Análise – Street Fighter V: Arcade Edition

A viagem de Street Fighter V tem vindo a ser, no mínimo, atribulada. Para uma série que é sinónimo de videojogos, o episódio mais recente foi alvo de várias críticas, especialmente associadas a longevidade, modos e uma série de personagens e conteúdos colocados atrás de pagamento.

Com o lançamento da versão Arcade, Street Fighter V não chegou a uma nova era, o jogo é o mesmo, mas sofreu algumas adições e afinamentos que fazem dele um jogo ainda mais completo, mas não necessariamente melhor, pois o seu foco principal, o combate, continua a ser óptimo.

Street Fighter V: Arcade Edition surge na verdade como uma actualização gratuita para quem tenha o original, quem quiser, pode também comprar a nova edição e ter acesso ao jogo original que já aparece na nova versão Arcade e os dois primeiros Season Pass de personagens. Não gostei do facto das personagens virem presas a código por download, afinal, se estamos a comprar uma nova versão, deveria já vir activado no próprio disco, tal como acontece com uma GOTY, onde o que já foi lançado até esse ponto, está incluído no Disco.

Tendo em conta que analisei o Street Fighter V original e só voltei a ele para jogar contra amigos, fico feliz de ver que agora já existe um modo arcade como deve ser, um modo história com algum conteúdo e uma organização mais fácil de perceber. O modo Arcade em especial foi construído para ter em mente cada um dos jogos lançados até agora, com os lutadores disponíveis a funcionar como adversários dentro do universo de cada jogo. Tudo isto desde o primeiro Street Fighter, passando pelo Alpha (o meu favorito) e indo até ao futuro com Street Fighter III.

De qualquer forma, o essencial sofreu algumas afinações mas não mudou muito. Falo, claro está, do combate que é o que no fundo interessa num jogo como estes. Street Fighter V: Arcade Edition eleva a fasquia e tenta fazer com que tudo corra ainda de forma mais fluída e dinâmica, o que não é fácil de fazer tendo em conta a quantidade crescente de personagens que estão a ser adicionadas e que podem partir o equilíbrio facilmente. No geral, cada personagens parece distinta e mesmo os clones do passado começaram a ganhar a sua personalidade e estilos distintos.

Os testes que fiz online também correram bastante bem, foram raros os momentos em que tive problemas com lag ou grandes latências, mas tenho de me queixar de alguns tempos absurdos que tive de aguardar até que fosse encontrada uma nova partida, fosse em casual ou para ranking. Algo que também estranhei foi o facto de ter saído invicto de todas as partidas que fiz online nesta “Arcade Era”, talvez tenha tido sorte com os jogadores que encontrei, mas não perdi um único combate online.

Agora tenho de agarrar numa das queixas já recorrentes dos jogos modernos e mencionar como a ideia do Fight Money é óptima, mas não é equilibrada. O Fight Money é ganho ao jogar e ao fazer missões extra diárias, mas é um sistema que embora permita desbloquear personagens sem gastar dinheiro real, surge de uma forma tão lenta e tão limitada que nunca existe um fluxo agradável. Muitos conteúdos precisam mesmo de ser pagos com dinheiro real e a não ser que joguem todos os dias várias partidas, não vão ter Fight Money para ter tudo a um ritmo saudável que pelo menos faça lembrar os desbloqueáveis dos jogos de antigamente. No fundo, ao menos é possível ter as personagens sem ter de se gastar dinheiro real.

Já no que respeita ao visual e áudio do jogo, Street Fighter V: Arcade Edition mantêm o conceito original e entrega vários cenários e personagens detalhados e bastante característicos. Destaque também para as músicas adicionadas aos modos arcade inspiradas nos jogos originais.

Na verdade, esta é uma análise a um DLC, mas um DLC importante tanto para Street Fighter V como para os jogos de luta. Com Street Fighter V: Arcade Edition, a Capcom admitiu e corrigiu alguns erros, mas fez também ouvidos de marcador a outros. Este modelo está mais próximo daquilo deveria ter sido o lançamento original, pois os compradores do quinto vão olhar para este trabalho como uma série de remendos, que felizmente não precisam de ser pagos em quase toda a sua totalidade.

Se já têm o jogo original, basta colocar na consola que o conteúdo do Arcade Edition vai até vocês. Se ainda não o jogaram, esta é a altura ideal para o fazer, mas preparem-se para lidar (novamente), com os problemas recorrentes de quem compra um jogo “completo” nos dias que correm.

Positivo:

  • Combate ainda mais afinado
  • Modo arcade bem feito
  • Código de net funciona bem
  • Poder comprar as personagens com dinheiro do jogo
  • Visual e áudio característicos

Negativo

  • Parece que existem sempre coisas bloqueadas
  • Demora a encontrar partidas online
  • Está mais próximo do que devia ter sido no lançamento

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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