvendar os mistérios que ficaram em aberto. Estas pistas são papéis com figuras rupestres que nos guiam o pensamento, sem delimitar ou especificar os factos, o que pode ser frustrante para os mais curiosos (como eu) ou positivo para usuários da imaginação (como eu). Por isso estou indecisa.

Acabei por não reunir os 60 rabiscos da história da cidade por me ter apercebido a tempo de que não valia a pena. Juntei todos os documentos que “contavam” a história da minha família e de como tudo aconteceu, e para ser sincera, só alguns é que transmitiam mesmo alguma informação, ainda que abstracta. Fiquei sem saber ao certo o que se passou, tendo subentendido que: a minha mãe faleceu, o meu pai era um bêbado que agrediu e feriu o meu irmão mais novo com uma lança e agora lá estava eu, com o meu barquinho de pesca a tentar encontrar mantimentos e remédios no meio de uma cidade fantasma, com o objectivo de não deixar a infecção avançar.

Somos equipados por um mapa demasiado informativo e uns binóculos. Estes dois elementos juntos podem estragar parte da diversão dos puzzles e da procura de materiais ou locais necessários para avançar no jogo, que já não seriam muito complicados de desvendar por si só.

Ou seja, a jogabilidade de Submerged é bastante simples, e o jogo em si não é muito desafiante. Talvez aqueles que se entreguem mais ao jogo, sintam a pressão da grandiosidade da cidade e de todos os mistérios que poderá conter em relação ao tamanho da nossa personagem inofensiva e perdida. Sentimo-nos realmente pequenos naquela imensidão, e mesmo que o mapa seja limitado pelo resultado de uma arquitectura especial: as paredes invisíveis, a exploração disponível acaba por ser monstruosamente ampla de qualquer forma.

Os edifícios principais onde podemos encontrar as caixas com o material-“chave”, são portadores de uma arquitectura linda e única por fora, mas de perto, e durante a escalada ou exploração nos vários parapeitos e varandas, parece tudo muito semelhante e aborrecido. Para além disto, os tijolos e os azulejos têm pouco relevo quando aparecem num plano mais aproximado e parece que os muros são revestidos por papel de parede.

O ambiente é especialmente impressionante à noite, quando a água espelha o reflexo da lua por vezes interrompido por um salto de uma baleia ou de uma raia incandescentes. O visual do jogo ao por-do-sol é também muito inspirador, com as cores quentes e saturadas a tomarem conta do tom do oceano. A minha boa impressão da direcção de arte do jogo morre um bocadinho na luz normal do dia, que retira um pouco a magia à cidade tornando-a mais monótona.

A música e o som são sem dúvida um dos pontos altos de Submerged, avantajam e enfatizam a parte visual e ajudam na sensação de “submersão” no ambiente do jogo.

Para além de considerar a banda sonora extremamente absorvente, os sons estão bem doseados e realistas. À medida que chegamos a um ponto mais alto de uma torre ou edifício o vento fica mais forte e dá a sensação que tem poder suficiente para fazer ceder as infra-estruturas, o que acrescenta alguma pressão nos momentos de escalada. Já agora, qualquer semelhança com o método e visual de escalada de Prince of Persia é pura coincidência.

A minha jornada demorou cerca de 3 horas. Poderia ter durado bem mais se eu me tivesse dedicado a encontrar e apanhar todos os coleccionáveis. Também poderia ter sido bem mais rápido na medida em que devia ter ido directa aos objectivos do modo história e me podia ter apercebido mais cedo de que não valia assim tanto a pena procurar por todos os 60 pedacinhos de papel de história da cidade.

No entanto acho interessante o jogo oferecer a hipótese de se poder seguir qualquer um dos rumos e ainda podermos dividir as duas cenas e mesmo depois de completar a base principal do jogo, ser possível voltar apenas para deambular e reunir todos os fragmentos de diário. Isto é conveniente principalmente para aqueles que criaram uma ligação com o local e/ou com as personagens.

Felizmente, de forma a não permitir que o factor macabro da cidade domine o ambiente, existe uma vasta lista de animais e seres vivos responsáveis por a acentuação da interacção entre o jogo e o jogador.

Fascinou-me imenso os sinais que nos são dados de que existem mais habitantes na ilha para além de nós e ainda mais do que isso, entretive-me a imaginar a cidade no passado, quando os hotéis eram hotéis e o cinema era o cinema, e a razão pela qual aqueles monumentos épicos terão sido construídos, por isso apraz-me que que restem cartazes informativos nas ruínas ou outros sinais deixados pela civilização.

Esta aventura pode ir de drástica a fulminante. Não posso deixar de referir que tem pouca acção, mas pensando bem, não há assim tantos jogos que nos deixem sedentos por mais sem nos fazerem sentir poderosos por lutas ganhas contra dragões ou vitórias em torneios. Submerged é poderoso por si só e “acciona-nos” as emoções.

Pelo menos comigo foi assim que se passou, eu acabei por querer mais de Submerged precisamente por ter gostado de explorar aquele lugar, mas após ter terminado o jogo não me sentia satisfeita, teria gostado de saber mais sobre a causa do ambiente apocaliptico, ter visto ainda mais diversidade no cenário e talvez ter mergulhado naquele mar cheio de mistério e contaminado… por magia. Vocês vão perceber, se experimentarem.

Positivo

  • Atmosfera misteriosa e desconhecida
  • Exploração “praticamente” livre
  • Banda sonora e mar cintilante
  • Guardar 50 screenshots da baleia azul em grande plano

Negativo

  • Stressei demasiado com elementos aparentemente perigosos…
  • …para depois não haver acção nenhuma
  • Elementos monótonos a contrastar com os fascinantes

pn-bom-ana

Catarina Perez

Sou o resultado de uma experiência feita pelo governo que correu mal. Encontro-me em missão de fuga, disfarçada de Algarvia pouco bronzeada (quase transparente), perdida pela capital com uma 2DS na mão e um Mew na Pokébola. O PróximoNível é o meu esconderijo secreto preferido onde posso fazer as coisas mais divertidas: jogar, comer, ver anime, ser tonta e jornalismo.

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