Análise – Steins;Gate 0

  • Plataformas: PlayStation Vita, PlayStation 4,
  • Versão de Análise: PlayStation Vita
  • Informação Adicional: Potenciais spoilers sobre o jogo anterior. Imagens retiradas durante as sessões de jogo.

Steins;Gate é uma série que conquistou muitas pessoas, no que toca ao Ocidente o primeiro contacto feito com Steins;Gate foi através da adaptação anime em vez da visual novel, uma vez que a mesma apenas chegou cá em 2015. Esta tornou-se rapidamente em algo de culto para os fãs de anime e colocou as próximas obras da “Science Adventure Series” debaixo do radar de muitos tal como Chaos;Child e o mais recente capítulo de Steins;Gate.

Steins;Gate 0 não é bem uma sequela mas mais um complemento para o jogo original, daí aconselhar a evitarem esta análise se não tiverem jogado Steins;Gate pois contém spoilers. Para os que jogaram ou viram o Steins;Gate original então devem lembrar-se que a história terminou com Okabe a salvar Kurisu e assim chegando à linha temporal que era necessária para evitar a terceira guerra mundial. Steins;Gate 0 por outro lado toma lugar na linha temporal onde Okabe falhou a sua missão e não conseguiu salvar Kurisu. Passando os seguintes meses a lidar com a dura realidade e a ver-se livre das máquinas do tempo que havia criado, prometendo nunca mais mexer com as regras do tempo.

Tal como o jogo original, Steins;Gate 0 é na sua maioria uma visual novel cinética, o que quer dizer que não existem opções de resposta que o jogador possa seleccionar, sendo o nosso dever apenas acompanhar o progresso da história. No entanto, semelhante a Steins;Gate, Steins;Gate 0 possui um sistema de mensagens que Okabe recebe de outras personagens e às quais o jogador pode responder, mas é algo que não afecta a história, sendo apenas uma pequena interacção para quebrar os longos momentos de leitura que o jogador tem de fazer.

Uma das novidades do jogo é o Sistema Amadeus que acaba por ser uma peça importante não só para a história como para o resultado final que vão obter. Amadeus é uma A.I. que foi instalada no telemóvel de Okabe e é a interacção com a mesma que vai ditar qual caminho a história vai seguir. O Sistema Amadeus funciona de forma semelhante ao “Phone Trigger” do primeiro Steins;Gate, marcando presença em certos pontos da história e cabendo ao jogador decidir se Okabe vai interagir ou ignorar o mesmo, o que acaba por mudar o final que irão obter.

Ao contrário de Steins;Gate que seguia um caminho fixo e apenas se desviava por uns minutos para cada final alternativo. Steins;Gate 0 tem caminhos mais abertos, caminhos esses que são referidos como “Caminhos Ramificados” (branching paths). Logo nas primeiras horas do jogo o jogador acaba por seguir um de dois caminhos com histórias diferentes, e ao longo desses caminhos o jogador encontra momentos que podem desviar-se para certos finais alternativos que duram um bom par de horas e acabam por explorar vários cenários. Alguns dos finais alternativos têm um cenário semelhante ao cenário principal, enquanto que outros acabam por seguir uma história completamente diferente sem que o jogador dê conta.

Isso faz com que a história de Steins;Gate 0 tenha vários tons diferentes, ao contrário do primeiro jogo que se focava maioritariamente  num ponto de cada vez, progredindo assim de uma forma mais natural. Com a quantidade de caminhos alternativos existentes, por vezes alguns eventos que estavam a acontecer e até personagens acabam por ser esquecidos, com outros desenvolvimentos a tomar o seu lugar, mudando a interpretação do que estava a acontecer até ao momento. Alguns destes finais dão o sentimento de serem apenas um complemento extra para o jogo, enquanto que outros oferecem algo mais para a história geral de Steins;Gate e Steins;Gate 0, acrescentando informação importante que o jogador necessita para melhor entender certos eventos.

Tal como já é normal nesta franquia, existem vários termos que referem a cultura otaku e também imensa conversa sobre ciência que para quem não está a par desses assuntos apenas irá ficar confuso. Felizmente Steins;Gate 0 possui uma secção de “Tips” que explica várias palavras que as personagens vão dizendo ao longo da história, retirando assim qualquer tipo de confusão que o jogador possa sentir durante esses momentos. Por outro lado, é este tipo de conversa que dá um outro charme a Steins;Gate. Alguns dos nomes de pessoas ou sociedades podem ser inventadas, mas a grande maioria do calão científico está bem estudado e dá um ar mais interessante às conversas que as personagens têm quando estão a partilhar as suas teorias sobre vários temas.

Falando melhor sobre a história e personagens, Steins;Gate 0 conta com a presença do elenco do jogo anterior bem como novas personagens. Algumas das personagens que regressam não tem tanto tempo de ecrã como tinham antigamente, enquanto que outras continuam a ser importantes para a história e a receber novo desenvolvimento. No que toca às novas personagens o caso torna-se um pouco mais complicado, uma vez que estas personagens têm uma ligação com outras veteranas desta história mas nunca chegaram a ser mencionadas no jogo anterior. Isto causa por vezes o sentimento de estarem desligadas do que está a acontecer por não se encaixarem com os eventos pré-determinados pelo jogo anterior.

Pondo isso de lado, estas personagens acabam por funcionar bem quando estão a interagir com outras personagens específicas, ou em certos momentos de história onde conseguem dar o seu melhor, mas no final a sua parte nesta história acaba por ser desperdiçada sem ser aproveitada ao máximo. Mas falando em personagens, Steins;Gate 0 não se foca apenas em Okabe tal como no primeiro jogo, mudando por vezes de perspectiva para outros eventos que estejam a acontecer com outras personagens, explorando um pouco dos dilemas que as mesmas estão a enfrentar e que vão ligar-se a eventos futuros da história. É certamente uma boa decisão pois oferece uma outra perspectiva para além da de Okabe e permite expandir um pouco a história sem necessitar de ter Okabe em cena.

Em relação à história, Steins;Gate 0 está ao nível do original. Existem momentos virados para a comédia, momentos mais negros e até aqueles momentos onde Okabe lida com a depressão e trauma causados pelos eventos recentes. É uma aproximação interessante à personagen de Okabe, fazendo com que o mesmo largue o seu persona de “Hououin Kyouma” que usou durante a maioria do primeiro jogo para esconder os seus verdadeiros sentimentos e criar vários momentos de comédia. Aqui Okabe é uma personagem mais real e com problemas, e a história foca-se na forma em como o mesmo lida com a sua situação actual.

No que toca aos aspectos técnicos não existe muito a dizer. As visual novels nunca pedem muito do sistema, e a arte continua com seu aspecto único que acaba por dar um charme às personagens. A banda sonora também está bastante boa apesar de ter poucas faixas. Em termos de tradução o jogo está muito bom, contando apenas com um par de erros que é possível contar pelos dados que se tem na mão.

Steins;Gate 0 é uma óptima continuação do jogo anterior. A nova história vem explorar uma realidade que os jogadores nunca haviam pessoalmente visto e as personagens enfrentam problemas ainda maiores do que os que presenciaram anteriormente. As novas personagens por vezes não criam uma boa ligação com os eventos que estão a decorrer, e alguns cenários por vezes não adicionam muito à história. Mas é tudo o resto que faz o jogo brilhar e estar ao nível de Steins;Gate, tornando-se noutra história de ficção científica memorável.

Positivo:

  • História está ao nível do primeiro jogo
  • Vários finais alternativos
  • Calão científico é interessante
  • Banda sonora

Negativo:

  • Por vezes as novas personagens não estão bem colocadas na história
  • Alguns cenários acabam por não adicionar muito para a história
  • Banda sonora é demasiado pequena

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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